Crítica | Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar

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O quinto filme de Piratas do Caribe chega aos cinemas e confirma o que já era óbvio desde o anterior: a franquia perdeu a magia, genialidade e originalidade dos seus primeiros dois filmes, mas ainda demonstra a capacidade de divertir e entreter. Piratas do Caribe mostra dificuldade ao tentar ser o blockbuster que um dia já foi. Hoje, não passa de um filme de aventura como qualquer outro, pois sua fórmula não funciona tão bem como era há dez anos. Ainda assim, A Vingança de Salazar se esforça para ser o recomeço que Navegando em Águas Misteriosas (2011) não conseguiu ser, e resgata uma parte interessante, porém fraca, da mitologia e das lendas piratas que Gore Verbinski fazia tão bem em seus filmes.

A Vingança de Salazar segue uma linha narrativa pouco interessante, como fez o longa anterior, mas desta vez os piratas partem em busca do Tridente de Poseidon, algo que destoa dos mitos já estabelecidos pela franquia, puxando a brasa para algo de muito antes da era em que a história se passa, mas principalmente porque o controle do mar já foi discutido na franquia – e na ocasião, a temática foi mais inteligente.

O novo filme também faz questão de mostrar as duas coisas que Hollywood mais gosta de fazer, além de ganhar dinheiro; a primeira é mostrar o passado dos personagens como uma válvula de escape de uma história que não tem mais o que contar, e aqui isso funciona; e segundo, não há nada melhor do que trazer os filhos de alguns personagens para mover a trama do filme. Mesmo que mais uma vez Piratas do Caribe tenha trago uma história pouco criativa e de motivações fracas, os novos personagens são mais eficientes e sabem mover a trama, mas não há como negar que Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swan (Keira Knightley) são insubstituíveis na franquia. Tanto que quando os dois aparecem, além de emocionante, a cena ressalta um frescor e a esperança de que Piratas do Caribe possa voltar aos seus tempos de glória, se assim podemos dizer.

Outra afirmação que o longa exalta, é que dificilmente um vilão da série vai ser melhor do que Davy Jones (Bill Nighy). O talento de Javier Bardem, que traz um histórico de ótimos vilões, não é o suficiente para fazer de Salazar um antagonista de respeito. Mesmo que haja imponência no CGI que constitui a estética do personagem, falta um senso maior de periculosidade por parte do roteiro. Salazar apresenta, sim, um bom potencial no começo, mas isso é diluído com o trato genérico que o vilão recebe. Assim, a presença do antagonista pode ser questionável, se duvidar, é até dispensável. Fato é: se não houvesse um vilão aqui, Piratas do Caribe 5 levaria o público a uma aventura leve, divertida e despretensiosa, marca registrada do primeiro filme lançado em 2003.

Jack Sparrow, que era um dos pontos fortes da trama nos outros filmes, perdeu a genialidade. Agora é um bêbado, um pouco velho e menos inteligente, bem menos engenhoso e sem a magia do fanfarrão que movia o humor nos filmes anteriores. Sparrow sofre com o roteiro ruim e com o mau momento de Johnny Depp, mas além disso, o próprio ator, há anos atrás, já havia afirmado que Jack mostrou tudo o que poderíamos ver dele, e isso fica evidente em A Vingança de Salazar. Não há apenas a má vontade do roteiro ao utilizar, mal, o personagem, mas o filme ainda admite que não está a fim de reinventar a franquia ou de trazer algo novo à narrativa – mesmo que outros personagens consigam movimentar a trama com êxito. A preocupação, na verdade, está em fornecer ao público um divertido espetáculo visual, e ao bem da verdade o 3D é um componente utilizado com sensatez pela dupla de diretores (Joachim Rønning e Espen Sandberg).

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar está longe de ser ruim como o filme de 2011, entretanto, o longa é igualmente preguiçoso em seu roteiro nada criativo, e é basicamente um mesmo filme com uma história diferente, porém, mais decente. O trabalho de Joachim e Espen é muito bem feito na maior parte do tempo, há cenas grandiosas e eloquentes que só Piratas do Caribe pode proporcionar, como a cena após a abertura do longa, que mostra o roubo de um banco de uma forma nada convencional.

Por outro lado, o mesmo cuidado não se reflete em pequenos momentos em que há erros de continuidade grotescos e banais, uma edição estranha que levanta dúvidas quanto a cena ser mal filmada ou, de fato, mal acabada. Mesmo que o visual garanta o entretenimento, parece que a aventura marítima de Piratas do Caribe escapa das mãos dos seus diretores e eles perdem totalmente o controle daquilo que fazem, tanto que, novamente, a marinha britânica desempenha um papel vergonhosamente dispensável – núcleo que traz a participação, irritante, de David Whenham (O Senhor dos Anéis), compensada pela aparição divertida de Paul McCartney como o tio de Jack Sparrow.

O novo filme ainda causa a boa sensação de nostalgia ao tentar trazer a dinâmica incrível que Depp, Bloom e Knightley tinham há anos atrás, agora com Depp, Brenton Thwaites (Henry Turner, o filho de Will) e Kaya Scodelario (Carina Smithy, uma grata surpresa, previsível, que o longa proporciona). Mas, assim como há um acerto em vincular os personagens, há também a falta de algo mais temperado, e menos corriqueiro, ou seja, um desenvolvimento que faça com que o público volte a se importar com os personagens que estão na tela. Isso se deve, também, ao conflito pouco interessante entre a crença em mitos lendários e os questionamentos da ciência, chegando a citar, até mesmo, Galileu Galilei quando a solução da própria ciência estava em crer no mito astrônomo da Estrela Guia.

Se há algum acerto em Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar, ele acontece quando o longa se propõe em resgatar conceitos marcantes da franquia, que já foi mais inteligente em outras épocas. Ainda assim, o quinto filme consegue respirar e apresentar na sua cena final a oportunidade de encerrar a história dos piratas com dignidade.

A Vingança de Salazar (que pouco importa no filme) é um blockbuter competente quanto a função de entreter e divertir com os momentos de peripécia da trama, mas como um novo capítulo da franquia ele é mais preguiçoso que o Capitão Jack Sparrow depois de algumas garrafas de rum. Sendo assim, o longa se resume a cenas de grande escala, como qualquer outro blockbuster pode fazer, apresentando um roteiro vazio e deixando de lado, por exemplo, as galantes lutas de espada que Jack Sparrow e outros personagens costumavam travar em momentos memoráveis da franquia – que aqui, quando acontecem, ou não chamam a atenção, ou são mal coreografadas. Ainda assim, o novo Piratas do Caribe respeita o legado estético da franquia, e é visualmente impecável.

Avaliação

(Bom)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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