Crítica | Rogue One – Uma História Star Wars

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

O último blockbuster de 2016 consegue chegar ao ápice nerd do ano. Rogue One – Uma História Star Wars usa e abusa da frase “Os fins, justificam os meios”, ao retratar uma história inédita na franquia Star Wars.

A proposta de entrar, de fato, na Aliança Rebelde e mostrar a visão idealista da causa funciona perfeitamente no momento em que percebe-se que a maravilha retratada no cânone não era tão perfeita assim. O contraste entre os membros ativos da resistência com aquilo considerado “extremista”, pelos mesmos, consegue ser eficiente ao apresentar pensamentos diferentes dentro de uma única causa. Vendo por este modo, a exaltação da esperança e da bondade vista nas décadas de 70 e 80 se perde ao evidenciar que a Aliança também possui o lado negro na sua força. Afinal, seria difícil de acreditar que os mocinhos também usavam espiões e assassinavam quando necessário.

O drama de Rogue One é fraco, na verdade, o longa apresenta uma essência dramática totalmente desnecessária. Os personagens carregam traumas pesados do passado, que não condizem com a fórmula original da franquia. Jyn Erso (Felicity Jones) não tem peso de protagonista, mas em determinado momento consegue executar uma função similar – mesmo assim é fraca do início ao fim, como Cassian (Diego Luna). O alívio cômico de R2-D2 e C-3PO é bem representado por K-2SO, porém, o novo robô demora para engrenar. Isso acontece porque ao contrário da antiga dupla, o novato remete ao mesmo formato Marvel de fazer piadas – que nem sempre funciona.

A fórmula usada para desenvolver os personagens incomoda. É um modo “moderno” de se fazer um longa-metragem que tira a qualidade do filme pelo formato batido e pouco original. Com isso, Rogue One assume a proposta de não se importar com os seus personagens, e sim com sua história. Sendo este o ponto fraco do filme, pois o mínimo é haver um equilíbrio entre a trama e protagonistas. O fim confirma muito bem isso ao mostrar que os personagens não tinham importância alguma, apenas sua missão.

No decorrer do longa a trama parece uma aventura genérica com personagens ruins, mas o spin-off é competente em apresentar elementos cruciais do cânone da franquia – vide Estrela da Morte, muito bem utilizada no filme.

Se o formato da trama e os personagens não convencem como deveriam, a ambientação da história é referência pura. O respeito com o visual, tanto as naves da Aliança como do Império, os trajes e a fotografia impressionam. É claro que há um upgrade em alguns detalhes, ficando bem perceptíveis em tela, mas tudo é pelo bem da causa. Nisso também se sobressai a direção de Gareth Edwards, que filma como poucos uma cena de ação.

Seja batalha terrestre ou espacial, Gareth acerta nos conceitos. O diretor consegue impressionar ao filmar o confronto por terra parecendo um longa-metragem de segunda guerra mundial. Gareth está tão seguro aqui, que nas cenas em que se propõe a destruir (seja um destroyer ou um planeta) não esconde os planos abertos e fechados, mostra todos os detalhes e exibe muito bem o bom uso dos efeitos. A grandiosidade visual de Rogue One se iguala facilmente a genialidade dos efeitos de Doutor Estranho. Grandiloquência vs destruição total formidável, a categoria de Melhores Efeitos Visuais no Oscar 2017 já pode ter os seus favoritos.

Rogue One consegue ser grandioso nos momentos certos. Assim como é lotado de referências do início ao fim, o longa sabe em qual momento pode ser nostálgico. Vader (ainda com a voz de James Earl Jones) é o grande trunfo do filme. Durante o segundo ato é visível que a trama guarda o vilão por querer construir, com falha, a figura de um antagonista exclusivo para essa história – atribuindo espaço para Krennic (Ben Mendelsohn), como mais uma peça descartável. Mas o vilão icônico da trilogia clássica é usado com sabedoria. Mais assustador do que antes, a ameaça de Vader é muito bem construída com sua presença final, mostrando que a partir daqui ele se fará mais presente ao caçar os rebeldes (o que acontece a partir de Star Wars Episódio IV – Uma Nova Esperança).

Mesmo sendo um spin-off, Rogue One tem noção de que precisa construir um campo coerente junto a trilogia original da saga, sendo este o seu maior acerto. O longa explica e justifica muitos acontecimentos do primeiro filme da franquia, cumprindo o seu papel ao dar atenção a história do cânone.

Rogue One – Uma História Star Was traz personagens decepcionantes, uma trama divisora de águas – que agrada e desagrada ao mesmo tempo -, tem visual e efeitos que respeitam as suas origens e consegue ser realmente Uma História Star Wars. Eficiente naquilo que se propõe, ainda é dedicado aos fãs com tantas referências e homenagens encantadoras. O terceiro ato apaga todos os erros da primeira hora e meia do filme, deixando um saldo positivo e acendendo o brilho de uma nova esperança. O filme é único dentro da franquia.

Avaliação:

(Ótimo)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

Você também pode gostar