Crítica | A Grande Muralha

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A mescla entre guerra e fantasia, seja ela na idade média ou antiga, já rendeu bons frutos ao cinema, mas a algum tempo esse gênero não consegue emplacar um grande filme. A esperança de mudar este panorama era o novo longa de Zhang Yimou, porém, A Grande Muralha se mostra interessante ao tentar estabelecer sua mitologia ao mesmo tempo em que traz uma obra problemática.

Divertido e fazendo parte dos filmes pipoca, A Grande Muralha retorna ao século XV, depois da construção da Grande Muralha da China e trazendo a motivação para a construção do monumento histórico, tentando explicar do que o povo chinês estava tentando se proteger. A batalha contra monstros que atacavam o local à cada 60 anos, tinha uma escala muito boa, que lembrava, levemente, as grandes lutas de O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, mas obviamente sem comparações.

Resumidamente, a maior virtude de A Grande Muralha é a estética criada pelo diretor. O exercito chinês que habita a muralha tinha belíssimas armaduras e todas elas muito vibrantes ao exibir suas cores, além de que cada uma representava uma função diferente dentro da batalha. A organização para as cenas que mostravam a guerra são admiráveis, mas nada adianta se os personagens que participam disso não têm profundidade alguma – e este é o maior problema do longa.

A história, totalmente datada e clichê no seu desenvolvimento, não consegue trazer grandes personagens no longa, aliás, ao bem da verdade, consegue a façanha de retirar o pior de alguns dos atores. Matt Damon, que teoricamente protagoniza, tem um personagem menos expressivo que Jason Bourne – e este com pouquíssimas linhas de fala é mais eficiente. O elenco ainda conta com William Dafoe, com o mesmo tipo de personagem de sempre, e Pedro Pascal (Game of Thrones), que é desnecessário no filme. O agouro para o elenco é a ótima Jing Tian (Em Nome da Lei), que, apesar de interpretar uma personagem genérica, consegue fazer seu talento se sobressair em relação aos de mais.

Entre outros prolemas, há o desperdício do terceiro ato, onde não há um confronto final para sacramentar a grandiosidade (ou a tentativa dela) das batalhas. Ao contrário disso, A Grande Muralha prefere não se dar o valor e cria uma missão quase impossível para William (Damon) e Lin (Jing). Sendo assim, o longa de Zhang Yimou perde a oportunidade de apresentar mais um bom momento, entre os poucos cativantes, com um confronto final de uma grande guerra, já que no primeiro encontro das duas forças o diretor parece ter gastado toda a sua energia criativa e visual.

Sem fôlego para sustentar suas batalhas e com um ritmo e história inconstantes, A Grande Muralha prometia ser um grande épico de fantasia ao estabelecer uma mitologia, em parte, interessante. Porém, o filme se restringe as boas cenas de ação na primeira metade da história, que aparentemente tinha mais potencial para apresentar, e chega ao final com a tentativa de estabelecer um grande momento em uma conclusão heroica, e esta sem sucesso.

Zhang Yimou, de fato, errou a mão em A Grande Muralha. Se o mesmo encantou com o ótimo O Clã das Adagas Voadoras em 2004, 13 anos depois pode-se dizer que o diretor decepcionou, pois apesar da estética chamativa, o longa é carregado de cenas completamente gráficas e e para piorar faz do 3D algo pouco necessário. A Grande Muralha promete, não cumpre e em parte decepciona, mas não deixa de ser um “filmão assistivel“.

Avaliação

(Regular)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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