Crítica | Moonlight – Sob a Luz do Luar

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Hollywood se renovou do último ano para cá, e se atualmente há um filme diferenciado no cinema americano, este se chama Moonlight – Sob a Luz do Luar. Barry Jenkins conseguiu fazer uma história sincera e verdadeira, que dialoga de uma forma peculiar com o público. Com uma linguagem cheia de simbolismos, Moonlight é uma obra necessária para o cinema.

A história de um garoto que vive entre a violência e desigualdade do guetto e os problemas da mãe drogada, abrem os olhos para uma história que acontece todos os dias no mundo, independente do país ou da pessoa, mas é fato que muitas dessas pessoas passam todos os dias pelas mesmas dificuldades do jovem Little (Alex R. Hibbert). O preconceito presente na vida do menino é retratado de uma forma absurdamente sincera e despretensiosa, ficando evidente que Moonlight poderia ser um melodrama, mas Barry Jenkins se contentou em apenas mostrar as coisas como elas realmente são.

A narrativa diferenciada e original do roteiro é mais um acerto do diretor, que divide os três atos do filme entre a infância, adolescência e a vida adulta do protagonista. É incrível, também, como as consequências dos acontecimentos são desenvolvidos ao longo da vida do rapaz. Chiron (Ashton Sanders) é um personagem a ser estudado. Solitário e oprimido, o protagonista se faz interessante em suas reações ao preconceito, homofobia e ao bullying, e aqui a violência gera violência – ou é apenas a forma que o garoto encontrou para se defender.

Jenkins traz uma linguagem densa e pesada ao subtexto do filme, dialogando de uma forma empática com o público. Com esta sendo uma das principais virtudes do filme, é interessante, também, ver como funciona esse mesmo diálogo com as pessoas, pois Jenkins não se propõe a trazer explicações (por exemplo, o que aconteceu com o pai de Chiron e o que levou Juan (Mahershala Ali) a ter tal destino). Porém, mais importante que isso, é o fato de que essa falta de “por quês” não se faz importante para a história que está sendo contada.

Com um orçamento de apenas US$ 5 milhões, Moonlight traz um carácter independente na forma em que constrói a história e na maneira que aborda assuntos presentes no dia-a-dia da sociedade (não apenas brasileira), seja ela estadunidense ou não. Ainda é importante ressaltar que o roteiro simples consegue trazer à película diálogos imponentes e marcantes, méritos também da forte atuação de Mahershala Ali. O ator, uma das surpresas positivas de 2016, dá vida a um personagem crucial para a vida do protagonista. Juan, o traficante que vendia as drogas para a mãe de Chiron (vivida por Naomie Harris), é um personagem conflitante e representou a figura paterna que faltava na vida do jovem garoto. Jenkins ainda acerta ao estabelecer a relação entre os dois personagens, que juntos protagonizam uma das cenas mais fortes do cinema nos últimos anos.

O diretor, além de fazer o equilíbrio entre o desenvolvimento do roteiro e o ritmo da narrativa, ainda traz uma direção primorosa. Usando e abusando de ângulos corretos e combinados a fotografia singular de Moonlight, Barry Jenkins confirma o seu nome entre os grandes diretores de Hollywood, mesmo que este seja apenas o seu terceiro filme. Muito disso é mérito da simplicidade adotada pelo cineasta, que sabe o que está em suas mãos e em nenhum momento torna o filme algo que ele não deve ser.

O que espanta em Moonlight não é a história em si, mas a abordagem sincera e simplista que o diferencia da maioria dos grandes dramas hollywoodianos, além de trazer a tona uma conversa particular sobre aceitação e diversidade dentro de uma temática LGBT nua e crua.

Simples e direto, Moonlight – Sob a Luz do Luar surpreende com suas características singulares, sendo um filme que choca e que se mostra grandioso, de uma forma diferente e nada apelativa. Barry Jenkins traz, aqui, uma pérola que deve ser preservada com o passar dos anos.

Avaliação

(Excelente)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
, , , , ,

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

Você Também Pode Curtir