Crítica | Armas na Mesa

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Com uma história densa, Jessica Chastain manda em Armas na Mesa
Jessica Chastain (Armas na Mesa)
Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

Em 2016, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas selecionou para os indicados à Melhor Filme o longa A Grande Aposta, dirigido por Adam McKay. O diretor trouxe ótimas facetas para explicar o roteiro denso e difícil de entender que escreveu ao lado de Charles Randolph, e mesmo com momentos didáticos que quebraram a quarta parede, A Grande Aposta não é nada fácil de ser entendido. Armas na Mesa, de John Madden, sofre de um problema similar.

No filme, a lobista Elizabeth Sloane têm seus ideias confrontadas quando lhe é oferecido trabalhar contra a aprovação de uma lei, que tem em seu ideal defender a burocratização do porte de armas nos EUA. Em contra partida, a personagem aguerrida de Jessica Chastain é totalmente a favor da aprovação da lei, e parte contra aos seus antigos empregadores.

Armas na Mesa traz uma historia bem construída, porém, envolve elementos totalmente densos que demoram para fazer sentido. Inicialmente, o longa se faz totalmente dinâmico e difícil de ser acompanhado. Mesmo assim, a história da lobista é instigante aos olhos de quem se interessa pela trama. A sequência inicial corre na película de forma pesada para apresentar a protagonista e o mundo que a rodeia, trazendo uma linguagem similar a de House of Cards, série original Netflix.

Apesar de ter várias explicações sobre as atividades que estão sendo exercidas no filme, o roteiro precisa se esforçar para trazer sentido a trama do filme. Sendo assim, as escolhas que público têm par entender o que está acontecendo, são: fazer o esforço se acompanhar um ritmo desnecessariamente rápido no começo, ou se acostumar com a história ao longo do filme. Com isso, a densidade da trama vai diminuindo com o passar do tempo, mas mesmo assim, não é positivo uma história deixar seu espectador boiando em águas desconhecidas.

Jessica Chastain é uma atriz com potencial desperdiçado em pequenos papéis e participações. A prova disso, é sua participação no ótimo Perdido em Marte, onde a atriz chama atenção em todas as suas participações. Mas é em Armas na Mesa que o talento de Chastain fica ainda mais evidente. A atriz interpreta uma girlpower totalmente badass, e sem poderes, no filme. Ao bem da verdade, a personagem consegue simbolizar boa partes das reivindicações do movimento feminista. Elizabeth Sloane tem o controle absoluto de suas ações, ela é a mulher que quis ser e não há quem diga o contrário.

Jessica Chastain (Armas na Mesa)
Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

Do meio para fim estão os grandes acertos do roteiro, é onde a história mostra a sua força. É também, onde a protagonista adquire diversas camadas dramáticas que agregam ainda mais a atuação de Jessica Chastain. A grosso modo, Armas na Mesa pode ser comparado a um jogo de xadrez. No início, pode ser complicado de entender, mas quando se pega o jeito tudo fica mais fácil. Além disso, fala-se que um jogador de xadrez precisa ter, pelo menos, três movimentos planejados em suas ações, e isso define a mente incrível de Elizabeth Sloane.

Fazer lobby é uma questão de prever. De antever os movimentos do seu oponente. E de elaborar contramedidas.“, a frase marca o desenvolvimento de todo o filme e o ótimo plot twist que o longa apresenta no terceiro ato, que faz todas as convicções da protagonista ficarem ainda mais claras aos olhos do público.

Armas na Mesa mostra a história de uma mulher que decide por si só em todas as suas ações, e que não precisou perder alguém na vida pessoal para criar as próprias convicções quanto a lei do porte de armas. Miss Sloane personifica a força da mulher, e mostra que existem coisas que o homem (gênero) nem sempre é capaz de entender.

Avaliação

(Muito bom)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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