Crítica | Ringu (1998)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
Hideo Nakata cria uma ótima obra de investigação e horror em Ringu

Ringu (1998)

Em 1998, no Japão, boatos correm entre os jovens sobre uma fita com um filme estranho, e quem a assiste recebe uma ligação e escuta a seguinte mensagem: “sete dias“. Isso quer dizer que a partir daquela data e horário, você tem apenas sete dias de vida. A premissa é, sem sombra de dúvidas, interessante e Hideo Nakata não transforma sua obra em um festival de sustos gratuitos. Pelo contrário, o direto cria um thriller de investigação muito bem construindo e apresenta um desenvolvimento coeso durante quase todo o longa.

Nanako Matsushima interpreta a jornalista e protagonista do longa, Reiko Asakawa , responsável por mover toda essa investigação. O longa não precisa criar nenhum artifício “artificial” para que a personagem decida seguir a investigação. O roteiro tem como seu ponto forte o uso da naturalidade dos acontecimentos, todas as ações são uma perfeita sucessão. Asakawa já estava envolvida em uma reportagem sobre a tal “lenda urbana” da fita misteriosa de Sadako (a Samara original, vivida por Rie Ino’o), e com isso uma coisa foi puxando a outra até que ela se visse em meio a uma investigação totalmente envolvente. 

A direção de Hideo Nakata faz tudo certo, principalmente os ângulos, que na época começavam a ditar conceitos de filmagens no terror que viria a seguir. Nakata ainda tinha uma fotografia mais viva que exaltava as cores e o ambiente – mesmo que não houvessem tantas cores vivas, pois, no geral, o longa utiliza muito de tons pastéis. Um detalhe interessante na filmagem era a dimensão que o diretor usa em planos fixos, ao invés de dar o famoso zoom (de forma lenta), a câmera imóvel passa um sentimento de vazio, de algo que precisa ser preenchido. É algo que em alguns momentos perturba e atinge o objetivo do thriller psicológico e do horror: mexer com a mente do público.

Ringu (1998)

Por se tratar de um thriller de investigação, a história precisa arranjar artifícios para se sustentar durante todo o filme, mas aqui isso não é necessário porque Ringu tem o tempo ao seu favor. Com pouco mais de uma hora e meia de duração, o filme não precisa criar elementos deturbadores para se sustentar. A fantasia do terror também se faz presente, mas isso é algo exclusivo do terceiro ato, pois antes disso acontecer, o longa se mantinha o mais realista possível.

O grande problema, e que causa uma forte desilusão com o longa, está em seu terceiro ato. Ringu peca na escolha final de justificar certos acontecimentos, trazendo a tona uma descoberta totalmente banal e que foge de toda a inteligência que o roteiro utiliza para chegar até sua conclusão. Ringu é competente e toda sua construção mas falha ao apresentar um explicação totalmente fajuta, dando uma resolução fraca para o acontecimento central da história, se comparado com tudo que foi visto no longa.

Avaliação
Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
, , ,

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.