Júlia Lemmertz no filme Pequeno Segredo
Imagem: Reprodução/AdoroCinema

No último dia 10 de novembro o filme Pequeno Segredo, que representa o Brasil na corrida pelo Oscar, estreou nos cinemas brasileiros. O Matinê Cine&TV esteve presente na pré-estreia do longa em Porto Alegre, e na ocasião entrevistamos a atriz e protagonista do filme, Júlia Lemmertz – que interpreta Heloisa Schürmann.

Confira:

Como foi para você interpretar uma personagem “real” no filme?

Júlia: Foi bem complicado porque você tem que ter muito cuidado, muito respeito e tentar se aprofundar ao máximo, não na questão de fora, mas no interior dela. Como ela (Heloisa) é por dentro, como são os pensamentos dela, os sentimentos e tudo mais. Então é muito intenso, é muito bonito o processo (de criação da personagem) e muito delicado também.

Você sentiu alguma pressão em relação a isso?

Júlia: Em todo trabalho que começamos a gente se coloca uma pressão para fazer aquele trabalho direito. Seja ele qual for, seja ele real ou uma história de ficção. Todo o trabalho tem um processo de você se apropriar daquele texto, daquela história, ver como você vai poder fazer aquilo. Eu também tive muito contato com a Mariana (Kat), a gente teve um trabalho de preparação muito intenso porque foi o primeiro filme dela. Era muito delicado ela compreender essa história como dela, então foram várias camadas até chegar num lugar. E quando fomos filmar a gente já tinha uma compreensão bastante forte quanto a isso.

O elenco deu algum palpite para um encaixe melhor no roteiro durante as gravações?

Júlia: A gente não mudou nada, isso ficou mais para o diretor (David Schürmann), mas é claro que eventualmente em alguma cena uma palavra que ficasse mais confortável você muda ali na hora, mas a gente seguiu bem o roteiro mesmo.

Quando você recebeu o convite para o filme, leu o roteiro pela primeira vez e soube da história, como foi a sua reação?

Júlia: Eu fiquei muito comovida porque eu li junto com o livro também (Pequeno Segredo – A Lição de Vida de Kat Para a Família Schürmann). Na época a Heloisa estava lançando o livro e eu fiquei passada com a história porque conheci a família, já tinha visto o documentário deles, tinha visto a Kat pequenininha e não suspeitava que essa história fosse desse jeito. Então eu achei um ato de coragem ela (Heloisa) expor essa história, pois ela não escreveu o livro para ser realmente um livro. Ela mesmo disse que escreveu como uma terapia pra poder colocar no papel a dor que ela estava sentindo da perda da Kat e as lembranças de tudo que elas passaram juntas. Então foi uma coisa bem forte, eu fiquei feliz de ter recebido esse roteiro e a possibilidade de fazer o filme.

No filme há um diálogo com a avó da Kat, Barbara, no quarto e você (personagem) fala a ela que você “vive duas vidas, a sua e a da sua filha”. Como é passar toda a magnitude desse drama de uma forma simples, que não se tornasse um melodrama?

Júlia: Tivemos todo o cuidado para que não virasse uma melodrama. Já é dramática por si só uma história real e o David (diretor) sempre teve muito cuidado para que não ficasse super dramático. Na verdade ele sempre falava que a Heloisa nunca tinha uma atitude de pena da Kat ou de pena de si mesma por estar passando por aquilo e enfrentar a situação. E a Barbara, que era mãe do Robert e avó da Kat, foi uma pessoa bem difícil que causou alguns problemas para eles (Vilfredo e Heloisa), mas aos poucos eles foram ficando amigos e aquela cena é bem real mesmo, aquele diálogo realmente aconteceu.

Como foi explorar, em cena, a relação da Heloisa com a Kat e lidar com a infância e adolescência dela?

Júlia: Eu acho que isso foi muito das indicações da história mesmo, eu sou mãe e entendo que isso é uma questão que você tem que trabalhar a autoestima do seu filho, dar confiança pra ele, seja lá o que for as pessoas são diferentes e crescem diferentes. Tem gente que é realmente diferente e o diferente é bacana, ser diferente é uma qualidade. Eu acho que ela conseguiu que a Kat tivesse uma autoconfiança nisso tudo e ao mesmo tempo ela sabia que era difícil, justamente porque a Kat tinha um déficit de crescimento, ela tinha problemas de saúde que tiravam ela da escola. Chegou um momento em que a Kat confronta ela e fala “isso aqui que eu tenho é o quê?”. Ela sabia que era difícil.

Assista ao trailer de Pequeno Segredo:

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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.