Crítica | O Dia do Atentado

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

Se há algo que Hollywood gosta de fazer com frequência, além de prestar homenagens a si própria, é um serviço de patriotismo exacerbado para os estadunidense. E para isso, nada melhor do que exaltar o trabalho de heróis da policia, forças armadas estaduais e do FBI ao retratar o atentado na Maratona de Boston, que ocorreu em 2013.

Além das claras intenções do longa, o título original, Patriots Day, já diz muito do que se vê aqui, porém, ao contrário de outros filmes que tentam trazer a mensagem patriota de forma subliminar, O Dia do Atentado demonstra plena consciência do que é e do que quer apresentar, e assim não se esconde nas costas dos seus acontecimentos.

A história começa de forma despretensiosa, assim como qualquer outro longa que atende o formato padrão do gênero, mostrando a vida dos envolvidos de forma leve, mostrando que o povo estadunidense vive em paz e tranquilidade tendo apenas os problemas do dia-a-dia para serem enfrentados. Porém fica claro, desde o início, que boa parte da introdução não tem nenhuma importância narrativa para o contexto central da história, principalmente porque os personagens são esquecidos durante todo o filme. E estes parecem ter importância, apenas, por ter a presença das pessoas reais – que ganharam retratos no filme – dando seus depoimentos nas cenas documentais pós-filme. Sendo assim, O Dia do Atentado – e suas longas 2h e 13 min – poderia trazer um retrato realista muito mais enxuto e que caminhasse direto ao ponto.

As deficiências narrativas também se refletem nos personagens mal escritos do roteiro. Aqui, fica evidente, que o trabalho de pesquisas sobre a personalidade de cada um dos principais envolvidos foi pobre ao procurar apenas o que cada pessoa estava sentindo naqueles dias específicos e abandonando a possibilidade de uma construção decente dos envolvidos. E os resultados são personagens genéricos que em meio a uma confusão desordenada, tentam a todo custo encontrar serventia dentro da narrativa.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

Os problemas do roteiro, que estão espalhados por toda a narrativa do filme, ainda prejudicam o bom elenco do filme – com a exceção de Mark Wahlberg, que já interpretou este tipo de personagem um milhão de vezes. John Goodman, J.K. Simmons e até mesmo Kevin Bacon vivem os típicos personagens charlatões dentro de filmes de ação e investigação, sejam eles baseados em fatos reais ou não.

Por outro lado, se há a intenção exagerada de realçar o patriotismo dos heróis da cidade no dia do atentado, fica clara, também, a manipulação política quanto à disputa entre EUA e os povos muçulmanos. Mesmo que originalmente os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev (vividos por Themo Melikidze e Alex Wolf, respectivamente) sejam os culpados pelo atentado, há, sim, uma generalização que põe a origem étnica e descendente dos dois como vilã da história também, o que para uma obra cinematográfica é uma abordagem politicamente errônea.

Porém, se há algum mérito que merece ser ressaltado, este é a reprodução de cenas fortes e impactantes que ocorrem entre o atentado em si e a prisão dos culpados. Peter Berg, que narrativamente apresenta uma confusão de conceitos, consegue trazer um agouro visual a sua nova obra. Apesar de mostrar o impactado dos feridos após a explosão das bombas de forma chocante e eficiente, o diretor acerta quando as cenas de ação – que evocam o enfrentamento da policia local contra os irmãos fortemente armados – funcionam, quase, como um escapismo da própria história, fazendo com que tal momento pareça muito mais com um thriller policial de qualidade.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

Por outro lado, O Dia do Atentado também sofre com os fatores de localidade da sua história. Ou seja, dificilmente o espectador se importará com tais acontecimentos devido a falta de proximidade com o ocorrido. Nas cenas já descritas aqui, onde o diretor consegue impactar com a violência visual e um tiroteio muito bem orquestrado, o mesmo não se repete com a parte dramática da história. Assim, os acontecimentos não provocam nenhuma reação em quem assiste, afinal, mesmo que o fato em si impacte e choque o público, o que resta não tem a mínima importância.

Portanto, O Dia do Atentado nada mais é do que apenas mais um filme de um gênero que exalta apenas o que o povo norte-americano gosta de assistir: a exaltação o próprio ego do país – desta forma, sendo um desserviço para o mercado internacional, que não tem relação nenhuma com o patriotismo estadunidense. E mesmo como entretenimento, O Dia do Atentado também se torna questionável.

Avaliação:

(Razoável)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
, , , , , , , , , ,

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

Você Também Pode Curtir