Crítica | A Cura

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A Cura (A Cure for Wellness) traz de volta o ótimo Gore Verbinski em sua direção, e pode-se dizer que o diretor deu o azar com a história, pois o clima de suspense que a trama precisava apresentar pouco foi visto, e muito menos sentido. Resumidamente, a piração da história criada por Verbinski e Justin Haythe (O Cavaleiro Solitário) não chega a lugar algum.

A tentativa de suspense em uma história sem pé e sem cabeça, fica apenas na intenção do diretor, pois o forte de Gore Verbinski é a própria direção. A filmagem realmente chama a atenção, pois ele sabe trabalhar bem com visual, mas aqui, infelizmente, a fotografia é mais do mesmo, já que o diretor é fã de paleta verde em seus filmes (principalmente em O Chamado, 2002). Apesar de abrir bem os planos e trazer alguns momentos de imersão, a boa direção não salva a história.

Dane DeHaan é uma ator sem expressão, sendo uma mistura de Kristen Stewart e Robert Pettinson ao exaltar suas expressões pálidas e desanimadas, porém, com um sorriso maroto aparecendo de vez em quando. A falta de carisma na personalidade compromete o personagem e faz com que a história se torne ainda mais cansativa. Ao lado de Mia Goth, que também está com a mesma aparência de sempre, a trama cai ainda mais, pois há momentos entre os dois personagens que não precisavam ter acontecimento, ou, que simplesmente fogem das pirações do roteiro.

Inicialmente, A Cura, é muito promissor ao abordar uma crítica sobre a rotina doentia de trabalho dos americanos, combinada com o consumismo, dando a entender que A Cura seria para esta doença, mas isso é apenas um lampejo de esperança. Como já citado, o roteiro não passa de um grande devaneio entre os idealizadores da história, que apresentam um conceito para a doença, posteriormente, desconstruindo o mesmo, até chegar a um ponto em que o próprio filme não sabe de mais nada.

Horas abordando um segredo de 300 anos, horas falando de uma doença e sua respectiva cura e em outros momentos trazendo uma lenda urbana que estava repetindo. A Cura, apesar da qualidade do diretor e sua filmagem diferenciada, peca em ter essa história incorrigível e que trata de assuntos genéricos de uma forma diferente e pretensiosa.

O roteiro, é na verdade, uma grande bola de neve, e Justin Haythe não sabe o que fazer com esse tufo no terceiro ato, que é onde a história ganha proporções pavorosas para a conclusão. A Cura traz a tona uma figura vilanesca de vida prolongada, banalizando a atuação de Jason Isaacs. Ainda é admirável, o filme conseguir tratar de um assunto sério como o incesto e a doença de um homem obcecado pela pureza do sangue da sua família, mas este é mais um assunto dentro de uma história cheia de outras faces.

Em suma, a trama de A Cura aborda diversos temas, e o que tinha tudo para ser um suspense interessante e algo que mexesse com a mente do público, acabou se mostrando um filme despirocado em excesso e que decide apresentar algo novo a cada trinta minutos. Sendo assim, o desenrolar da história é totalmente incoerente e sem rumo à ponto de desencaminhar o objetivo dos seus personagens. A Cura é mais um caso de filmes que prometem e não cumprem, ou seja, o filme é a sua própria doença.

Avaliação

(Regular)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

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