Imagem: Divulgação/ Paris Filmes
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Em tempos onde novas ideias são realmente escassas no cinema, a grande sacada dos diretores e roteiristas atuais é recorrer a fórmulas antigas para conquistar o público atual. Bruxa de Blair, que veio repentinamente – sendo anunciado apenas durante a San Diego Comic-Con – usa e abusa em ser um filme de baixo custo tentando o alto rendimento financeiro, mas a nível cinematográfico a divida de Adam Wingard (V/H/S) é bem alta com o longa.

Hoje em dia é muito barato fazer um filme de terror, muitos tem um orçamento de US$ 10 milhões, com um rendimento dez vezes maior. Sendo assim, o sucesso de Bruxa de Blair é praticamente garantido. Ainda mais que sua censura é de apenas 12 anos, ou seja, um convite para o público jovem que adora sair da escola e ir direto ao cinema para assistir algo, teoricamente, conspiratório. A história até faz jus, sim, ao seu original, lá de 1999. Mas é preciso ressaltar que o que funcionou no passado, não, necessariamente, irá funcionar no futuro – ou no presente, neste caso -.

A década de 1990 tem uma, de várias, marca registrada, que são filme com um “teor” conspiratório. Com isso quero dizer que as teorias da conspiração ganharam muita força na época, sejam elas boatos populares ou não, mas fato é que em 1999 um filme como Bruxa de Blair caiu como uma luva para a discussão “é verdade? Será que isso aconteceu mesmo? Existe?“, assim como o Chupa-Cabra que está voando as tranças até hoje. Todos esses questionamentos se devem ao formato aderido pelo longa, seja o antigo, como também o novo.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes
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A filmagem, estilo caseira, ou se preferir em REC, é fácil de fazer, de dirigir e de fazer as pessoas acreditarem que aquilo é mesmo real, naquela época do primeiro filme, é claro. Hoje serve apenas como entretenimento, mas como já afirmei o grande público provavelmente irá abraçar a “causa” da bruxa. Esse reboot, disfarçado de remake, que tenta se esconder atrás de um pretexto, fraquíssimo, de uma continuação é falho, se desenvolve na base de gritos e muita chacoalhação. Os sustos não são baseados em acontecimentos, mas sim na forma em que cada personagem entra em contato com o outro, parecendo mais um bando de loucos do que jovens perdidos em uma floresta.

Tudo acontece a noite, o que dificulta ainda mais a qualidade das filmagens. Se o antigo apostou em uma fórmula de suspense mais inteligente na luz do sol, esse, por sinal, foi muito mais eloquente e quis brincar com conceitos primários do terror, já que os espíritos só se manifestam a noite. Mas é possível fazer a seguinte reflexão: é só a bruxa que “assombra” os jovens? Acredito que não, para mim a Mãe Natureza também quis entrar na brincadeira de bicho papão, pois a assombração da velha foi pouca, em relação aos desastres naturais que foram tidos como sobrenaturais.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes
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Talvez seja esse o grande problema de Bruxa de Blair. O longa tem a proposta, mesmo que ficcional, de fazer você acreditar que um grupo de jovens foi para uma floresta por causa das falsas esperanças de James, irmão da Heather (protagonista original), que ao ver as gravações, que foram achadas na floresta, achou que a irmã pudesse estar viva. Com isso ele e seus amiguinhos partem na jornada de tentar achar a tal casa onde Heather foi vista na gravação e assim descobrir se a moça está viva ou não. Até aí, beleza, mas a intenção é fazer disso uma história real, fazer você acreditar que aquelas gravações aconteceram de verdade. Para isso você precisa de um elenco desconhecido, mas convincente já que a ideia é gastar pouco dinheiro com a produção. E se tem algo que Brandon Scott (Peter), Callie Hernandez (Lisa), Valorie Curry (Talia), James Allen McCune (James), Corbin Reid (Ashley) e Wes Robinson (Lane) não são é convincentes. Em nenhum momento você sente realmente o drama das pessoas que estão ali, em nenhum momento passou pela minha cabeça acreditar naquela história.

Mesmo que seja um longa de baixo orçamento, é básico, pelo menos para mim, você ter o mínimo de empatia com os personagens, e neste caso o mínimo seria teorizar se aquilo ali é realmente verdade ou não. Mas nada disso acontece. O filme tem alguns bons conceitos de criação, mesmo que a maioria deles não me agradam – na verdade todos esses conceitos são prejudicados pela filmagem barata, feita em REC, que nunca me agradou, nem mesmo em Atividade Paranormal -. Ressalto, mesmo que antes tenha colocado defeito na escuridão, que o conceito de unir a sombra com o desconhecido é bem inteligente, mas não trás nenhuma novidade para este subgênero de terror, que está completamente desgastado.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes
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São poucas as cenas que são realmente assustadoras, aliás você fica procurando-as por todo o filme, que não consegue sustentar tanto a sua tensão, e ao mesmo tempo que tenta fazer você acreditar ele ainda se preocupa em se desmentir. Um conceito um tanto contraditório, mas que funciona, seja ele intencional ou não, para fazer um contraste interessante, até certo ponto. No fim, os tais sustos, se salvam por causa da bendita casa mal assombrada, que tem um visual imponente e que consegue fazer você acreditar e pensar, “agora vai“. As cenas dentro da residência da senhora, ou bruxa se preferir, funcionam muito bem, pois é nesse momento que Adam Wingard consegue resgatar a essência do terror dentro do subgênero do filme, e é exclusivamente nesse momento que medo, tensão e apreensão se unem para tentar salva a pele da Bruxa de Blair.

Com alguns méritos, bem poucos para falar a verdade, Bruxa de Blair se resume em uma motivação fraca de um só personagem, com outros interesses que servem apenas de pretexto para que toda a história aconteça e a falta de credibilidade da trama ao longo do filme acabam comprometendo o longa, que promete estourar seus ouvidos e embaralhar os seus olhos. Mais uma vez reforço que Bruxa de Blair tem tudo para dar certo com o grande público, pelas suas vantagens, que falei no início da crítica, principalmente pela baixa censura que tem. Por fim o reboot, remake e continuação não convence como deveria, fica devendo no principal, e entra para mais um terror “mais do mesmo” de 2016, mostrando que este subgênero precisa de um descanso temporário e de alguém capaz de realizar uma renovação, ou revitalização.

 

Nota do autor para o filme:

[yasr_overall_rating size=”medium”]

 

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