Crítica | Rogue One – Uma História Star Wars

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O último blockbuster de 2016 consegue chegar ao ápice nerd do ano. Rogue One – Uma História Star Wars usa e abusa da frase “Os fins, justificam os meios”, ao retratar uma história inédita na franquia Star Wars.

A proposta de entrar, de fato, na Aliança Rebelde e mostrar a visão idealista da causa funciona perfeitamente no momento em que percebe-se que a maravilha retratada no cânone não era tão perfeita assim. O contraste entre os membros ativos da resistência com aquilo considerado “extremista”, pelos mesmos, consegue ser eficiente ao apresentar pensamentos diferentes dentro de uma única causa. Vendo por este modo, a exaltação da esperança e da bondade vista nas décadas de 70 e 80 se perde ao evidenciar que a Aliança também possui o lado negro na sua força. Afinal, seria difícil de acreditar que os mocinhos também usavam espiões e assassinavam quando necessário.

O drama de Rogue One é fraco, na verdade, o longa apresenta uma essência dramática totalmente desnecessária. Os personagens carregam traumas pesados do passado, que não condizem com a fórmula original da franquia. Jyn Erso (Felicity Jones) não tem peso de protagonista, mas em determinado momento consegue executar uma função similar – mesmo assim é fraca do início ao fim, como Cassian (Diego Luna). O alívio cômico de R2-D2 e C-3PO é bem representado por K-2SO, porém, o novo robô demora para engrenar. Isso acontece porque ao contrário da antiga dupla, o novato remete ao mesmo formato Marvel de fazer piadas – que nem sempre funciona.

A fórmula usada para desenvolver os personagens incomoda. É um modo “moderno” de se fazer um longa-metragem que tira a qualidade do filme pelo formato batido e pouco original. Com isso, Rogue One assume a proposta de não se importar com os seus personagens, e sim com sua história. Sendo este o ponto fraco do filme, pois o mínimo é haver um equilíbrio entre a trama e protagonistas. O fim confirma muito bem isso ao mostrar que os personagens não tinham importância alguma, apenas sua missão.

No decorrer do longa a trama parece uma aventura genérica com personagens ruins, mas o spin-off é competente em apresentar elementos cruciais do cânone da franquia – vide Estrela da Morte, muito bem utilizada no filme.

Se o formato da trama e os personagens não convencem como deveriam, a ambientação da história é referência pura. O respeito com o visual, tanto as naves da Aliança como do Império, os trajes e a fotografia impressionam. É claro que há um upgrade em alguns detalhes, ficando bem perceptíveis em tela, mas tudo é pelo bem da causa. Nisso também se sobressai a direção de Gareth Edwards, que filma como poucos uma cena de ação.

Seja batalha terrestre ou espacial, Gareth acerta nos conceitos. O diretor consegue impressionar ao filmar o confronto por terra parecendo um longa-metragem de segunda guerra mundial. Gareth está tão seguro aqui, que nas cenas em que se propõe a destruir (seja um destroyer ou um planeta) não esconde os planos abertos e fechados, mostra todos os detalhes e exibe muito bem o bom uso dos efeitos. A grandiosidade visual de Rogue One se iguala facilmente a genialidade dos efeitos de Doutor Estranho. Grandiloquência vs destruição total formidável, a categoria de Melhores Efeitos Visuais no Oscar 2017 já pode ter os seus favoritos.

Rogue One consegue ser grandioso nos momentos certos. Assim como é lotado de referências do início ao fim, o longa sabe em qual momento pode ser nostálgico. Vader (ainda com a voz de James Earl Jones) é o grande trunfo do filme. Durante o segundo ato é visível que a trama guarda o vilão por querer construir, com falha, a figura de um antagonista exclusivo para essa história – atribuindo espaço para Krennic (Ben Mendelsohn), como mais uma peça descartável. Mas o vilão icônico da trilogia clássica é usado com sabedoria. Mais assustador do que antes, a ameaça de Vader é muito bem construída com sua presença final, mostrando que a partir daqui ele se fará mais presente ao caçar os rebeldes (o que acontece a partir de Star Wars Episódio IV – Uma Nova Esperança).

Mesmo sendo um spin-off, Rogue One tem noção de que precisa construir um campo coerente junto a trilogia original da saga, sendo este o seu maior acerto. O longa explica e justifica muitos acontecimentos do primeiro filme da franquia, cumprindo o seu papel ao dar atenção a história do cânone.

Rogue One – Uma História Star Was traz personagens decepcionantes, uma trama divisora de águas – que agrada e desagrada ao mesmo tempo -, tem visual e efeitos que respeitam as suas origens e consegue ser realmente Uma História Star Wars. Eficiente naquilo que se propõe, ainda é dedicado aos fãs com tantas referências e homenagens encantadoras. O terceiro ato apaga todos os erros da primeira hora e meia do filme, deixando um saldo positivo e acendendo o brilho de uma nova esperança. O filme é único dentro da franquia.

Avaliação:

(Ótimo)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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