Crítica | Aliados

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Aliados traz em sua premissa uma ambientação nas tensões da Segunda Guerra Mundial, que historicamente já rendeu boas histórias ao cinema, mas que neste caso perde o impacto com a romantização e descaracterização do terror nazista causado no velho continente. Inicialmente, com a pretensão de ser um novo Sr. & Sra. Smith, Aliados oscila em bons momentos, mas o drama escondido atrás dos acontecimentos poderia ter mais impacto na película do que a própria história retratada no filme.

Brad Pitt interpreta um bom personagem, mas como se ele fosse um qualquer. A intenção do roteiro, que não justifica os traumas do passado do personagem, é de trazer um homem carrancudo e que pouco muda de expressão. Sendo assim, Pitt tem uma atuação coerente com o conceito do seu personagem, mas não que isso seja uma coisa boa.

Por outro lado, a talentosa Marion Cotillard é refém de uma visão porca dos olhos do homem sobre a figura feminina da época. Apresentando-se como um mulher decidida, independente, sedutora e vigorosa, a personagem cai no esquecimento por boa parte do filme, justamente nos momentos em que história não sabia para onde ir. Como se isso já não fosse ruim o suficiente, Marianne Beausejour (uma mulher que ainda sabe lutar e atirar) vira uma simples dona de casa que cuida da filha à espera do marido trabalhador. Mas é lógico que o longa reservava algo maior para personagem, e novamente, isso não quer dizer que seja algo bom, ou, surpreendente.

Robert Zemeckis, que dirige o filme, não traz uma marca ou personalidade para a produção. Sua direção se resume em mais do mesmo, ou no mínimo, o diretor fez o que poderia com o filme. Robert, que é o diretor da aclamada trilogia De Volta Para o Futuro, e têm no currículo outros bons filmes (Náufrago, Forrest Gump), tem seu trabalho mais fraco em Aliados, já que na filmagem ele não faz nada ousado ou inovador que chame a atenção.

Visualmente, pela época em que é ambientada a história, Aliados tinha a obrigação de exaltar uma bela fotografia e figurinos exuberantes, isso na teoria, porém, na prática foi totalmente diferente. Tanto que não há nada esteticamente memorável no filme. Além disso, há momentos que os ambientes parecem, nitidamente, com cidades cenográficas – fora algumas outras cenas de estúdio em que o cenário é visualmente precário.

Apesar de não ser taxado como um filme ruim, Aliados deixa muito a desejar nas atuações, no roteiro (principalmente no desenvolvimento sem rumo) e todos os aspectos visuais da produção. O romance entre os dois personagens é genérico e instantâneo, ou seja, ele simplesmente acontece. A trama principal envolvendo espionagem e a desconfiança do casal poderia render muito mais se atingisse proporções mais dramáticas, pois é neste momento que o longa encontra o seu norte, mas infelizmente isso não faz parte da proposta do roteiro de Steven Knight.

Aliados deixa a desejar, mas apresenta oscilações boas ao longo da trama, que tinha um potencial muito maior em seus momentos dramáticos, principalmente nos minutos finais – onde o impacto é suavizado pela própria proposta do longa, que não condiz com o peso do seu encerramento.

Avaliação

(Regular)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

Você também pode gostar