Imagem: Divulgação/ Warner Pictures
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Mama, A Morte do Demônio (2012), A Entidade A Bruxa são alguns dos recentes filmes de terror que tivemos nos cinemas, mas no caso nenhum deles supriu minhas expectativas e se fez como um grande filme de terror. Com isso, Invocação do Mal 2 chega as telonas com o peso de fazer, novamente, um grande filme, assim como foi o sucesso do primeiro. Mas acaba acontecendo que Invocação do Mal 2 supera as expetativas e se mostra o melhor filme de terror que tivemos nos últimos anos.

A história é ardilosa, pois apresenta uma brincadeira típica de demônios, que mexem com o psicológico, aterrorizam e ao mesmo tempo tiram sarro da sua cara. Digo isso, pois o filme se constrói da melhor forma possível, realmente o roteiro e o desenvolvimento são ótimos. A fotografia é uma mistura do que estamos acostumados a ver em filme de terror com aquele tom vintage (bem de leve) como foi no primeiro filme. Porém, por ter grande parte da história se passando na Inglaterra, ela acaba tendo um ar mais acinzentado, dando uma originalidade muito interessante ao local.

No filme temos atuações sensacionais de Patrick Wilson e Vera Farmiga, apesar de que desta vez o foco teve grande parte em Ed, com Lorraine ficando um pouco fora de vista em alguns momentos do filme. Foi muito legal conhecer mais da rotina do casal, saber como eles são dentro de casa, como é a relação deles dentro de quatro paredes e a forma como convivem e criam a sua filha. Esse momento, para mim, foi de muita importância, pois fica muito claro que um dia a filha de Ed e Lorraine pode seguir seus passos em uma continuidade da franquia.

Ed e Lorraine
Imagem: Divulgação/ Warner Pictures

Assim como se mostrou durante o primeiro longa, Lorraine está chegando ao seu limite, pois ela sente medo do que possa acontecer, e foi ótimo o filme apresentar a preocupação dela, que está ciente de que mesmo fazendo o bem , algo de ruim pode acontecer. E trazer esse tipo de percepção para a personagem, da maneira reflexiva como foi no momento da cena, é muito bom e mostra a preocupação em enriquecer o roteiro.

 

 

Uma casa que estava sendo assombrada em Enfield, por um espirito velho e de certa forma “manhoso”, rancoroso e ranzinza. Através desses acontecimentos Ed e Lorraine são convocados para verificar se existe algo de sobrenatural na casa. O interessante da construção, além de exaltar um clima extremamente tenso e pesado, é que a contextualização midiática na época (pela notoriedade do caso), junto com as pessoas que queriam provar que aquilo era uma farsa, são completamente fascinantes. Tudo o que James Wan fez nesse sentido ficou muito bom mesmo, pois foi um contraponto perfeito para Ed e Lorraine, que tentavam provar que tínhamos uma presença demoníaca no local, enquanto outros tentavam de tudo para mostrar que era tudo mentira.

Apesar disso, o que mais gostei foi a trama paralela do filme, que envolvia Lorraine e uma assombração que vem a tempos em seus pensamentos e sonhos. A junção dos dois fios condutores da história, mesmo sendo feita de uma forma um pouco comum, foi sensacional porque eu realmente adoro histórias que tenham algo a mais para ser mostrado, principalmente com uma virada inteligente, onde juntam-se as peças e aí sim todas elas fazem sentido.

Imagem: Divulgação/ Warner Pictures
Imagem: Divulgação/ Warner Pictures

O clima do filme é sensacional, com um pouco mais de duas horas de duração ele tinha a grande necessidade de construir sua trama de forma que prenda completamente o espectador na cadeira, e comigo isso funcionou muito bem. O filme sabe fazer o terror e o horror, com um clima de muita tensão, com efeitos bons visuais e com o tom certo em cada cena. Lógico que ele não sustenta esse terror “direto e reto”, ele divide isso muito bem, para o filme contar bem sua história e trazer momentos de leveza, cumplicidade e esperança, que caem perfeitamente no meio de todos os acontecimentos.

Apesar de todos esses elogios, Invocação do Mal 2 pecou em um sentido: ser fantasioso de mais. Um terror como este, mesmo sendo baseado em fatos reais, tem elementos fantasiosos quando falamos da personificação dos espíritos/demônios. A construção do velho ficou bem, assim como a do outro demônio, porém você não precisa fazer com que eles mecham a boca ou sejam expressivos de mais, eles são apenas espectros e não precisam ter movimentos bocais para ouvir o que eles tem a dizer. Mesmo assim gostei da imagem desses dois. Por fim, existe um tal “homem torto” na história, que quando é posto em “realidade” fica muito ruim, me desagradou muito esse toque que deram na história, e foi aí que não gostei desse lado fantasioso do filme.

Antes de terminar… é interessante que o filme já havia “ensinado” que podemos identificar alguns elementos que comprovam a presença sobrenatural no ambiente, como as batidas, que vêm de três em três. Com isso ele testa o seu próprio público para ver se aprendemos a reconhecer esses elementos. Esse foi um ponto muito positivo, que por ser um detalhe interessante, me agradou muito. E a atuação da jovem Madison Wolfe, Janet, está sensacional, a menina que esteve em Joy: O Nome do Sucesso teve uma atuação muito boa, praticamente roubou a cena.

Mesmo com esse pequeno problema (pelo menos para mim foi o único que realmente incomodou), Invocação do Mal 2 é o filme de terror que eu queria assistir a muito tempo, realmente é o melhor do gênero nos últimos anos. A direção de James Wan está impecável, junto com o roteiro assinado por ele, Carey Hayes & Chad Hayes e David Leslie Johnson. Em si toda a equipe que está atrás e na frente das câmeras está de parabéns. O filme é realmente imperdível, e recomendo a todos a assistirem.

OBS.: Quem quiser ver as fotos verdadeiras do caso e pesquisar mais sobre ele depois do filme, é só procurar por Enfield Poltergeist.

Nota do autor para o filme:

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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.