Crítica | Até o Último Homem

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Até o Último Homem não poderia ser melhor rotulado do que “a volta de Mel Gibson aos cinemas”, já que a grande força do longa está na marcante assinatura do diretor. A história, baseada em fatos reais, tem ao seu favor o estilo de comando que Gibson tem como sua marca registrada, não o fato extremista entre a guerra e a religião, mas em transformar a narrativa em uma história épica – fazendo jus aos filmes antigos do gênero.

Gibson, já conhecido por ser bastante religioso, traz a história de Demond Doss, um homem de princípios, jovem e até certo ponto inocente. Ao retratar a história de uma forma cristã, o diretor traz diversas explicações diferentes para a atitude do rapaz ao optar por não carregar uma arma, mas apenas uma dessas motivações foi forte o suficiente para justificar tal atitude. E apesar de trazer uma grandiosidade épica ao filme, Mel Gibson não tem o roteiro como um dos maiores acertos, mas este sofre apenas em alguns momentos que banalizam o confronto entre americanos e japoneses em Hacksaw Ridge.

A direção, como dito, é a força do filme, porém, Mel Gibson é pretensioso demais ao saber que tem qualidade suficiente para ser indicado ao Oscar – ainda mais por já ter vencido como Melhor Diretor e Melhor Filme com Coração Valente. Por tanto, a pretensão do retorno de Mel Gibson às telonas em Até o Último Homem era de ter esta indicação ao Oscar em 2017, tanto que uma de suas características é um estilo de filmagem mais artístico, que pode ser bem visto no primeiro ato do longa, mas principalmente no campo de batalha.

Por outro lado, o épico de guerra escrito por Randall Wallace (que trabalho com Mel Gibson em Coração Valente) e Robert Schenkkan faz um contraste perfeito com sua trilha sonora (composta por Rupert Gregson-Williams), que apenas aumenta o teor grandioso da história. Além disso, a narrativa ainda permeia em momentos de leveza, servindo como uma preparação para os momentos crus da batalha – que acabam retratando de uma forma seca e nada sentimental os acontecimentos da segunda guerra mundial.

Em suma, mesmo que o longa tenha diversas qualidades sobressalentes, há pequenos problemas banais que tentam trazer um grande perigo ou aumentar ainda mais a grandiosidade histórica da trama baseada em fatos reais, e mesmo que estes acontecimentos sejam fiéis a história original, o fato é que na película alguns parecem apenas com falas de efeito dramático. Por outro lado, é notável que no momento em que a história passa a acontecer no meio da guerra, Gibson esquece do seu protagonista e começa a mostrar uma visão mais ampla do que está acontecendo. Apesar de render belíssimas imagens e cenas marcantes, deixar o fio condutor da história de lado não foi a decisão mais inteligente do diretor, mesmo que as cenas ainda sejam um ponto positivo do longa.

Entre tanto, Gibson também restringiu o seu terceiro ato em um mero ato de heroísmo – já tradicional em Hollywood nos últimos 10 anos -, ao qual o personagem de Andrew Garfield se rende ao plot twist (ou quase isso) mais previsível possível. Mais uma vez o longa recebe uma banalização gratuita do diretor. Até o Último Homem sofre com estes momentos que diminuem a qualidade e grandiosidade de sua história, mas sem deixá-la ridicularizada. E por sinal, Andrew Garfield é o ator certo para o papel, pois sua atuação não impõe malícia e exalta graciosidade – favorecendo o personagem que torna-se admirável ao longo do filme.

Até o Último Homem traz um estilo antigo de filmes de volta aos cinemas, algo que está entalhado na assinatura de Mel Gibson ao comandar um longa-metragem. É impossível ver este longa e não presumir o nome de seu diretor, o que é positivo, mas ficaria ainda melhor se um pouco suavizado. A história, que traz as extremidades sobre quem é e o que Mel Gibson gosta, mostram perfeitamente o viés narrativo e a zona de conforto do diretor. Mas fato é que sua grande história foi ofuscada e banalizada por quem estava comandando o projeto atrás das câmeras, porém, o resultado é grandioso e ainda serve de agouro para o gênero – além de trazer o épico de volta para o cinema.

Avaliação

(Ótimo)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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