Crítica | Resident Evil 6: O Capítulo Final

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Final da saga consegue trazer algum sentido para franquia
Resident Evil 6: O Capítulo Final
Imagem: Divulgação/ Sony Pictures

Resident Evil volta aos cinemas trazendo respostas coerentes para diversas perguntas, que são feitas desde o primeiro longa da franquia em 2002. Paul W.S. Anderson provou mais uma vez que ao se tratar de ação, ele é o cara certo para dirigir, mas ao mesmo tempo ele afirma que é o homem errado na hora de contar uma boa história.
O Capítulo Final deixa em evidência o que a franquia teve de melhor nos últimos dois filmes, as cenas de ação, suas filmagens e a fotografia – que dessa vez traz um visual totalmente apocalíptico. Anderson consegue fazer uma cena inicial muito empolgante, apesar de continuar não dando explicação nenhuma quanto ao surgimento de diversas criaturas que vemos nos filmes. A abertura mostra a proposta do novo tom do filme: trazer um ritmo frenético de ação e resgatar um pouco do terror visto em Resident Evil: O Hóspede Maldito (2002).

Apesar de não ser uma franquia aclamada ou amada, que mais divide opiniões quanto a qualidade dos seus filmes, não é qualquer saga (seja ela de terror, fantasia e até mesmo de ação), que consegue se sustentar durante 15 anos. Isso se deve muito pela protagonista. Alice nada mais é que uma versão feminina de vários personagens de ação dos anos 1980 e 1990 ao melhor estilo badass. Não há como negar que a personagem, eternizada por Milla Jovovich, deve ter sido a primeira girlpower dos anos 2000 – pois não há muitas pessoas no mundo capazes criar uma arma regada a balas feitas com moedas.

Jovovich entrega uma atuação similar aos filmes anteriores, em que o estágio do apocalipse limita qualquer tipo de grandes expressões, é tudo muito rápido, muito instantâneo. O filme ainda consegue mostrar, rapidamente, que as necessidades humanas (de ter alguém para se importar) continuam ali, sempre presentes, mas é algo que se viu poucas vezes franquia, até por que Paul W.S. Anderson é totalmente limitado quando se trata de roteiro e desenvolvimento de personagens.

O diretor, que também escreve o roteiro, estabelece novas questões na mitologia da saga, já que os filmes estão em um universo separado dos jogos. Com isso, o poder criativo da franquia é muito maior e o leque de soluções também. O problema dessa liberdade é a falta de criatividade, pois Anderson cria algo inicialmente intrigante e para finalizar as aventuras de Alice, o diretor precisa fazer com que tudo visto anteriormente faça sentido. Até certo ponto, sim, ele consegue, mas são cinco filmes lançados anteriormente, e nenhum deles se importava em explicar algo em relação aos antecessores.

Resident Evil 6: O Capítulo Final
Imagem: Divulgação/ Sony Pictures

Por outro lado, O Capítulo Final consegue cumprir o papel de encerrar o arco de uma história, mas falta ao diretor a dignidade de saber que isso realmente acabou. O terceiro ato não tem equilíbrio entre o enredo e o seu encerramento, apesar de trazer boas cenas de ação (que sustentam a diversão durante todo o filme) o final da história não é competente em dar, de fato, um fim à tudo. A premissa é usar a cura para o T-Vírus, criado em 2002, e assim presumi-se que tudo criado a partir da propagação da praga é destruído, mas novamente, sem nenhum tipo de explicação, não é o que realmente acontece.

Outro grande problema com o enredo da trama, é o uso dos vilões. Wesker (Shawn Roberts) era o vilão em potencial para uma grande luta final contra Alice, mas é totalmente jogado fora no filme – isso não quer dizer que nos anteriores ele tenha sido um grande personagem. Wesker sempre foi só mais um vilão cafona. Ao invés disso, Anderson resolve resgatar, lá do terceiro longa da franquia, o Dr. Isaacs (Iain Glen), como o grande vilão e o grande causador de tudo o que aconteceu ao longo dos filmes, apenas por ser importante para a história da protagonista. 

O último filme da franquia se encaixa perfeitamente ao estilo “vida que segue”, pois a única expectativa que o longa cria é em saber como será o fechamento da história, o que realmente não acontece. O sexto filme da franquia traz respostas interessantes quanto a verdade sobre Alice, o seu passado e principalmente o que poderia ter sido a sua vida. A solução foi boa e previsível, e a verdade sobre o protagonista pode ser adivinhada desde o terceiro filme da saga. O Capítulo Final é como o final de um livro, que você sabe que terá continuação.

Avaliação

(Bom)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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