Crítica | Vizinhos 2

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Imagem: Adoro Cinema
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A sequência da comédia que fez sucesso em 2014 apresenta a mesma premissa de mostrar a “batalha” do casal Mac e Kelly contra uma nova irmandade que habita a casa do lado. Apesar disso, o filme consegue trazer algo novo com a mesma narrativa, mas com uma insanidade muito maior levantando questões morais, sociais e pessoais que vão muito além de um comédia boba e com acontecimentos estranhos.

Vizinhos 2 mostra que a família de Mac e Kelly está aumentando, o casal que já tem Stella, agora crescida, está a espera de mais uma menina e mesmo assim o tesão sexual continua o mesmo (daquele jeito maluco que quem assistiu o primeiro filme já conhece). O desafio agora não é uma fraternidade masculina, com festa esbanjantes, cheias de mulheres, bebidas e muita loucura, típica dos garotos de faculdade que querem mostrar a todos até onde chega a sua masculinidade. O problema agora é com as meninas, ainda mais insanas, mas apesar de apresentarem o mesmo código de “amizade” da Delta Psi, as jovens emergentes da Kappa Nu querem mudar a forma de como as estudantes femininas são vistas na universidade.

É extremamente interessante a forma que o filme aborda, desde o início, a questão das meninas não serem vistas como “minas” e melhor ainda se preocupar em apresentar a seguinte questão: O que sexismo? O que é machismo? Sem se preocupar com o significado literal dos termos – aquele do dicionário -, as meninas da Kappa Nu buscam a todo o momento a sua independência pessoal, as conquista que toda pessoa normal quer na sua vida, que até o momento para elas era um grande tabu. Essa questão do tabu é bem presente durante a trama, ainda mais porque a protagonista e líder da irmandade Shelby, vivida pela encantadora Chlöe Grace Moretz, é uma boa prova disso. A jovem caloura que viveu a sombra dos cuidados excessivo do pai, devido ser a famosa “princesinha do papai“, estava louca para abrir as suas asas, fumar seu baseado a todo momento, ter enfim a sua primeira transa, ganhar o próprio dinheiro e assumir o comando de sua vida.

Imagem: Adoro Cinema
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Agora, se você está achando que o filme mostra um feminismo radicalista com meninas contestando tudo que lhe convém, me desculpe, mas você está muito enganado. Não se trata de feminismo, se trata de acontecimentos que deveriam ser normais na vida de qualquer pessoa, conquistas, sexo, independência pessoal e tudo que é normal na vida de qualquer um. É engraçado que isso que é abordado pelas jovens em torno de seus 20 anos, já está sendo discutido e questionado por Mac (Seth Rogen) e Jimmy (Ike Barinholtz) em um diálogo interessante sobre deixar os meninos “transarem” com a sua filha, ou até mesmo o questionamento do casal principal, que pede para que sua filha não fique igual as vizinhas mesmo sabendo que provavelmente ficará. Fora a dúvida deles sobre serem bons pais ou não, que está presente desde o primeiro longa.

Hoje em dia, quando falamos em comédias no cinema, a maioria das pessoas só sabem falar dos clichês que esses filmes trazem e as suas repetições. Longe disso o filme não apresenta o clichê das comédias atuais, ele cria os seus próprios clichês, ele se torna independente no gênero de comédia cinematográfica. Apesar de trazer suas próprias repetições ele se preocupa em torná-la um membro da história. Quem não lembra do Airbag do primeiro filme? Pois então, eles voltaram, de forma diferente, mas não exatamente repetindo o feito, mas com um significado de mito. Já que existem as famosas armações dos dois lados da batalhas (que em determinado momento o termo “I’m #TeamShelby” é usado, fazendo referência ao termo team que é famoso por causa do The Voice US e pela batalha entre Capitão América e Homem de Ferro) esse Airbag acaba funcionando como elemento de medo, no primeiro momento, mas vira uma solução de emergência no segundo.

As meninas realmente tocaram o terror no filme, protagonizaram cenas muito divertidas e outras com uma bela mensagem. Além disso o filme se desenvolve bem, faz muita referência ao primeiro e consegue ligar todas as pontas da sua história.

Imagem: Adoro Cinema
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O que mais gostei nessa sequência, foi o espaço que deram para as meninas da Kappa Nu, se comparado ao tempo que mostraram a Delta Psi no primeiro longa, isso é um fator muito positivo para a história. Também foi muito legal a preocupação do roteiro de Seth Rogen, Evan Goldberg e Nicholas Stoller em mostrar o que aconteceu com o núcleo principal da fraternidade Delta Psi, mostra que a amizade deles continuou, mesmo que Teddy Sanders (Zac Efron) estivesse meio perdido quanto ao rumo da sua vida. Algo que eu havia notado no primeiro filme em relação ao personagem de Dave Franco, o Pete, foi que o código de “minas antes de caras” ia muito além da amizade. Em alguns momentos pensei que fosse provável que Pete fosse não apenas o melhor amigo de Teddy, mas também que ele fosse homossexual. Mas no filme de 2014 tivemos a cena dele transando com a namorada do Teddy, o que em parte já diminuiria essa chance, porém é em Vizinhos 2 que a confirmação da homossexualidade de Pete vem a tona. Tal fato adiciona pontos muito positivos na história, que mostra parte dos preparativos de um casamento gay e a amizade entre um hétero e um homossexual. O que confirma aquilo que disse sobre abordar assuntos que são tratados como tabu de forma que todos sejam normais e naturais, afinal a sociedade mostrada em Vizinhos 1 e 2 é menos radicalista do que a da realidade, tratando assuntos que são pré julgados na vida real de forma normal.

As atuações do filme continuam no mesmo nível, com o a adição de Chlöe Grace Moretz, que dá ainda mais a qualidade a história. Achei ótima a dramatização dela, as características que a jovem atriz soube colocar em Shelby foram muito além do que se poderia imaginar. A personagem está longe do esteriótipo de chefe de irmandade chata, líder de torcida gostosa e da patricinha megera. Além da jovem estrela o filme promove também outras atrizes emergentes em algumas pontas interessantes. Quem continua muito bem é Seth Rogen e Rose Byrne, que também está em cartaz no filme X-Men: Apocalipse. Ike Barinholtz se destaca por algumas piadas, principalmente na própria sátira que faz se ele é ou não um bom ator.

O diretor Nicholas Stoller entrega mais uma vez um ótimo trabalho, agora em Vizinhos 2 uma comédia que vive em prol de si mesma, foge dos clichês normais para criar os próprios e vive em um universo particular fazendo referências e sátiras a sua própria história. E ainda levanta questões morais, sociais, econômicas, tabus do final da adolescência e o início da vida adulta e mostra o que grandes perguntas que as pessoas fazem para si mesmo em algum momento da vida.

Nota do filme:
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Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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