Crítica | A Lei da Noite

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A Lei da Noite é um filme que gera curiosidade, não pela qualidade da história, mas para entender por que o longa deu um prejuízo de US$ 75 milhões à Warner Bros., e até certo ponto é possível compreender.

Escrito, dirigido, estrelado e produzido por Ben Affleck, A Lei da Noite mostra algumas verdades sobre a carreira e os talentos do ator, que apesar do sucesso no ano passado como o novo Batman dos cinemas, se mostrou bastante limitado em sua atuação, mais uma vez.

A história não mostra para o que veio, seja na abertura ou na própria conclusão. Em nenhum momento o filme apresenta uma justificativa plausível para estar contando essa mesma história. A narrativa é totalmente conturbada, enquanto tudo acontece pouco se entende, causando uma sensação dúbia em relação a trama. E assim fica nítido que na cabeça de Ben Affleck, a ideia de A Lei da Noite (inspirada na obra de Dennis Lehane, Os Filhos da Noite) estava muito melhor.

O filme também sofre com personagens mal elaborados, e mesmo com atores como Brendan Gleeson (saga Harry Potter) e as talentosas Zoe Saldana e Elle Faning, não consegue dar a possibilidade de uma boa atuação ao seu elenco. Affleck, por exemplo, mostra sua inexpressividade, contudo, é preciso reconhecer que o esforço que o ator faz para entregar o melhor possível no projeto. Mas, abraçar a causa sozinho, mesmo que com um ano dedicando-se ao roteiro do filme, não foi a decisão mais inteligente de Ben Affleck – o mesmo que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original por Gênio Indomável, filme que escreveu ao lado de Matt Damon -, e o resultado é uma história descartável e nada memorável.

A questão que A Lei da Noite também levanta é a qualidade de Affleck como diretor. No longa, ele consegue trazer cenas de ação muito bem feitas, e mostra que têm habilidades com a câmera – vide uma perseguição de carros com automóveis com a velocidade limitada dos anos 1920, mas apesar disso o diretor se sobressai em dar à sua câmera a rapidez e o dinamismo que os veículos não tinham. O resultado é, no mínimo, surpreendente.

Com doses de ação, que deixam os problemas do roteiro no esquecimento, A Lei da Noite é um filme morno, nada empolgante e um pouco cansativo. A narrativa não tem ritmo, ainda mais porquê uma história que não sabe o que quer não precisa apresentar um padrão narrativo. E como se não bastassem estes problemas, os diálogos extensos, alá trama mafiosa cheia de frases de efeito, apresentam uma qualidade baixíssima – piorando ainda mais a situação do longa.

O fato é que A Lei da Noite divide a opinião, pois ao mesmo tempo em que tem um bom diretor e mostra um visual feito com cuidado, o grande problema está no básico: o roteiro. O que torna o abacaxi ainda mais cascudo, é que estas adversidades não acontecem pontualmente, e sim regularmente – na verdade, após as vinhetas de abertura até a subida dos créditos finais, o filme é problemático por si só. E com isso, não há fotografia ou diretor que salve uma história ruim.

Avaliação

(Regular)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

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