Crítica | Passageiros

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
Passageiros perde a força no decorrer de sua própria história
Passageiros (Sony Pictures)
Divulgação/ Sony Pictures

Chris Pratt e Jennifer Lawrence, dois dos mais rentáveis atores de Hollywood, talvez não consigam salvar a bilheteria de Passageiros. Ao contrário do que se possa imaginar o suspense espacial dos materiais de divulgação dá espaço para uma breve comédia romântica, que vai acrescentando grandes proporções dramáticas e um “Q” grandiloquente no terceiro ato.

A história traz o choque do resort espacial com uma chuva de meteoritos, causando falhas no sistema – que acabam fazendo a hibernação de Jim (Pratt), acordá-lo 90 anos antes do previsto. Com isso, Jim precisa decidir se ficará o resto da sua vida conversando com Arthur (Michael Sheen), assim como Jack Torrance e Lloyd faziam em O Iluminado (1980).

Os primeiros minutos, em que Passageiros se apresenta e mostra o primeiro ato do longa é cativante, protagonizado por um monologo divertido e sentimental de Chris Pratt. Este, por sua vez, vai decaindo junto com a história, revelando-se um ator dramaticamente limitado. Pratt tem boa essência cômica, desde Parks and Recreation e posteriormente comprovada em Guardiões da Galáxia. Mas o drama do ator é fraco, e isso fica evidente quando a história exigi isso.

Por outro lado, Jennifer Lawrence precisa manter o status de quem já venceu um Oscar de Melhor Atriz (por O Lado Bom da Vida). Em Passageiros, a eterna garota Em Chamas do Distrito 12, tem ótimas variações e traz uma atuação vibrante, sensual e bastante expressiva. A personagem, em si, não tinha grande força nos contexto da história e sua presença poderia ser comparada a de um objeto que Jim tanto queria, mas Lawrence faz de sua personagem parte importante da trama.

Jennifer Lawrence em Passageiros (Passengers)
Jennifer Lawrence em Passageiros (Passengers)

O roteiro é preguiço e sofre com a falta de criatividade, pois não consegue sustentar as próprias escolhas. Com assinatura de Jon Spaihts (que também escreveu o de Doutor Estranho) a trama se desenvolve abrindo espaço para a mente do público imaginar uma solução melhor para os dilemas do filme. Com um enredo que “aceita ideias” do espectador, Passageiros é desenvolvido a base do clichê e se prende a diversas referências. Uma das mais gritantes é alusão que o longa faz ao conto da Bela Adormecida, ao inserir Aurora (Lawrence) na história.

Arthur, o bartender, é uma ótima distração, além de reproduzir momentos de O Iluminado ao lado de Chris Pratt, o personagem de Michael Sheen simboliza muito bem o lado artificial da trama. O mesmo não se pode dizer de Laurence Fishburne, que precisa de, no máximo, um minuto para mostrar o que vai acontecer com seu personagem, sendo mais uma das obviedades de Spaihts.

Esteticamente limpo e construindo um ambiente visualmente agradável, Passageiros relembra um pouco o visual da animação Wall-E (2008), e a AutoDoc faz uma breve referência a Prometheus (2012). Morten Tyldum que dirigiu com genialidade O Jogo da Imitação (2014) se mostra totalmente limitado em Passageiros, mesmo que bem filmado, o longa encontra um padrão confortável e por ali permanece até o fim. Cenas externas, onde os personagens saem da nave são, sim, muito bem produzidas, sendo momentos emocionantes e singulares dentro da obra.

Passageiros traz em um primeiro momento uma história bastante simples, que vai mostrando suas limitações ao decorrer do próprio desenvolvimento. O primeiro ato é divertido, em um clima similar ao de Perdido em Marte (2015) com o melhor momento de Chris Pratt no longa. Depois disso, Jennifer Lawrence consegue sustentar a atratividade da história, que por si só não chama a atenção.

Avaliação

(Razoável)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

Você também pode gostar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *