Imagem: Copyright Warner Bros.
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Lights Out (AKA: Quando as Luzes se Apagam), em inglês, é inspirado em um curta-metragem de mesmo nome, onde o conceito é mexer com a cabeça das pessoas e brincar com o do medo que todos nós tínhamos do escuro quando éramos pequenos. O curta trabalha muito bem a ideia do há nas sombras, mas o filme tenta usar isso e acaba desconstruindo o conceito e criando uma grande confusão.

Hoje em dia, com raras exceções (Invocação do Mal), o terror nos cinemas é muito básico, traz temas “diferentes”, mas que acabam sendo sempre mais do mesmo. Tenho que reconhecer que a construção do longa é muito boa, a ideia é sensacional, mas como todo o bom filme de terror na atual normalidade Quando as Luzes se Apagam é quase que uma dissertação. Ao invés de ser introdução, desenvolvimento e conclusão ele começa bem, fica interessante e no fim desanda a maionese.

Sim, isso mesmo, quando temos que ter a explicação de toda a história ela se torna horrível. Infelizmente, pois o filme tinha tudo para dar certo. Primeiro que James Wan é o produtor, julgo ele como um dos melhores diretores da atualidade. Por mais que o longa marque a estreia de David F. Sandberg como diretor, fora dos curtas, e ter alguém como James Wan ao lado para trabalhar é simplesmente sensacional. Tanto que a nível de filmagem e montagem o filme está ótimo, e é notável que a produção foi assinada por Wan, pois a assinatura do enquadramento dele está muito presente no filme. Sabe a relação do mestre com o pupilo? Parece que foi assim que o filme foi feito.

Quando as Luzes se Apagam 02
Imagem: Copyright Warner Bros.

A protagonista do filme, Rebecca (Teresa Palmer) funciona bem, mas a maioria dos personagens começa bem, ficam enjoativos  e alguns terminam bem principalmente Martin, a criança do filme, pois quando ele tinha cenas de “medo” para fazer, a expressão facial mostrava que ele estava com raiva e isso incomoda de mais durante a história. As motivações de cada um por suas ações ao desenvolver da trama ficam claras, mas nem todas são conexas com o filme. Ainda mais Bret (projeto de Chris D’Elia) que fica totalmente solto na história, a gente sabe que ele está ali, mas quem se importa?! E só para completar ele protagoniza uma das cenas mais bizarras do filme, ou no caso mais engraçada.

Assim como a maioria dos longas, Quando as Luzes se Apagam dá bons sustos, tem cenas de tensão muito boas, mas devido a certos acontecimentos (por causa da explicação da trama, ou do motivo pelo qual o “fenômeno” está acontecendo), o filme vai perdendo a credibilidade e assim perde, também, a seriedade. É chato isso, pois a premissa de brincar com o medo que nós temos do escuro vai sendo completamente descaracterizada durante todo o filme. No começo, principalmente na sequência inicial (antes da abertura da história), Quando as Luzes se Apagam faz jus ao curta-metragem que o originou e mostra um enredo muito promissor. Mas parece que começamos com tudo e ao decorrer da caminhada vamos perdendo ritmo, forças e  o fôlego.

Imagem: Copyright Warner Bros.
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Por fim, e no fim, Quando as Luzes se Apagam fica apenas como uma proposta interessante, apresenta grande potencial, mas no momento em que a proposta é descaracterizada o longa vai perdendo a força e a própria credibilidade como já falei, tanto que de um certo ponto para o fim temos acontecimentos engraçados na história. Mesmo com a maionese desandando, nem tudo foi um desastre para a história e para o seu diretor. É uma trama com potencial para continuação, mas a “motivação” do fato, a explicação para aquilo que está acontecendo, precisa ser plausível. Você tem o medo do escuro, tem a construção do mito do bicho papão, uma assombração do passado, mas no fim tudo que aconteceu é fruto da cabeça de uma pessoa, que claramente é esquizofrênica. Entende o quão eloquente é isso? O quão desconexo com a real proposta do filme isso é?

Esse é o problema de Quando as Luzes se Apagam, tinha tudo para dar certo e ser diferente, mas acabou sendo normal como quase todos os outros.

 

Nota do autor para o filme:

[yasr_overall_rating size=”medium”]

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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.