Crítica | O Dia do Atentado

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Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

Se há algo que Hollywood gosta de fazer com frequência, além de prestar homenagens a si própria, é um serviço de patriotismo exacerbado para os estadunidense. E para isso, nada melhor do que exaltar o trabalho de heróis da policia, forças armadas estaduais e do FBI ao retratar o atentado na Maratona de Boston, que ocorreu em 2013.

Além das claras intenções do longa, o título original, Patriots Day, já diz muito do que se vê aqui, porém, ao contrário de outros filmes que tentam trazer a mensagem patriota de forma subliminar, O Dia do Atentado demonstra plena consciência do que é e do que quer apresentar, e assim não se esconde nas costas dos seus acontecimentos.

A história começa de forma despretensiosa, assim como qualquer outro longa que atende o formato padrão do gênero, mostrando a vida dos envolvidos de forma leve, mostrando que o povo estadunidense vive em paz e tranquilidade tendo apenas os problemas do dia-a-dia para serem enfrentados. Porém fica claro, desde o início, que boa parte da introdução não tem nenhuma importância narrativa para o contexto central da história, principalmente porque os personagens são esquecidos durante todo o filme. E estes parecem ter importância, apenas, por ter a presença das pessoas reais – que ganharam retratos no filme – dando seus depoimentos nas cenas documentais pós-filme. Sendo assim, O Dia do Atentado – e suas longas 2h e 13 min – poderia trazer um retrato realista muito mais enxuto e que caminhasse direto ao ponto.

As deficiências narrativas também se refletem nos personagens mal escritos do roteiro. Aqui, fica evidente, que o trabalho de pesquisas sobre a personalidade de cada um dos principais envolvidos foi pobre ao procurar apenas o que cada pessoa estava sentindo naqueles dias específicos e abandonando a possibilidade de uma construção decente dos envolvidos. E os resultados são personagens genéricos que em meio a uma confusão desordenada, tentam a todo custo encontrar serventia dentro da narrativa.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

Os problemas do roteiro, que estão espalhados por toda a narrativa do filme, ainda prejudicam o bom elenco do filme – com a exceção de Mark Wahlberg, que já interpretou este tipo de personagem um milhão de vezes. John Goodman, J.K. Simmons e até mesmo Kevin Bacon vivem os típicos personagens charlatões dentro de filmes de ação e investigação, sejam eles baseados em fatos reais ou não.

Por outro lado, se há a intenção exagerada de realçar o patriotismo dos heróis da cidade no dia do atentado, fica clara, também, a manipulação política quanto à disputa entre EUA e os povos muçulmanos. Mesmo que originalmente os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev (vividos por Themo Melikidze e Alex Wolf, respectivamente) sejam os culpados pelo atentado, há, sim, uma generalização que põe a origem étnica e descendente dos dois como vilã da história também, o que para uma obra cinematográfica é uma abordagem politicamente errônea.

Porém, se há algum mérito que merece ser ressaltado, este é a reprodução de cenas fortes e impactantes que ocorrem entre o atentado em si e a prisão dos culpados. Peter Berg, que narrativamente apresenta uma confusão de conceitos, consegue trazer um agouro visual a sua nova obra. Apesar de mostrar o impactado dos feridos após a explosão das bombas de forma chocante e eficiente, o diretor acerta quando as cenas de ação – que evocam o enfrentamento da policia local contra os irmãos fortemente armados – funcionam, quase, como um escapismo da própria história, fazendo com que tal momento pareça muito mais com um thriller policial de qualidade.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

Por outro lado, O Dia do Atentado também sofre com os fatores de localidade da sua história. Ou seja, dificilmente o espectador se importará com tais acontecimentos devido a falta de proximidade com o ocorrido. Nas cenas já descritas aqui, onde o diretor consegue impactar com a violência visual e um tiroteio muito bem orquestrado, o mesmo não se repete com a parte dramática da história. Assim, os acontecimentos não provocam nenhuma reação em quem assiste, afinal, mesmo que o fato em si impacte e choque o público, o que resta não tem a mínima importância.

Portanto, O Dia do Atentado nada mais é do que apenas mais um filme de um gênero que exalta apenas o que o povo norte-americano gosta de assistir: a exaltação o próprio ego do país – desta forma, sendo um desserviço para o mercado internacional, que não tem relação nenhuma com o patriotismo estadunidense. E mesmo como entretenimento, O Dia do Atentado também se torna questionável.

Avaliação:

(Razoável)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

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