Crítica | Girlboss – 1ª Temporada

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
Imagem: Divulgação/Netflix

A seguir uma releitura livre de eventos verdadeiros… muito livre.“, é o aviso que aparece em todo início de episódio de Girlboss, o novo lançamento da Netflix. Sendo assim, é possível imaginar o que estaria inserido aqui (na história), além dos fatos reais. Seriam apenas acontecimentos em prol do entretenimento e do desafogo cômico que corre pelas veias da série? Com certeza, mas mais do que isso, são doses fora da realidade que amaciam a mensagem que o programa tenta passar, afinal, mesmo que seja a história de sucesso de uma jovem menina de vinte e poucos anos, Girlboss retrata de maneira divertida a origem do sucesso de Sophia Amoruso e da Nasty Gal.

Antes de mais nada, ou de ser só mais uma série que traz uma história de sucesso com os desafios do caminho profissional de uma pessoa bem-sucedida, Girlboss consegue inserir em sua linguagem mensagens astutas e imponentes, assim como sua protagonista, ao público feminino ao que a série se dirige – mesmo assim sendo acessível para qualquer pessoa. Com isso, a constantemente subestimada Sophia Amoruso (Britt Robertson) passa por um interessante e admirador processo evolutivo no programa – se comparar a jovem do primeiro episódio com a do último, a evolução da personagem fica absolutamente clara -, algo que deve ter acontecido na vida real, afinal o amadurecimento de cada um é um processo natural da vida.

Uma jovem mulher, considerada pela maioria das pessoas como “you’re just a girl” (você é só uma garota), mas que se comportava de maneira opositora a tal consideração. Assim, trazendo as seguintes perguntas: “Por que uma garota não é uma mulher? Que importância tem a diferença de uma garota para uma mulher? E quem determina tal qualificação?”. Com tais considerações, é interessante – e não menos inspirador – ver a personagem não aceitando rótulos e muito menos estereótipos. É claro, também, que a cultura do exagero fala alto em determinados momentos de exaltação, mas antes de mais nada, são estes momentos regados ao talento de Britt Robertson que conseguem exaltar com exito a força da protagonista. Além de aproximar o público de forma empática.

Imagem: Divulgação/Netflix

Kay Cannon, a criadora da série, esbanja estilo e versatilidade na qualidade cinematográfica que a estética apresenta. Algo que, aos olhos, causa um impacto visual digno de respeito, além de passar uma autenticidade que combina perfeitamente com a história e sua protagonista. Cannon, ainda, se sobressai na boa narrativa – apesar de ficar visível que o formato de 13 episódios da Netflix desgasta a história, ainda mais aqui, onde uma temporada de oito episódios seria o ideal -, exaltando as dificuldades e desafios da personagem ao longo da temporada. A experiência da criadora com New Girl e a agora trilogia A Escolha Perfeita, facilitam o trabalho da produtora e roteirista do programa, que sabe dialogar bem com o seu público (nicho), sem deixar a o restante (massa) de lado – A Cauda Longa, de Chris Anderson, talvez, faça ainda mais sentido depois da série.

Girlboss ainda tem ao seu favor a releitura ambientada entre 2006 e 2008, quase dez anos atrás, e mesmo assim o ponto a ser ressaltado é que a série dificilmente irá se tornar datada, ou até mesmo obsoleta – a mensagem inspiradora de garra e perseverança vale para qualquer negócio, não apenas para aqueles que tenham em mente entrar de cabeça no e-commerce, mas também a qualquer um com uma ideia na cabeça e um sonho no coração. Além disso, aos que viveram e cresceram ainda na cultura analógica, a série traz momentos nostálgicos dos anos 2000, principalmente quando Sophia usa o seu celular, modelo tijolão.

O pecado da série está em seus personagens secundários – para os fãs do mundo fashion, nada foi melhor que as participações, as vezes engraçadas, do também ícone da moda RuPaul. A raiz problemática daqueles que rodeiam a vida de Sophia ao longo da série, está quando o próprio programa tenta aprofundar a relação deles com a protagonista, como o episódio em que a amizade de Sophia e Annie (Ellie Reed) é contada desde as suas origens – o que no contexto do que realmente interessa no programa, acaba sendo desinteressante e desnecessário. Porém, quando os coadjuvantes ganhavam espaço, de verdade, na trama central o programa conseguia, enfim, evoluí-los com êxito, sem o embuste que não agregava nada à narrativa da série.

Imagem: Divulgação/Netflix

Assim, com uma protagonista de fácil identificação – determinada, autêntica, forte, destemida, auto-suficiente, independente e frágil -, Girlboss traz uma história divertida e leve de acompanhar, sem deixar os moldes da cultura pop atual de lado – principalmente quando Marissa (Misha Barton) morre no final da terceira temporada de The O.C. -, a série consegue se distanciar das obras biográficas da televisão e do cinema trazendo algo novo – porém, não inovador. Mesmo com clichês típicos do gênero (que mistura com coesão drama, comédia e romance), o programa é rejuvenescedor, mas acima de tudo, Girlboss tem muito mais para ensinar, do que para mostrar.

Avaliação

(Bom)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

Você também pode gostar