Crítica | Kong: A Ilha da Caveira

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Depois de 12 anos de sua última aparição, em King Kong (de Peter Jackson, 2005), um dos personagens mais famosos da sétima arte retorna a sua casa, as salas de cinema, com grandiosidade. Kong: A Ilha da Caveira traz uma proposta diferente neste novo retrato do gorila gigante, dessa vez menos humanizado e muito mais feroz. Entre os blockbusters que ainda virão em 2017 – deixando de fora os filmes de super-herói -, Kong é certamente um dos melhores do ano.

A expedição liderada por Bill Randa (John Goodman) para a descoberta da inexplorada Ilha da Caveira acontece de forma rápida e sem muitas cerimônias, mostrando que a preocupação do filme não era criar uma grande jornada em busca da ilha, e sim mostrar grandes descobertas dentro do local – dando profundidade a mitologia que o longa procura estabelecer, posteriormente aterrada pela cena pós-crédito do filme. Sendo assim, o longa de Jordan Vogt-Roberts não economiza ao mostrar o mundo fantasioso governado pelo Kong e de quebra afirma que monstros realmente existem. 

É interessante ver a coragem e sinceridade na forma em que o filme se apresenta aos olhos do público. Pois, ao contrário do que poderia ser esperado de um blockbuster – uma história que faria de tudo para esconder um gorila gigante, mostrando-o apenas quando fosse necessário -, Kong: A Ilha da Caveira surpreende por não ter medo de revelar um gorila de 30 metros de altura com uma releitura muito mais animalesca do que o belo gorila que vimos em 2005. Com isso sendo um dos pontos fortes do filme, o diretor não economizou nos efeitos visuais e trouxe aparições memoráveis do grandalhão na película, principalmente porque soube valorizar a força e imponência do personagem. Com um protagonista como este, que rouba a cena com naturalidade, não era preciso ter grandes personagens na história (teoricamente), mas mesmo assim não se pode menosprezar aqueles que devem carregar este enredo de origem.

Com exceção do rei da Ilha da Caveira, o grande elenco – com nomes como Tom Hiddleston, Brie Larson, Samuel L. Jackson, John C. Reilly, entre outros – não deveria ter problemas em seus personagens. Porém, está aí o grande engano. Kong: A Ilha da Caveira não traz protagonistas fortes, e se contenta em apenas apresentar personagens bons o suficiente para que o filme funcionasse – e garantindo o momento “mother fuck” de Samuel L. Jackson, como já é de costume nos filmes em que o ator participa. Mesmo que o elenco não se sobressaia – a não ser por trazer rostos realmente conhecidos -, é impossível negar que os mesmos são totalmente eficientes e conseguem carregar bem as situações propostas pelo roteiro – sendo assim, devem apenas nas atuações.

Por outro lado, há algumas exceções, como o próprio Preston Packard (Jackson). O personagem é o que apresenta o maior arco dramático entre os protagonistas da expedição, e tal história pessoal é mérito da ambientação do roteiro em trazer o clima da guerra do Vietnã em um homem que não superou a guerra, ou que não deixou que ela saísse de dentro dele. É aí, também, que entra o clima pós Apocalypse Now, presente desde o retrato da guerra até mesmo a fotografia intimista aproveitando os extremos alaranjados do Sol, e até mesmo a sujeira dos campos de batalha. Assim, visualmente, o filme consegue um contraste que combina com o visual feroz e muito mais animalesco do novo King Kong, a aranha gigante e os principais inimigos do grandão, os lagartos gigantes.

Imagem: Divulgação/ Warner Bros.

É, também, interessante analisar que a liberdade criativa para a elaboração deste universo não tem limitações, tais limites estão apenas na mente dos diretores e roteiristas ao imaginarem até onde podem ir com essa franquia – não apenas de Kong, mas o universo fantasioso de animais gigantescos produzido pela Legendary e Warner Bros. A confirmação disso vai além de toda a mitologia estabelecido no longa, podendo se ter uma noção desse universo com a cena pós-crédito que traz a ligação direta entre este filme e Godzilla (2014), já que ambos partilham os mesmo produtores.

Sem grandes referências aos filmes que inspiram a nova história, Kong se preocupa em trazer algo inédito e grandioso, cumprindo bem com a proposta ao estabelecer um universo fantasioso de monstros gigantes em um retrato semelhante ao da jornada do herói, mas sem assumi-lá por completo. O filme ainda tenta encaixar alguns momentos dramáticos ao gorila, mas há cenas de oscilação na montagem que trazem cortes ríspidos e feitos com pouco cuidado, quebrando assim esse clima que o roteiro tenta inserir na história. Isso reflete a um, provável, receio de não deixar o ritmo frenético cair, já que este é quebrado por alívios cômicos – alá Marvel – que tornam a aventura muito mais divertida e condensada, tirando toda a densidade do legado pesado da Ilha da Caveira.

Muito disso se deve ao bom timing dos atores e a inteligência do roteiro – escrito por Max Borenstein, Dan Gilroy e Derek Connolly -, que sabe onde encaixar os momentos cômicos sem deixar a história cansativa e truncada. Portanto, Kong: A Ilha da Caveira é o blockbuster mais pipoca que chega aos cinemas, por enquanto, neste ano, mas que faz por merecer o respeito do público ao trazer uma grande aventura.

Imagem: Divulgação/ Warner Bros.

Kong: A Ilha da Caveira chegou aos cinemas na hora em que precisava chegar, e não é apenas mais um filme do King Kong. Jordan Vogt-Roberts é um nerd assumido, e por isso não espanta que o diretor tenha apresentado uma estética muito similar com a dos games em algumas cenas. Há momentos em que lembrar de Zack Snyder e suas cenas de ação em câmera lenta, ao melhor estilo 300, não é nenhum exagero, já que estas são encaixadas por puro divertimento mostrando a confiança e versatilidade do diretor.

Em escala, o novo Kong é perfeito, acerta nos mínimos detalhes da construção de seu grande gorila e principalmente no embate final, que traz uma luta impressionante – capaz de arregalar olhos e deixar queixos caídos por sua espantosa qualidade visual. Mesmo com personagens razoáveis, Kong: A Ilha da Caveira surpreende ao trazer algo inédito de uma forma absurdamente grandiosa, e assim acendendo o início de uma franquia promissora sobre monstros gigantes que reinam na terra.

Avaliação

(Ótimo)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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