Crítica | Alien, O Oitavo Passageiro (1979)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Alien, O Oitavo Passageiro é uma das obras mais primorosas do hoje Sir Ridley Scott, um mestre na combinação entre ficção científica e terror – além de ter outros notórios títulos em sua filmografia, invejável, como o recente Perdido em Marte (2015), Cruzada (2005), Hannibal (2001), entre outros. Mas apesar disso, Ridley Scott sabe, como poucos, centrar suas histórias em um só personagem, e este é levado ao extremo até os minutos finais do longa. É assim com Clarice (Juliene Moore) em Hannibal, Maximus (Russell Crowe) em Gladiador, e não é diferente com Ripley (Sigourney Weaver), em Alien (1979).

A obra que apresenta um grupo de pessoas dentro de uma nave, e que em algum momento precisam sair para explorar um local misterioso, traz a essência cética e natural do “dia-a-dia” dentro de uma nave espacial. A diferença, é que Ridley Scott sabe adicionar uma dinâmica única para seus personagens. Embora eles apresentem algumas diferenças entre si, é impossível não perceber a ternura dos momentos “familiares” que estes reproduzem, assim como é em uma dessas cenas que acontece o ponto de virada da história.

A levada científica da narrativa vai se desenvolvendo de forma contingente, sem expandir tanto sua trama ao ponto de ficar óbvia ou sem nenhuma surpresa. Ao contrário disso, a história de Alien, O Oitavo Passageiro evolui com clareza, deixando uma pulga atrás da orelha, onde o espectador sabe que algo pode acontecer, mas não sabe exatamente o quê. É nisso que o longa acerta, talvez em ir adicionando elementos além da ficção científica em sua história, afinal quanto mais suspense é incrementado a trama mais instigante ela fica. E assim, o longa consegue prender de forma neurótica a atenção do público.

É surpreendente, também, como o diretor apresenta seus personagens, até o momento em que fica claro que Ripley é a verdadeira protagonista, ou, a única sobrevivente do ataque da criatura xenomórfica. É com isso que o visual marcante, tanto nos cenários como na fotografia, crescem junto com a história. Há cenas, principalmente no início da aparição do xenomorfo, que são difíceis de acreditar que estão acontecendo dentro de uma espaço-nave.

Há, ainda, um diferencial um pouco exótico e que demonstra a habilidade do diretor com a câmera na mão. A filmagem, por sua vez, consegue transmitir todo o pavor e os momentos quase claustrofóbicos do filme. Acrescentando também a atuação expressiva de Sigourney Weaver, com sua personagem feminina ganhando ainda mais força pelas atitudes corajosas que tem – o diálogo final, após explodir a nave acreditando que a criatura estava lá, é o que melhor simboliza a força, garra e determinação da personagem.

Além disso, a habilidade de excluir a presença dos personagens, teoricamente mortos, é um ponto forte do filme. Afinal, o público não tem a opção de se importar com aqueles que ali não se encontram mais, e assim o longa dá atenção, exclusiva, para os acontecimentos imediatos que ali estão. Com essa narrativa inteligente e despretensiosa, que evolui corretamente com o desenvolvimento dos fatos, o Alien original inicia a sua promissora caminhada de sucesso. Apesar de ser uma das grandes obras científicas da sétima arte, o longa de Ridley Scott é muito bem escrito por Dan O’Bannon, que trabalha em sintonia com o diretor.

Junto com todas as qualidades narrativas do roteiro e dos personagens formidavelmente escritos, Alien, O Oitavo Passageiro ainda consegue, justamente em 1979, apresentar soluções visuais (vide as cenas externas no espaço), com grande realismo – visto apenas na metade da década de 1990 e no início canônico de Star Wars. E mesmo depois de quase 40 anos de sua primeira exibição, não se pode dizer que existe algo ultrapassado na história.

Alien, O Oitavo Passageiro foi ganhando a sua notoriedade ao passar do tempo. Isso não se deve apenas ao reconhecimento natural da grandeza e maestria da história, mas principalmente por ser uma das obras cinematográficas mais influentes de todos os tempos. Por tanto, Ridley Scott entrega ao cinema uma das obras mais reconhecidas da sétima arte, um thriller científico e psicológico afetuoso quando precisa, mas grandiosamente intenso na maior parte do tempo para que os olhos do espectador não parem de vibrar fervorosamente a cada minuto que se passa.

Avaliação

(Excelente)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

Você também pode gostar