Crítica | Alien: Covenant

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Imagem: Divulgação/ Fox Films do Brasil

Alien: Covenant chega aos cinemas para engrossar o caldo que existe entre Prometheus (2012) e Alien, O Oitavo Passageiro (1979), e com as promessas de Ridley Scott de trazer a franquia de volta para a sua essência. Assim, com suspense, mistério e muito Xenomorfo, Covenant retoma as suas origens, mas não abre mão de ser uma grande ficção científica, assim como é o seu antecessor.

O novo filme da franquia retoma a premissa básica da série com pequenas novidades: uma equipe de tripulantes tem a missão de se dirigir a um determinado planeta e iniciar a fase de colonização do local, porém, um pequeno acidente cósmico faz com que os tripulantes sejam despertados de suas hibernações e estes acabam dando novos rumos para a sua jornada. Partindo desse ponto, há acontecimentos que não surpreendem, mas mesmo que percam no fator surpresa Alien: Covenant resgata a qualidade narrativa característica da saga, misturando um pouco do que Ridley Scott criou em 1979 com o que James Cameron alterou em 1986 combinada à essência científica e exploratória de Prometheus.

A todo o momento, Covenant conversa com os fãs de Alien, mas através da sua personalidade, como obra cinematográfica, ele deixa explícito que um filme como Alien, O Oitavo Passageiro pode não ser feito novamente, nem mesmo pelo seu idealizador. Assim, o filme assume o novo formato – onde existe uma mescla de autenticidade combinada a grandes homenagens e referências a sua obra canônica – e acrescenta a nova receita ingredientes que já deram certo nos filmes antigos. Ou seja, Alien: Covenant respeita o passado e abraça o futuro.

A tarefa imposta ao novo filme também era complicada. Ela começa tendo que em ser uma continuação de Prometheus, seguindo como um prelúdio de Alien, O Oitavo Passageiro (mas demonstrando uma ligação ainda mais forte com Aliens – O Resgate) e por último, mas não menos importante, fazer as pazes com os fãs da franquia. Com isso, o que o mercado cinematográfico vendeu de Prometheus, e que lá não tinha, agora está de fato em Alien: Covenant.

Imagem: Divulgação/ Fox Films do Brasil

O enredo vai se desenvolvendo a base de muito mistério e desconfiança, fazendo com que os fatos sejam interpretados com naturalidades ao invés de serem recebidos como obviedade. Ainda assim, a mistura entre ficção científica e suspense é novamente um forte elemento do filme. A essência cadenciada da narrativa também está presente no roteiro, mas tal ritmo deixa a história muito mais intrigante e enigmática do que lenta ou cansativa. Sendo assim, Covenant apresenta conceitos interessantes para a base canônica da franquia e joga diversas informações, sem explicações, para estabelecer o universo. Porém, há conceitos vagos demais e estes parecem mais como futuros de roteiro do que ganchos para filmes futuros.

No momento em que, conceitualmente, Alien: Covenant decide restabelecer alguns elementos da obra original, o roteiro usa isso ao seu favor para trazer personagens já estabelecidos. A tripulação, basicamente formada por casais, não precisa perder tempo com diálogos expositivos, pois no momento em que aparecem em cena é possível perceber o laço afetivo que o grupo tem consigo mesmo. Com isso, o único trabalho do roteiro é determinar as funções narrativas de cada um, o que é feito com facilidade, mesmo que nem todos respondam a altura no resultado final ou tenham grande participação na história.

Imagem: Divulgação/ Fox Films do Brasil

Katherine Waterston (de Animais Fantásticos e Onda Habitam) se distancia de ser uma nova Ripley (Sigourney Waever), deixando as semelhanças apenas nos trajes que usa em alguns momentos do filme. Ainda assim, sua personagem assume o posto de protagonista em boa parte da trama, mas a função principal no enredo, como de costume, só é revelada nos minutos finais – e isso não é nenhuma surpresa. O mesmo funciona muito bem com David e Walter, os androides vividos por Michael Fassbender. Mesmo que a dupla apresente a mesma essência artificial, Fassbender consegue encontrar elementos de composição diferentes para cada personagem, e ambos protagonizam cenas que rendem um ótimo estudo psicológico dos androides.

De um lado há a figura cética e egocêntrica de David, que há dez anos estuda a morfologia e anatomia do Xenomorfo e é teoricamente uma versão robótica ultrapassada de Walter, que por outro lado recebe melhorias, mas essas significam mais obediência do que um upgrade propriamente dito. Assim, a complexa relação entre os irmãos tem a dose certa de desenvolvimento, e o resultado final soa como duas pessoas iguais e ao mesmo tempo muito diferentes.

Ao contrário do que se poderia esperar Alien: Covenant não economiza no suspense e no mistério intrigante da história. Mas, apesar de não ter medo ou vergonha de mostrar os inimigos xenomorfos durante quase todo o filme, Covenant demonstra deficiência quanto ao clima de tensão aplicado em grandes momentos do filme. Ao mesmo tempo em que há a forte presença de um mistério intrigante no longa, o mesmo não consegue impor gravidade, quando acontecem os embates contra os xenomorfos. Falta vibração na receita de Ridley Scott, onde toda a apreensão causada pela figura monstruosa em Alien, O Oitavo Passageiro ou no ato final de Aliens – O Resgate se perde no novo filme, como se este clima não tivesse força o suficiente para causar grande impacto no espectador.

Imagem: Imdb

Alien: Covenant, no conjunto da obra, consegue superar o seu antecessor (Prometheus), sendo mais eficiente dentro da franquia, pois este traz uma história menos isolada do que o filme de 2012. Por outro lado, enquanto um abraçava uma nova fase ignorando o passado, o outro (neste caso o novo) se entrelaça à sua história e carrega no bolso um saquinho de fan service como se fossem balas para crianças. Mas, mesmo distribuindo os doces na hora certa o sabor, às vezes, é açucarado demais para o gosto dos fãs. Assim, Covenant homenageia o seu cânone de maneira respeitosa, mas suas referências nem sempre são bem-vindas.

Ridley Scott acerta, mais uma vez, ao retornar Alien para as suas origens, mas o mérito do diretor está em mesclar a identidade narrativa construída em Prometheus, com a essência original de uma ficção científica de horror e suspense. Alien: Covenant é sombrio, misterioso, enigmático e intenso em determinados momentos, traz um roteiro eficiente que conversa muito bem com a sua franquia, apresenta, ainda, um visual imponente e cheio de simbologias. Assim, Covenant confirma que é um retrato certeiro do que Alien poderia se tornar no dias atuais.

Avaliação

(Ótimo)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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