Crítica | Longa argentino ‘No Fim do Túnel’ entrega uma trama consistente

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Há quem diga que o cinema argentino é melhor que o brasileiro, mas também existem controvérsias. Os longas feitos pelos hermanos tem boa qualidade, mas tenho certeza que os ruins não chegam a sair do país. Sendo assim, nós temos a sorte de que os bons filmes argentinos chegam aqui no Brasil, e os ruins ficam por lá mesmo.

Al Final Del Tunel (No Fim do Túnel, no Brasil) é uma história típica dos argentinos pela forma como se desenvolve. Traz uma trama arrastada, mas que tem qualidade o suficiente para prender a atenção sem se tornar cansativa. Leonardo Sbaraglia (Relatos Selvagens) interpreta Joaquín, que após sofrer um grave acidente de carro perdeu os movimentos das pernas. Ele vive enclausurado dentro de casa, consertando computadores ao lado do cachorro que não caminha mais – por causa da velhice. Com contas a pagar, Joaquín, decide alugar o quarto de cima, já que não pode mais subir ao segundo andar de sua casa. Com a chegada da nova inquilina, Berta (Clara Lago) e sua filha Betty, a história começa a se desenvolver e sentimentos florescem no protagonista, mas Berta é namorada de um ladrão de bancos, que está construindo um túnel que passa por baixo da casa de Joaquín para roubar o banco da esquina.

Iniciando-se de forma descompromissada, a trama amarrada de No Fim do Túnel vai se completando ao longo do filme. Quanto mais o tempo vai passando, mais você se vê querendo saber mais sobre a história. O roteiro chama a atenção por não perder tempo em explicar quem é quem dentro da história. Pequenos acontecimentos isolados (de forma proposital) deixam subentendido o que aconteceu no passado de cada um, não é nada explicado, mas tudo que você precisa saber sobre cada um deles é mostrado para o público. Basta fazer um pequeno esforço para compreender o que aconteceu no passada deles (personagens).

A forma como Joaquín descobre o plano da gangue de roubar o banco, do túnel que passa por baixo de sua casa e o envolvimento de Berta com Galereto (Pablo Echarri) é muito natural. É, na verdade, uma sucessão de acontecimentos coerentes e todos aparecem semelhantes à realidade – não é usado nenhum artifício mirabolante para fazer os personagens se interlaçarem, os fatos apenas acontecem. Usando apenas inteligência e conhecimento, Joaquín se torna um agente/espião e usando engenhocas caseira começa a desenvolver o seu plano de roubar os ladrões – parece redundante, mas são fatos que deixam a história muito atraente, pois você tem um personagem que vive isolado, depois de perder a mulher e a filha é visível a sua depressão (superada com a solidão e a ajuda do cachorro), mas que em nenhum momento se limita ou perde tempo lamentando sobre sua vida. A personalidade do protagonista já está desenvolvida, o longa é econômico e correto ao preferir personagens sólidos do que ter que desenvolvê-los ao longo da trama.

As virtudes mais interessante de bons dramas e suspense policiais argentinos estão presentes no longa. Ele se faz útil a ele mesmo, sabe se aproveitar e ligar todas as pontas de sua história. O fim parece ser esticado, mas um plot twist inteligente e inesperado faz com que ele volte a ficar interessante. Apesar de recuperar a sua derrapada, tudo foi em vão e o mais simples, que já havia sido cogitado em outro momento da história, acontece no fechamento de No Fim do Túnel.

Avaliação
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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

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