Crítica | Batman vs Superman – A Origem da Justiça

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Batman vs Superman abre de forma grandiosa o Universo da DC Comics no cinema.

Imagem: Adoro Cinema
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O filme que acabou dividindo o mundo, não pelas torcidas de Batman ou de Superman, mas entre os que amaram e os que odiaram a obra de Zack Snyder é de longe muito melhor do que as críticas negativas estão falando. Particularmente adorei o longa-metragem, que traz em sua essência um formato que vai além do sombrio do Batman, mas que permeia entre um novo conceito de adaptação de história em quadrinhos e do famoso live action.

Você que está lendo essa crítica pode até pensar que live action não tem nada a ver com o filme ou com a sua proposta, mas no momento em que se conhece a história dos dois personagens principais a sua percepção acaba mudando. Não teve um momento do filme em que eu não me sentia uma criança revendo episódios da Liga da Justiça no SBT, ou vendo a série animada do Batman e até mesmo lendo alguma HQ protagonizada pela dupla. Alguns podem achar que estou exagerando, mas para mim é uma das melhores, se não for a melhor, adaptação do gênero para o cinema.

A obra começa novamente contando um pouco do passado de Brucce Wayne, mas de uma forma completamente diferente do que já vimos, tanto nos filmes do Homem Morcego como a que assistimos no piloto de Gotham. A maneira em que a cena foi feita durante o assalto que matou Tom e Martha Wayne foi de arrepiar. Se você reparar com bastante atenção a maneira em que a câmera focava no rosto, nas costas, na arma e os outros elementos que apareceram na cena isso era digno de uma HQ. Se congelasse a imagem e colocasse um efeito de animação só faltariam balões indicando barulhos para transformar a cena em páginas de uma HQ.

Com certeza todos já devem estar cansados de ouvir que Batman vs Superman é uma continuação de Man of Steel, mas o filme acabou sendo mais do Batman do que do Homem de Aço. Fato que é completamente fácil de entender porque nós precisaríamos ser apresentados ao novo Batman e ao novo Bruce Wayne do Universo Cinematográfico da DC Comics. Aliás não há dúvidas de que esse é o melhor Batman do cinema, não vou desmerecer o que Christian Bale fez na trilogia do Cavaleiro das Trevas, até porque eu gostei dele nos filmes, mas Ben Affleck trouxe um Batman mais completo, um Bruce Wayne mais verdadeiro e que faz jus ao novo universo.

Mais velho e mais maduro o Batman e o Bruce Wayne que vimos no longa me lembraram muito o que vi na animação Batman – O Cavaleiro das Trevas (2012), que traz também um confronto entre os dois heróis, onde os motivos da briga são parecidos ou quase iguais. A questão principal é que vimos o vigilante, o herói, o detetive, o rico, o mulherengo, vimos o verdadeiro Batman e o verdadeiro Bruce Wayne. Com isso admito que quero muito ver um filme solo do Batman com o Bem Affleck, o que não é nada impossível.

Imagem: Adoro Cinema
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Para a construção da luta entre os dois maiores heróis da DC Comics foram estabelecidos muitos paradoxos entre cada um deles, principalmente a questão do vigilante/criminoso e a do deus/alienígena. É engraçado como tudo foi proposto e tramado durante o desenvolvimento dos arcos principais, pois ao apresentar o novo Batman todos viram que ele atua apenas durante a noite e acaba sendo um criminoso pelo trabalho que faz. Por outro lado o herói que trabalha a luz do dia é consagrado pelo que faz, mas por ser um alienígena acaba sendo temido por muitos pelo que realmente é capaz de fazer. Esse contra ponto entre um e o outro ficou bem marcado durante a trama e principalmente pelas armações do genial Lex Luthor. O vilão verdadeiro do filme, que agiu por baixo dos panos durante quase toda a história estava sempre um paço a frente do que iria acontecer e teve seus planos executados da maneira que queria.

Antes de falar diretamente de Lex o último paradoxo que foi nitidamente quebrado pela dupla principal foi a questão de um Deus carregando um navio, um homem carregando um pneu e um homem carregando um Deus, acredito que não preciso dar uma explicação quanto a isso. Enfim, o personagem cheio eu tiques e manias interpretado por Jesse Eisenberg foi muito inteligente, superou (na verdade nem podemos comparar) o Lex Luthor de Superman O Retorno, vivido pelo grande Kevin Spacey que na minha opinião estava horrível no filme. O único problema do Lex de Eisenberg é que ele pareceu muitas vezes forçar uma atuação maravilhosa, quando ela não passou de uma atuação realmente muito boa, talvez se tivesse menos exagero durante as loucuras de Luthor o personagem soaria mais natural, diminuindo um pouco mais as matáforas também seria um bom caminho. Mas mesmo com esses pequenos problemas acredito que Jesse Eisenberg conseguiu traduzir muito bem o vilão.

