Imagem: Divulgação/ Warner Bros. Pictures
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Todos os anos nós temos um “Como Eu Era Antes de Você” ou um “A Culta é das Estras“, tal estilo de filme já não é novidade há um bom tempo. O bom é que o filme em questão não é ruim, não é apelativo, não tem a melosidade teen, que acaba enjoando qualquer história, assim como fez em A Culpa é das Estrelas. Como Eu Era Antes de Você é um bom filme, mas nada além disso.

Hoje em dia são poucas as novidades criativas no cinema e na televisão, vivemos em tempos de adaptações de livros e histórias em quadrinhos que caem do céu a todo o momento, e esse filme é mais uma delas. Foi completamente certo colocar a criadora da história original, Jojo Moyes, como roteirista do longa. Aliás, teria alguém melhor do que ela para contar essa história? Não! Ninguém poderia trabalhar melhor a história do que Moyes, até porque ela que escreveu o livro de mesmo nome. Mas acredito que a história assistida no filme não tenha a mesma intensidade do que o livro, com certeza a obra literária deve ser mais emocionante do que a cinematográfica.

Apesar disso Emilia Clarke e Sam Claflin apresentam uma química muito boa, que se desenvolve e cresce durante o envolvimento de seus personagens. Emilia Clarke é o ponto a se destacar do filme todo, a personagem ajudou bastante por causa de sua personalidade e tudo mais, mas a atuação de Clarke está ótima. Claflin fica um pouco atrás, mas tenho que reconhecer a sua interpretação, pois não é fácil viver uma pessoa tetraplégica, mas o personagem em si estava bem. Porém, em vários momentos faltou um pouco de intensidade na maneira de demonstrar as emoções.

A apresentação dos protagonistas é correta, simples e extremamente direta, sem nenhum tipo de rodeio nós já podemos ver de cara o acidente, somos apresentados a Louise e em pouco tempo já temos ela trabalhando na casa dos Traynor. O desenvolvimento de toda a história é bom, o filme é como uma esfera, entrega aquilo que estamos vendo e acaba sendo bom naquilo que se propõe a fazer. O problema é ver que a história poderia ser mais intensa em vários momentos. Assim como trazer grande simplicidade para o filme foi bom, essa mesma simplicidade impediu que Como Eu Era Antes de Você se torna-se um pouco mais emotivo e dessa forma o filme teve um tom muito normal durante toda a sua história.

Imagem: Divulgação/ Warner Bros. Pictures
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Existem os famosos clichês (que eu acho chato falar sobre isso em muitas críticas, mas são verdades), que também estão presentes nesse filme, e assim como em Invocação do Mal 2 tivemos clichês de terror muito bem trabalhados, em Como Eu Era Antes de Você eles são usados da maneira correta. Outro ponto é que de uns tempos para cá foi mudado o esteriótipo de que todo o romance deve ter um “felizes para sempre“, com o casal apaixonado fincando juntos e felizes pela eternidade. Não é o que acontece, pois viu-se algo bem diferente, mas que no fim acabou sendo feliz para quem pôde. (Em si o final é bem morno, trás uma carga emotiva muito boa em determinado momento, mas levantou para mim a seguinte questão: “Só isso?“).

O que mais gostei no filme, algo que sempre prezo muito, é a questão da mensagem que a história tenta passar. Mas no caso não é bem diferente, com isso quero dizer que tudo aquilo que me faz refletir dentro da história me agrada muito, e apesar da trama ser previsível do início ao fim, William Traynor (Sam Claflin) levanta questões muito boas sobre objetivo, motivação, esperança, vida e o mais importante de todos: aceitação. O destino de William é traçado por ele mesmo, o personagem tomou a sua decisão por ser o que achava certo. A questão não era uma simples depressão e sim uma enorme desilusão. Depois de ficar tetraplégico ele tentou faze de tudo para que voltasse a sua vida como ela era antes, mas enquanto seu coração e cérebro se enchiam de esperança, o corpo dele provava que isso não seria possível. Não aceitando essa condição o personagem tinha um grande dilema, que era continuar sua vida em um “novo” eu, ou deixar o seu verdadeira (ou que ele acreditava que era o verdadeiro) eu como a única parte da sua história que as pessoas irão lembrar.

Imagem: Divulgação/ Warner Bros. Pictures
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O filme funciona bem em muitos quesitos, fica devendo na intensidade dos sentimentos, traz boas atuações de acordo com o espaço que cada personagem teve no filme. Revela uma Emilia Clarke que eu ainda não conhecia, pois em nenhum momento olhei para a atriz/personagem e pensei em Daenerys de Game of Thrones. Como eu já havia dito: Como Eu Era Antes de Você é um bom filme, mas nada além disso, pois poderia ser mais emotivo, mais profundo, mesmo assim continuaria sendo simples e humano sem perder a essência de sua história. Lógico que em si a história dos dois, a construção de um envolvimento entre ambos, é muito bonita, ainda mais com o verdadeiro drama da história, que tem sua força, mas ,como eu disse várias vezes no texto, não tem a intensidade que deveria.

Como Eu Era Antes de Você se compromete a trazer uma história bonita, um bom elenco, boas atuações, leveza, simplicidade, objetividade e humanidade na maneira como conta sua história e consegue trazer tudo isso. Uma pena que todo esse lado emocional, que deveria ficar mais evidente, acabou sendo muito simples e ficou de acordo com o filme.

Nota do autor para o filme:

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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.