Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 2

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Se em 2014 quando lançado o primeiro filme, o que predominava era a incerteza sobre a aceitação do público em relação a Guardiões da Galáxia, a continuação tinha como sua missão superar o anterior e trazer algo ainda melhor para o público. Agora, em 2017, o objetivo foi cumprido: Guardiões da Galáxia Vol. 2 entrega uma aventura intergaláctica de grande escala, que aprofunda a mitologia cósmica da Marvel e fortalece o laço familiar entre seus personagens.

O sucesso de um filme, independente do gênero, pode significar muitas coisas, mas em Guardiões da Galáxia ele é sinônimo de liberdade, neste caso para James Gunn. Antes de qualquer coisa, a diferença entre o primeiro e o segundo filme do grupo é explícita. Em 2014, o público conheceu os Guardiões da Galáxia que o Marvel Studios quis que fossem apresentados. Agora, o mundo vê o grupo de (anti) heróis que James Gunn quis trazer aos cinemas. Assim, a identidade irreverente, e mais sem vergonha, se sobressai com a grande liberdade criativa que o diretor teve em mãos, com isso, a grandiloquência está ainda maior.

Se há um filme da Marvel em que a “galhofagem “, a comédia e a dita “porrada fofa ” funcionam na medida certa, este se chama Guardiões da Galáxia. O clima oitentista insano do filme permite que o lado criativo do roteiro apresente um universo quase que particular na visão do diretor/roteirista. Se os trajes de Peter Quill (Chris Pratt), e a aparição inicial de Kurt Russell como Ego em plena juventude, não confirmam isso, as referências musicais, o Pac-Man gigante e o controle de naves estilo fliperama dos Soberanos (Sovereign) nas batalhas espaciais conseguem evidenciar a influência.

Dessa vez, Gunn assume sem pestanejar a essência do filme  e deixa os Guardiões em um universo a parte em relação aos outros filmes da Marvel – ainda assim, fazendo algumas ligações importantes para se interlaçar com os outros longas do estúdio. Além disso, novamente a trilha sonora tem um papel importante na trama, tendo muito a dizer sobre a história. Aqui, o trabalho sonoro vai além da “batida perfeita”, na verdade, as músicas voam mais alto que isso. Além de ser inserida na hora exata, a letra das canções consegue se sobressair, não apenas pela qualidade, mas por concatenar com o enredo.

O volume dois ainda consegue trazer um roteiro eficiente e objetivo como deveria ser. Se a grande questão deixada no filme de 2014 era saber quem era o pai de Peter Quill, a resposta não demorou dois minutos para aparecer em tela. Ego, sem dúvida é a surpresa do filme – assim como sua companheira Mantis vivida por Pom Klementieff -, sendo o responsável por um twist inesperado que dá início ao terceiro ato. O trato dado ao personagem mesclando sua figura humana sem deixar o pensamento Celestial de lado, foi um tiro certeiro para o encaixe de Ego na trama. É com isso, também, que Guardiões 2 encontra soluções visuais que ficam de acordo com a devida necessidade do filme, e se Dormammu já foi um acerto para o final de Doutor Estranho no ano passado, a resolução bestial e divina de Ego não deixa por menos – inclusive, sendo mais impressionante.

Após o primeiro Vingadores (2012), o filme que mais combina com a famosa “Fórmula Marvel ” é Guardiões da Galáxia Vol. 2 – mesmo que o primeiro filme e Homem-Formiga tenham um bom uso do formato -. A continuação eleva a gambiarra cômica e espacial, dando espaço para que os personagens se permitam a zoeira e ao desenvolvimento – assim como Joss Whedon fez com Loki (Tom Hiddleston), Hulk (Mark Ruffalo) e Thor (Chris Hemsworth) em 2012, por exemplo. Porém, a funcionalidade das piadas encontra o seu norte nas interações entre Drax (Dave Bautista) e Mantis, saindo daqui boa parte dos momentos mais engraçados do filme.

Como destaque, Dave Bautista revela um timing cômico certeiro, mas a sua incapacidade de expressar sentimentos variáveis não é problema, pois os complementos que destoam das características de Drax são encontrados em Mantis, uma empata (de empática) que pode sentir o que os outros sentem. Entretanto, essa dinâmica se repete em proporções similares com Yondu (Michael Rooker) e Rocket (voz de Bradley Cooper), onde ambos desenvolvem suas redenções durante o filme – que reforça, às vezes sendo piegas em excesso, o conceito de família e da relação entre pai e filho, refletindo sobre a afirmação “pai é quem cria“.

As interações e desenvolvimentos de personagens continuam com o restante. Assim, a relação estabelecida entre Gamora (Zoe Saldana) e Nebulosa (Karen Gillian), é facilmente resolvida, tudo claro e objetivo. As interações de Baby Groot (voz de Vin Diesel), que vão desde a genial cena de abertura embalada do pequeno humanoide até os momentos em que ele tem mostra sua serventia, confirmam o bom aproveitamento dos personagens. E claro, a complexa relação de Quill e Ego, e a solução final entre Yondu e seu filho de criação, ganham as camadas corretas, correspondentes ao que o filme precisava entregar.

Sem perder tempo em explicações em demasia, Guardiões da Galáxia Vol. 2 consegue apresentar novos conceitos ao universo cósmico do filme. Assim, a história permite diversão sem cansar, e até mesmo emociona com a forma despretensiosa que o filme desenvolve as suas imprevisibilidades do ato afinal.

Trazendo uma grande aventura espacial aos cinemas, Guardiões da Galáxia Vol. 2 encontra as melhores soluções visuais possíveis para sua história, com boas resoluções dentro do roteiro enxuto, assim fazendo do “guardiansverse” algo particular, mas que não se esquece de o restante dos filmes do Marvel Studios. Pecando em pequenos excessos – como em cenas algumas expositivas em demasia -, o filme encontra o seu ritmo acelerado, divertido e cadenciado quando precisa, na relação e desenvolvimento dos seus personagens, sem desperdiçar as pequenas participações especiais – como a de Sylverster Stallone (Stakar Ogord) e a Soberana Ayesha (Elizabeth Debicki) -, e tornando-se uma história redonda do jeito que precisava ser. Nada acontece em vão no novo Guardiões da Galáxia.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 precisava superar o que ele mesmo já havia feito, e consegue. Assim, a Marvel acerta mais uma vez nos cinemas, e o filme acaba sendo a cereja do próprio bolo.

Avaliação

(Ótimo)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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