Crítica | ‘Um Espião e Meio’ tentou, mas não acertou o tiro

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
Imagem: Divulgação/ Universal Pictures
Imagem: Divulgação/ Universal Pictures

A nova comédia de Dwayne Johnson (The Rock) e Kevin Hart, mistura ação e humor, (assim como o recente sucesso de crítica Dois Caras Legais), mas o resultado não foi o esperado. A todo momento o longa tentava se construir na base de outros sucessos, com pouca originalidade e muito clichê.

Imagine o melhor espião da CIA, um cara a nível Jason Bourne, Jack Bauer, entre outros nomes da ação. O personagem de Dwayne Johnson tinha tudo para fazer o filme ser ótimo, mas o problema do enjoativo Bob Stone – antes gordinho que era “bulinado” no colegial – tinha um grande problema: o cara não acertava um tiro.

Bob (Johnson) não chega a ser ruim, mas a personalidade dele incomoda bastante ao longo do filme, você não sabe se é assim, se está fingindo ou se ficou meio lesado com o passar do tempo. O que foi bacana é que mesmo mudando completamente, o visual, Bob ainda carrega o trauma do fim do ensino médio quando ainda era mais fofinho e foi jogado, nu, na frente de toda a escola. Apesar de desenvolver bem isso durante a história, a conclusão do assunto foi um tanto quanto bizarra. O personagem nunca mais ficou nu na frente de ninguém, nem naquelas horas, mas na reunião da turma de 96, Bob só precisou ficar pelado e reencontrar seu crush do colegial para superar o problema.

Imagem: Divulgação/ Universal Pictures
Imagem: Divulgação/ Universal Pictures

A história é bem básica, e um tanto confusa, temos cenas engraçadas, mas a maioria das piadas não funciona como deveria, ainda mais por causa de Kevin Hart e sua louca tentativa de ser Ed Murphy, gritando, fazendo caretas e tudo mais. Pode até ser uma inspiração (Murphy) para ele, mas na prática parece com uma imitação, o que faz Calvin perder o carisma. Mas assim como Bob, ele carrega uma carga emocional interessante. Calvin era considerado o aluno prodígio do ensino médio, aquele que teria o melhor futuro, a vida mais bem sucedida. A realidade dele, 20 anos depois, é que se tornou apenas um  contador de uma empresa que tem um macaco inflável gigante na entrada, e como se não fosse ruim o bastante, Calvin ainda vive a sombra do seu antigo estagiário, promovido a um cargo melhor que o dele.

As cenas de ação até tem uma boa coreografia, mas muitas vezes temos soluções bem bizarras, que lembram as de Chuck Norris, mas nem podemos comparar. Fato é que a ação do longa perde a credibilidade quando o melhor espião de CIA não é capaz de acertar um tiro nos seus inimigos, e mesmo quando tem a oportunidade de mostrar que é realmente bom, a bala pega de raspão. O longa ainda tem a participação de Aaron Paul (Breaking Bad) como o agente duplo Phil, e é por causa dele que a história fica muito confusa, poderia ter uma explicação bem simples, mas acabam explicando, explicando e explicando mais ainda até dar um nó na sua cabeça. Se fosse mais simplificado, as explicações, ficaria tudo mais claro para quem assiste e para o protagonista Calvin, que passou a maior parte do filme perdido no roteiro.

Um Espião e Meio prometeu algo bom, mas a sua tentativa foi mais frustada do que o próprio ‘Férias Frustadas‘, foi quase que unir O Professor Aloprad0 (por causa da incansável tentativa de Kevin Hart em imitar Ed Murphy) com As Branquelas, que é muito melhor, tanto em ação como em comédia. Aliás, em na comédia dos irmãos Wayans, os personagens conseguem acertar os tiros.

Nota do autor para o filme:
Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid's Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

Você também pode gostar