Crítica | Velozes e Furiosos 8

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Velozes & Furiosos deve perdurar por mais alguns anos no cinema e a intenção da franquia fica clara a cada cena do seu oitavo filme, que é a pura diversão do seu fiel público – afinal, não é todo dia que um filme arrecada cerca de US$ 1,5 bilhão, como foi o sétimo longa da franquia. Assumindo essa proposta, e deixando totalmente de lado o compromisso com o roteiro – este trazendo a básica premissa de ação -, Velozes e Furiosos 8 usa ao seu favor a cultura do exagero em repetir uma única fórmula durante suas duas horas e quinze minutos de duração: história + ação + adrenalina = a público satisfeito.

Atualmente, são poucos os filmes que trazem a famosa “galhofagem” dos longas de ação com competência ao cinema, e que no fim se consagram um entretenimento de qualidade ao melhor estilo pipoca. Um desses filmes é, sem dúvida, Velozes e Furiosos, que mesmo em seu oitavo longa-metragem ainda consegue inovar com seu surrealismo característico – desde que a série sofreu um leve reboot no quinto longa da franquia. É fato, também, dizer que a narrativa, que pouco chama a atenção, não tenta fugir do básico, afinal se o filme fosse se comprometer com a sua história seria uma perda total de tempo assisti-lo.

Velozes e Furiosos, hoje, é reflexo de uma grande mudança do cinema – que na verdade existe, quase, que desde de sempre, mas agora é muito mais escancarada -, onde há aqueles filmes em prol da sétima arte e aqueles em prol de experiências prazerosas e divertidas, capazes de levar o grande público as salas de cinema. Com isso, é impossível não notar que o público aguarda ansiosamente pelo próximo filme de Vin Diesel e companhia.

Agora, com a traição de Toretto, a história tenta ganhar um fôlego dramático quase desnecessário, mas que consegue encontrar coerência quando apresenta a sua justificativa e mostra que pode funcionar. Porém, é claro que todo o desenvolvimento narrativo sofre com diálogos ruins, que só pioram ao serem combinados com atuações como a de Michelle Rodriguez – pavorosamente ruim, não só aqui, mas em todos os seus trabalhos. Apesar disso, o conforto do filme é encontrado junto ao carisma de seus atores, principalmente quando Dwayne Johnson entra em cena, garantindo uma diversão irreverente como se qualquer um fizesse musculação com um bloco de concreto.

Resumindo-se em questões totalmente familiares – afinal, a franquia tenta se resumir à isso desde o primeiro churrasco no quinta da casa de Dom lá em 2001 -, o longa explora o que uma família deve ter de melhor: as relações entre seus membros. Porém, não se trata da relação afetiva que cada personagem apresenta, mas muito mais sobre a dinâmica eles demonstram em cena. Tej (Ludacris), por exemplo, virou um nerd descolado, e sua participação é a mesma desde quando o personagem retornou à franquia. Assim como Roman (Tyrese Gibson), o alívio cômico irreverente, agora mais educado, mas sem perder a sua essência.

Essas constâncias que o longa apresenta ao dar o mesmo trato aos seus personagens é reflexo da fórmula do sucesso que aconteceu naturalmente, afinal é muito mais fácil fazer um filme canastrão de ação do que um longa para quem gosta exclusivamente de carros e deseja construir o seu assim como os personagens do filme – fato comprovado se analisarmos a bilheteria da fase inicial da franquia com o reboot narrativo e intencional dos últimos anos.

Com isso, há um reflexo direto às novas adições de elenco, que mostram cada vez mais que o buraco dos problemas é bem mais embaixo – isso em relação a missão de cada filme. Ou, se preferir, há o clichê dominante de que atrás de um vilão sempre há outro maior. Charlize Theron funciona na trama, é uma personagem canastrona como outro qualquer dentro do filme, assim como Kurt Russell e Scott Eastwood, ou, Sr. Ninguém e o Ninguémzinho. Além disso, é impossível não notar a ausência de Brian (que era vivido pelo falecido Paul Walker), em uma decisão respeitosa de retirar o personagem da trama. Assim, a dupla Diesel e Walker estava fora da jogada, porém, muito bem substituída por Johnson e Jason Statham – que juntos protagonizam cenas de lutas muito bem coreografadas, com uma valorização do entretenimento enorme, reforçada com o uso da câmera lenta, e fazendo referências, até certo ponto, inesperadas dentro do filme.

F. Gary Gray, diretor do filme, entende todas as necessidades da franquia ao saber que a assinatura do longa não pode ser exclusivamente sua, e assim Gray deixa o filme do jeito que os fãs da série gostam. Usando muitos efeitos práticos, e não pesando a mão nos efeitos visuais, o exagero da câmera lenta, explosões, carros voando e correndo para todos os lados, Velozes e Furiosos 8 mostra cenas de ação alucinantes e surreais, valorizando a aventura que o longa quer proporcionar para o seu público.

Com personagens sempre carismáticos e agora roubando mais a cena e dando atenção aos de terceiro plano – vide a uma cena sensacional protagonizada por Helen Mirren -, Velozes e Furiosos 8 mostra que a criatividade pode ser um problema para futuras continuações, entretanto, a franquia encontra o seu fôlego ao entender a necessidade que o público tem em ver cenas fora da realidade, ou impossíveis de acontecer. Assim, o oitavo filme da franquia segue o seu caminho, mostrando a evolução da série que se dedica puramente ao divertimento, usando-o como sua principal motivação para seguir em frente.

Avaliação

 (Bom)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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