Divulgação/ Paris Filmes
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Filmes com abordagem política, social e com caráter idealístico forte precisam ser cuidadosos. Um Estado de Liberdade traz Newton Knight (Matthew McConaughey), um fazendeiro que serve como enfermeiro na Guerra Civil Americana. Após presenciar a morte do sobrinho, Newton decide desertar do serviço militar e defender as “minorias” de sua terra, assim batendo de frente com os cobradores de impostos e rebelando-se contra a Confederação.

O personagem é forte, mas em nenhum momento realmente convence. O longa de Gary Ross (Jogos Vorazes e Quero Ser Grande) é extremamente confuso em sua narrativa. Ao ser baseado em contos reais o longa não soube criar uma história lapidada e que tivesse uma narrativa mais objetiva, focada na luta contra a secessão e o racismo.  Ao invés disso, Um Estado de Liberdade tenta ser dividir em três atos com muita confusão em sua narrativa, mas ela quebra totalmente o ritmo da história.

O filme é composto por várias contos, e o diretor deixa claro quando estes contos começam e terminam no longa. Cada personagem, dependendo de sua importância, possui um arco a ser desenvolvido, mas nem sempre o efeito é positivo para a história. Tratando de assuntos sérios a fotografia, inicialmente simples e encantadora, torna-se apática no fim, acompanhando a dramatização dos personagens. Assim como o ritmo inicial vai ficando cansativo demais em não querer aprofundar melhor os seus objetivos e não dá a intensidade necessária para o tema da história.

Os personagens são fracos e não têm a devida profundidade. Alguns, como Moses (Mahershala Ali, o vilão Cottonmouth da série Marvel’s Luke Cage da Netflix) possuem camadas interessantes, mas pela abordagem ruim do filme ao roteiro, que poderia ser muito melhor, o personagem acaba sendo prejudicado. Assim como o talento da ótima Keri Russell. A atriz vêm se destacando em seu papel na série The Americans, como Elizabeth Jennings, mas no longa em questão sua personagem tem um arco bastante interessante que acaba sendo suprimido e esquecido por boa parte da história.

A reflexão transmitida por Um Estado de Liberdade é totalmente válida, mas poderia ser muito melhor. A proposta do filme é correta, porém os elementos usados em sua construção estão errados e o próprio diretor desperdiça o potencial de sua obra. Nem mesmo o vencedor do Oscar de Melhor Ator em 2014, Matthew McConaughey (por Clube de Compras Dallas), consegue salvar o filme.

Avaliação

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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.