Crítica | Girlboss – 1ª Temporada

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Imagem: Divulgação/Netflix

A seguir uma releitura livre de eventos verdadeiros… muito livre.“, é o aviso que aparece em todo início de episódio de Girlboss, o novo lançamento da Netflix. Sendo assim, é possível imaginar o que estaria inserido aqui (na história), além dos fatos reais. Seriam apenas acontecimentos em prol do entretenimento e do desafogo cômico que corre pelas veias da série? Com certeza, mas mais do que isso, são doses fora da realidade que amaciam a mensagem que o programa tenta passar, afinal, mesmo que seja a história de sucesso de uma jovem menina de vinte e poucos anos, Girlboss retrata de maneira divertida a origem do sucesso de Sophia Amoruso e da Nasty Gal.

Antes de mais nada, ou de ser só mais uma série que traz uma história de sucesso com os desafios do caminho profissional de uma pessoa bem-sucedida, Girlboss consegue inserir em sua linguagem mensagens astutas e imponentes, assim como sua protagonista, ao público feminino ao que a série se dirige – mesmo assim sendo acessível para qualquer pessoa. Com isso, a constantemente subestimada Sophia Amoruso (Britt Robertson) passa por um interessante e admirador processo evolutivo no programa – se comparar a jovem do primeiro episódio com a do último, a evolução da personagem fica absolutamente clara -, algo que deve ter acontecido na vida real, afinal o amadurecimento de cada um é um processo natural da vida.

Uma jovem mulher, considerada pela maioria das pessoas como “you’re just a girl” (você é só uma garota), mas que se comportava de maneira opositora a tal consideração. Assim, trazendo as seguintes perguntas: “Por que uma garota não é uma mulher? Que importância tem a diferença de uma garota para uma mulher? E quem determina tal qualificação?”. Com tais considerações, é interessante – e não menos inspirador – ver a personagem não aceitando rótulos e muito menos estereótipos. É claro, também, que a cultura do exagero fala alto em determinados momentos de exaltação, mas antes de mais nada, são estes momentos regados ao talento de Britt Robertson que conseguem exaltar com exito a força da protagonista. Além de aproximar o público de forma empática.

Imagem: Divulgação/Netflix

Kay Cannon, a criadora da série, esbanja estilo e versatilidade na qualidade cinematográfica que a estética apresenta. Algo que, aos olhos, causa um impacto visual digno de respeito, além de passar uma autenticidade que combina perfeitamente com a história e sua protagonista. Cannon, ainda, se sobressai na boa narrativa – apesar de ficar visível que o formato de 13 episódios da Netflix desgasta a história, ainda mais aqui, onde uma temporada de oito episódios seria o ideal -, exaltando as dificuldades e desafios da personagem ao longo da temporada. A experiência da criadora com New Girl e a agora trilogia A Escolha Perfeita, facilitam o trabalho da produtora e roteirista do programa, que sabe dialogar bem com o seu público (nicho), sem deixar a o restante (massa) de lado – A Cauda Longa, de Chris Anderson, talvez, faça ainda mais sentido depois da série.

Girlboss ainda tem ao seu favor a releitura ambientada entre 2006 e 2008, quase dez anos atrás, e mesmo assim o ponto a ser ressaltado é que a série dificilmente irá se tornar datada, ou até mesmo obsoleta – a mensagem inspiradora de garra e perseverança vale para qualquer negócio, não apenas para aqueles que tenham em mente entrar de cabeça no e-commerce, mas também a qualquer um com uma ideia na cabeça e um sonho no coração. Além disso, aos que viveram e cresceram ainda na cultura analógica, a série traz momentos nostálgicos dos anos 2000, principalmente quando Sophia usa o seu celular, modelo tijolão.

O pecado da série está em seus personagens secundários – para os fãs do mundo fashion, nada foi melhor que as participações, as vezes engraçadas, do também ícone da moda RuPaul. A raiz problemática daqueles que rodeiam a vida de Sophia ao longo da série, está quando o próprio programa tenta aprofundar a relação deles com a protagonista, como o episódio em que a amizade de Sophia e Annie (Ellie Reed) é contada desde as suas origens – o que no contexto do que realmente interessa no programa, acaba sendo desinteressante e desnecessário. Porém, quando os coadjuvantes ganhavam espaço, de verdade, na trama central o programa conseguia, enfim, evoluí-los com êxito, sem o embuste que não agregava nada à narrativa da série.

Imagem: Divulgação/Netflix

Assim, com uma protagonista de fácil identificação – determinada, autêntica, forte, destemida, auto-suficiente, independente e frágil -, Girlboss traz uma história divertida e leve de acompanhar, sem deixar os moldes da cultura pop atual de lado – principalmente quando Marissa (Misha Barton) morre no final da terceira temporada de The O.C. -, a série consegue se distanciar das obras biográficas da televisão e do cinema trazendo algo novo – porém, não inovador. Mesmo com clichês típicos do gênero (que mistura com coesão drama, comédia e romance), o programa é rejuvenescedor, mas acima de tudo, Girlboss tem muito mais para ensinar, do que para mostrar.

Avaliação

(Bom)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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