Crítica | Passageiros

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Passageiros perde a força no decorrer de sua própria história
Passageiros (Sony Pictures)
Divulgação/ Sony Pictures

Chris Pratt e Jennifer Lawrence, dois dos mais rentáveis atores de Hollywood, talvez não consigam salvar a bilheteria de Passageiros. Ao contrário do que se possa imaginar o suspense espacial dos materiais de divulgação dá espaço para uma breve comédia romântica, que vai acrescentando grandes proporções dramáticas e um “Q” grandiloquente no terceiro ato.

A história traz o choque do resort espacial com uma chuva de meteoritos, causando falhas no sistema – que acabam fazendo a hibernação de Jim (Pratt), acordá-lo 90 anos antes do previsto. Com isso, Jim precisa decidir se ficará o resto da sua vida conversando com Arthur (Michael Sheen), assim como Jack Torrance e Lloyd faziam em O Iluminado (1980).

Os primeiros minutos, em que Passageiros se apresenta e mostra o primeiro ato do longa é cativante, protagonizado por um monologo divertido e sentimental de Chris Pratt. Este, por sua vez, vai decaindo junto com a história, revelando-se um ator dramaticamente limitado. Pratt tem boa essência cômica, desde Parks and Recreation e posteriormente comprovada em Guardiões da Galáxia. Mas o drama do ator é fraco, e isso fica evidente quando a história exigi isso.

Por outro lado, Jennifer Lawrence precisa manter o status de quem já venceu um Oscar de Melhor Atriz (por O Lado Bom da Vida). Em Passageiros, a eterna garota Em Chamas do Distrito 12, tem ótimas variações e traz uma atuação vibrante, sensual e bastante expressiva. A personagem, em si, não tinha grande força nos contexto da história e sua presença poderia ser comparada a de um objeto que Jim tanto queria, mas Lawrence faz de sua personagem parte importante da trama.

Jennifer Lawrence em Passageiros (Passengers)
Jennifer Lawrence em Passageiros (Passengers)

O roteiro é preguiço e sofre com a falta de criatividade, pois não consegue sustentar as próprias escolhas. Com assinatura de Jon Spaihts (que também escreveu o de Doutor Estranho) a trama se desenvolve abrindo espaço para a mente do público imaginar uma solução melhor para os dilemas do filme. Com um enredo que “aceita ideias” do espectador, Passageiros é desenvolvido a base do clichê e se prende a diversas referências. Uma das mais gritantes é alusão que o longa faz ao conto da Bela Adormecida, ao inserir Aurora (Lawrence) na história.

Arthur, o bartender, é uma ótima distração, além de reproduzir momentos de O Iluminado ao lado de Chris Pratt, o personagem de Michael Sheen simboliza muito bem o lado artificial da trama. O mesmo não se pode dizer de Laurence Fishburne, que precisa de, no máximo, um minuto para mostrar o que vai acontecer com seu personagem, sendo mais uma das obviedades de Spaihts.

Esteticamente limpo e construindo um ambiente visualmente agradável, Passageiros relembra um pouco o visual da animação Wall-E (2008), e a AutoDoc faz uma breve referência a Prometheus (2012). Morten Tyldum que dirigiu com genialidade O Jogo da Imitação (2014) se mostra totalmente limitado em Passageiros, mesmo que bem filmado, o longa encontra um padrão confortável e por ali permanece até o fim. Cenas externas, onde os personagens saem da nave são, sim, muito bem produzidas, sendo momentos emocionantes e singulares dentro da obra.

Passageiros traz em um primeiro momento uma história bastante simples, que vai mostrando suas limitações ao decorrer do próprio desenvolvimento. O primeiro ato é divertido, em um clima similar ao de Perdido em Marte (2015) com o melhor momento de Chris Pratt no longa. Depois disso, Jennifer Lawrence consegue sustentar a atratividade da história, que por si só não chama a atenção.

Avaliação

(Razoável)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid's Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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