Crítica | ‘Kubo e as Cordas Mágicas’ acerta nas soluções simples

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Imagem: Divulgação/ Universal Pictures
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A nova animação em Stopmotion da Laika (uma das pouquíssimas produtoras especializadas neste tipo de animação) traz uma história visivelmente simples, mas com um subtexto culturalmente rico. A história do jovem Kubo (Art Perkinson), que começa a descobrir mais sobre o seu passado e se vê sendo perseguido por uma figura demoníaca, acaba sendo forçado em partir em uma aventura. Na sua busca o garoto – acompanhado de uma Macaca (Charlize Theron) e um Besouro Samurai  (Matthew McConaughey) – precisa encontrar uma lendária armadura, que era o principal tema das histórias contadas por sua mãe.

Kubo é uma história bastante simples, traça muito bem a construção de um pequeno herói infantil, relembrando as histórias épicas que as crianças gostam de ouvir antes de dormir. Cheia de aventuras, a animação vai se conduzindo de forma leve e com um subtexto muito interessante. A história começa em uma pequena vila japonesa, e com o desenvolvimento da trama vai abrindo espaço para novos cenários, mas tudo com a riqueza oriental. O fato dos personagens serem japoneses traz um tom bastante diferente para a história.

A narrativa épica parece comum em um primeiro momento, mas vai ganhando proporções diferentes, cheia de conceitos que aderem bastante a mitologia japonesa. Sendo assim, Kubo e as Cordas Mágicas, mesmo com uma história simples, traz um diferencial importante: foge da comum apelação sentimental de blockbusters animados (como Pets – A Vida Secreta dos Bichos que usa uma fórmula pronta para fazer sucesso entre as crianças). Além disso a animação em stopmotion serve muito bem para o público infantil, mas cabe também para os adultos com um ar de nostalgia.

A musicalidade é belíssima, está de acordo com a cultura japonesa e desempenha um papel importante para o desenvolvimento da aventura, pois faz parte da composição do personagem principal. Os poderes mágicos de Kubo ficam mal explicados na trama. Há momentos em que os poderes saem dele, mas é completamente duvidoso porque a história demonstra que sua palheta e as cordas do instrumento musical também possuem magia. Faltou apenas deixar um pouco mais claro este pequeno detalhe, já que a origem do personagem não é explorada e sim contada para completar as motivações da busca do garoto pela armadura dourada.

Imagem: Divulgação/ Universal Pictures
Imagem: Divulgação/ Universal Pictures

Kubo e as Cordas Mágicas foi marcado por desafios, demorou muito tempo para ficar pronto e marcou a estreia do atual presidente da Laika, Travis Knight, na direção de um longa-metragem de animação. Knight já havia produzido Os Boxtrolls (2014) e ParaNormam (2012), e sua estreia mostra que ele realmente entende sobre o assunto e exalta grande sensibilidade ao contar a ótima história escrita por Marc Haimes e Chris Butler. Dario Marianelli, que assina a composição sonora, faz um trabalho maravilhoso com a trilha sonora do filme.

Kubo e as Cordas Mágicas se aceita e se contenta com a simplicidade. Isso é o grande acerto de Travis Knight, que soube usar muito bem essa humildade, conseguindo entregar uma história encantadora – o uso do origami esbanjou uma originalidade ótima na história, que assume muito bem os principais elementos da cultura japonesa, e explora de forma leve os conceitos da vida e da morte, mostrando o impacto que cada um tem na vida do seu jovem e maduro protagonista.

Avaliação

Legenda: 1 estrela: horrível/ 2 estrelas: ruim/ 3 estrelas: bom/ 4 estrelas: muito bom/ 5 estrelas: excelente

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

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