Lois Lane me agradou muito durante o longa fazendo todo o trabalho do verdadeiro jornalismo investigativo, enquanto Bruce e Clark estavam cegos de ódio um do outros (parte disso causado por Luthor). Lois foi capaz de ir ao fundo da história e trazer toda a verdade. Isso faz com que tenhamos que falar da breve visita do Flash no sonho de Bruce Wayne,. Para mim ele se referia ao Lex, por isso falou que Lois era a chave, mas como a cama de gato que Lex tramou para os heróis já estava armada há muito tempo, Bruce acabou achando que ele estava certo sobre o Superman, e deu no que deu. Sobre o Flash, eu não gostei dessa aparição do personagem durante a visão/sonho de Bruce, primeiro que foi algo do nada e por mais que tenha uma boa intenção ao colocar o personagem acredito que se fosse apenas a cena dele na loja de conveniência já estaria de bom tamanho. Para mim o Flash do cinema tem dois problemas: o primeiro é grande porque já temos ele completamente consolidado na TV norte-americana tendo o próprio personagem e seu ator (Grant Gustin) sendo amados pelo público; segundo que o cinema precisará apresentar um novo Flash com um novo ator, o que traz riscos enormes para a reprovação do filme, e outra que não me desce ver o jovem Ezra Miller como Flash, não sei dizer outro ator que poderia fazê-lo, mas ele não fica bem nesse personagem, opinião opinião pessoal.

Imagem: Adoro Cinema
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Continuando esse assunto vimos também um pouco do Aquaman, que é mais um que poderia ter tido uma aparição melhor, como foram poucos segundos dele em tela o efeito que fizeram embaixo d’água poderia ser muito melhor do que ver Jason Momoa nitidamente trancando a respiração e com o cabelo tapando o rosto, fora isso o momento em que ele demonstrou um pouco do seu poder foi muito bom. Acho que essa cena poderia ser trabalhada melhor, mas como fan sercvie todos gostaram. Dentro deste serviço prestado para os fãs as melhoras aparições foram da Mulher Maravilha, no caso sobre a foto em que Bruce manda para ela por email, confirmando que seu filme solo irá se passar quase 100 anos antes de BvS e o Cyborg, que para mim foi a melhor, pois mostrou um pouco da origem dele e deixou a questão no ar: “O que é isso? Ou, quem é isso?”.

Antes da estreia do filme muitos comentários começaram a ser feitos em relação aos trailers terem entregado muito do filme e depois de assistir ao longa acredito que entregaram um pouco sim, mas o mais grave foi que os trailers tiraram um pouco do fator surpresa, principalmente em relação ao Apocalipse. Algumas das lutas do Batman também tiveram menos efeitos de surpresa por causa disso, assim como a aparição da Mulher Maravilha, que deveria ser um momento em que o cinema iria ao delírio pela surpresa. Mas mesmo assim isso não diminuiu a grandiosidade do filme.

Os efeitos visuais foram ótimos, porém algumas cenas me pareceram gráficas de mais. Isso é uma característica do próprio Snyder, que sempre tem trabalhos muitos visuais, assim como foi em Sucker Punch. Esse elemento visual não foi bem feito apenas no efeitos, ele também teve um papel importantíssimo na dramatização de algumas cenas perfeitamente combinadas com uma trilha sonora sensacional. Por exemplo, a cena do Superman na frente da luz do sol naquela enchente com uma família em cima de uma casa, o Batman no porto em cima do guindaste com o vento balançando sua capa e a cena da trindade reunida fazendo a clássica pose de heróis. Essas três cenas que citei também são a prova de que com a imagem congelada e um efeito de animação teríamos partes de uma HQ na nossa frente.

As lutas foram muito bem coreografadas, principalmente as do Batman que foram dignas do Homem Morcego. Um Batman mais velho e sem paciência para ter misericórdia com bandidos, sentimento que foi trabalhado de forma perfeita durante todo o filme. Assim como foi sensacional ele fugindo do Apocalipse, indo de um prédio para o outro.

Resumindo, Batman vs Superman – A Origem da Justiça é um dos melhores filmes que já assisti do gênero, sem sombra de dúvida. Não é um filme perfeito, mas é uma obra grandiosa acessível para todos que assistem, mas que é feito especialmente para os fãs desse universo. Não deixem críticas ruins atrapalharem o seu julgamento sobre esse filme, vá com a mente limpa para assistir e tenha a sua própria opinião porque vale muito a pena assistir.

Superman 2

Considerações finais: Uma das cenas que me surpreendeu muito foi a da explosão no julgamento do Superman, isso foi um ponto positivo no filme. Também tivemos mais um bom Alfred no filme interpretado por Jeremy Irons, ator que gosto muito devido seus trabalhos anteriores, principalmente o da série The Borgias. Gal Gadot estava maravilhosa no filme, a escolha da atriz para o papel de Mulher Maravilha não poderia ser melhor. Lois Lane (Amy Adams) evoluiu muito do primeiro filme do Homem de Aço para Batman vs Superman, a atriz e a personagem estão de parabéns. A última coisa que não gostei no filme foi a maneira como Clark parou o Batman, tudo bem que faz sentido ele ter “caído” ao ouvir o nome Martha, mas me pareceu muito do nada, pois a luta simplesmente acabou e eles já viraram amigos. É interessante analisarmos isso, entendo o motivo, mas não concordo com a maneira como foi executado porque o Superman que conheço de animações e de HQs faria diferente, ele bateria no Batman pedindo para ele parar e explicando o motivo.

Essa foi a crítica do Matinê para o primeiro filme do Universo Cinematográfico da DC Comics, um ótimo filme, grandioso em muitos aspectos e que todos precisam assistir, vale muito a pena, pois saí completamente satisfeito do cinema.

Nota do Filme

 

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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