Crítica | Gostosas, Lindas e Sexies

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Gostosas, Lindas e Sexies é um longa dedicado a um único público, porém, subestimando a inteligência do mesmo ao usar de momentos preconceituosos – como uma cena no elevador ridiculamente apelativa -, machistas, sexistas e violentos como fetiche das mulheres – como um colega de trabalho, argentino, assediando uma funcionária. São coisas normais, (in)felizmente, mas a abordagem utilizada pela obra faz dela mesma algo completamente contraditório, e em alguns momentos, deplorável.

A história acompanha a vida de quatro amigas – Cacau Protásio, Lyv Ziese, Mariana Xavier e Carolinie Figueiredo -, que sofrem preconceito e desigualdade por estarem acima do peso. A história tenta ser linear, mas falha na narrativa confusa e bagunçada ao tentar dar espaço igualitário para o arco dramático de cada uma das protagonistas – a narrativa lembra bastante de As Brasileiras, ou, As Cariocas, ao retratar o problema do dia-a-dia de determinadas mulheres, porém, aqui temos um longa-metragem pouco eficiente ao se assemelhar a este mesmo formato narrativo.

Ernani Nunes, que dirige o longa, não consegue conduzir de forma coesa e interessante a história das quatro mulheres, dando destaque para todo o tipo de clichê romântico e que pouco condiz com a intensão de empoderamento feminino da história – vide o arco do marido que trai a mulher com uma loira magra e bonita, ou as colegas magras com cabelo chanel preconceituosas. Assim, com esses problemas de roteiro, o longa não alcança nenhum dos seus objetivos, desde os mais simples ao pretender ser apenas um entretenimento divertido, ou uma mensagem de auto estima para o público feminino.

O roteiro, este, demonstra problemas primordiais que vão além dos conceitos iniciais da história. As personagens não encantam ou esbanjam carisma, pelo contrário, são desanimadoras. Há diálogos pretensiosos demais em alguns momentos, e em outros, há diálogos tão fracos que são inferiores aos mais banais da Malhação ou de qualquer novela B da TV nacional.

Assim, Gostosas, Lindas e Sexies é um completo desperdício de talentos. Cacau Protásio, por exemplo, esbanja – há anos – um timing cômico invejável no cenário artístico nacional, e o longa não consegue aproveitar isso em nenhum momento. Aliás, Cacau, ao lado de Lyv Ziese, é a mais apagada do filme. E com isso, o roteiro precário não ajuda, nenhuma das atrizes, nas atuações medianas que têm, principalmente Mariana Xavier, que interpreta a mesma personagem de sempre.

Gostosas, Lindas e Sexies tinha tudo para garantir uma boa diversão, se não fosse o seu roteiro precário – e pouco coerente – e a direção sem personalidade narrativa de Ernani Nunes, que pouco sabe conduzir sua história. Ainda assim, a abordagem do longa se torna controversa ao usar do assédio sexual e da violência como fetiches femininos – como se toda mulher gostasse de ser assediada pelo colega de trabalho -, uma visão inteiramente masculina sobre a utopia do desejo feminino. Ainda há, também, os piores momentos do filme em cenas que mostram de uma forma escarrada (no pior sentido da palavra) como as mulheres acima do peso sofrem preconceito diariamente. Ou seja, com um retrato errôneo da figura feminina Gostosas, Lindas e Sexies é mais uma obra que não representa aquilo que há de melhor no cinema nacional.

Avaliação

(Muito Ruim)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.