Crítica | Mulher-Maravilha

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Imagem: Divulgação/ Warner Bros. Pictures

Mulher-Maravilha não chega aos cinemas apenas para colocar o Universo DC no rumo certo. O filme solo da Princesa das Amazonas é também um ícone importante para a Cultura POP, pois por decisões sábias da diretora, Patty Jenkins, Mulher-Maravilha transcende o subgênero dos super-heróis ao trazer em seu subtexto mensagens ricas e inspiradoras sobre amor ao próximo, fé (em você mesmo) e esperança. Esta última vem a calhar não apenas por ser uma das características da DC Comics nos quadrinhos, mas também pela esperança em um mundo melhor.

Desde pequena, Diana (vivida por Lilly Aspell aos 8 anos, por Emily Carey aos 12 e por Gal Gadot na fase adulta) é uma figura cativante, destemida e inspiradora. Uma criança interessada no passado de glórias das Amazonas e fascinada pela missão das mulheres em manter o mundo em ordem, mesmo que após séculos elas estejam isoladas da humanidade. A história, assim como a protagonista, começa despretensiosa e inocentemente começa a desenvolver a sua narrativa apresentando um breve prólogo sobre os Deuses que fortalecem as crenças e raízes de Diana. A origem, de fato, da personagem contempla e respeita o que já foi apresentado nos quadrinhos, e no longa tais revelações dizem muito sobre a personagem.

Sem conhecer nada além das paisagens de exuberantes de Temiscera, Diana e sua inocência ao ver um homem pela primeira vez vão conquistando cada vez mais o público. Muito disso se deve, também, ao carisma marcante de Gal Gadot, totalmente à vontade no papel. A jornada da personagem busca não apenas o descobrimento dos seus poderes e de até onde ela é capaz de seguir suas motivações, mas aborda também o nascimento da Mulher-Maravilha como uma Heroína. Fato, este, que não se garante apenas com a épica protagonista, mas na verdade sendo fruto da evolução da personagem.

Diana, apesar de carregar uma bagagem cheia de lições e ensinamentos durante o longa, traz consigo extrema leveza e determinação, características que combinam com a tamanha força, imposição e representatividade da personagem. Em um primeiro momento, há a impressão que filme e protagonista destoam um do outro, mas isso é causado pela força (não física) da protagonista, que não aceita as atitudes erradas do homem perante a vida de milhões de inocentes, confrontando aquilo que é errado. Há também um contraste realista entre a figura de Diana que pode ser percebido quando comparada com outras personagens femininas – Etta (Lucy Davis) e Dra. Maru/Veneno (Elena Anaya), ambas submissas às vontades do homem, porém, Etta luta pelo direto de voto (tema discutido na época) das mulheres.

Imagem: Divulgação/ Warner Bros. Pictures

O roteiro, por sua vez, é bastante coeso e encontra explicações boas, decentes e aceitáveis para diversos dilemas do filme. A história de origem da personagem mostra que o roteiro escrito por Allan Heinberg compreende a essência da Mulher-Maravilha, assim como deixa evidente o dedo de Geoff Johns no tom inicialmente leve do filme. Outro mérito está também na relação e desenvolvimento de personagens. O background dado à boa parte dos coadjuvantes está na medida certa para que estes tenham a simpatia do público, e sem aprofundar grandes questões, o filme consegue passar parte das dificuldades de pessoas que abandonaram os seus sonhos para viver na guerra – sem falar daqueles que nada tem a ver com isso e acabam sofrendo as penalidades.

Mulher-Maravilha é mais do que um filme de origem, é também uma história de guerra e um romance bem construído entre Diana e Steve Travor (Chris Pine). Ao bem da verdade, a paixão (se assim podemos dizer) entre os personagens parece muito mais platônica em grande parte do filme, mas esta ainda é regada pela inocência da protagonista até o momento em que filme dá a chance para a relação se desenrolar. Sem grandes rodeios, o amor entre os dois é o ponto chave para o nascimento da Mulher-Maravilha. Chris Pine, que ao lado de Gal Gadot, era o grande nome do elenco, está contido durante o filme, afinal só há espaço para Diana roubar a cena. Mas no momento certo o ator e o personagem ganham o seu devido destaque, sendo este um dos pontos mais relevantes da história.

Patty Jenkins demonstra desde o começo o filme que quer fazer, e uma direção com tanto objetivo e convicção não poderia dar errado. Porém, Mulher-Maravilha têm deslizes. O segundo ato, por exemplo, quase caí em um marasmo repetitivo sem apresentar um desenvolvimento tão envolvente como foi anteriormente. A diretora, mesmo que rumando sempre o mesmo objetivo, exagera no CGI e em determinados momentos perde o controle visual das cenas ação, onde fica visível que parte daquilo que está na película, de fato, não é real.

A diretora, ainda, não consegue fazer com que o vilão, Ares, não fuja do comum nos minutos finais. Ao bem da verdade, os méritos em relação ao antagonista estão na forma como ele foi escondido pelo roteiro, causando um plot twist previsível, porém, decente e coerente. O personagem, por fim, traz consigo motivações nobres se encaixadas no contexto que ele mesmo impõe em cena, deixando tudo às claras do jeito que deveria ser. Além disso, a ameaça do vilão é temida apenas pela protagonista, afinal, aqueles a cercam pouco acreditam que o Deus Guerra realmente existisse. Algo que no filme pouco importa para o público, pois Gal Gadot é extremamente eficiente ao fazer o espectador acreditar que existe uma grande ameaça ali.

Imagem: Divulgação/ Warner Bros. Pictures

Apesar dos problemas mínimos que não comprometem a experiência, Mulher-Maravilha é um acerto da DC/Warner. O filme traz estabilidade e segurança, além de esperança, para o universo cinematográfico, mas, mais do que isso, Mulher-Maravilha ainda traz cenas marcantes e memoráveis – vide ao momento emblemático da heroína no front contra os alemães. A diretora faz de boa parte de suas cenas de ação um balé de lutas glamourosas que exaltam força e delicadeza, nas mesmas proporções, em cada golpe das Amazonas. Ainda assim, o longa deixa o famoso gostinho de quero mais em relação às guerreiras, principalmente depois do espetáculo regido por Patty Jenkins na primeira grande cena de combate de Mulher-Maravilha.

Mulher-Maravilha tem muito do que se orgulhar. O filme traz uma protagonista encantadora, pois o longa de Patty Jenkins traz um filme de origem de uma personagem que conquista o espectador a cada aparição. Mas, além dos acertos está o subtexto rico de Mulher-Maravilha, que exalta a representatividade feminina que até então era desconhecida em filmes de super-herói. Assim, Mulher-Maravilha consolida seus passos dentro do Universo DC tendo a segurança e convicção de sua diretora, que não precisa de um filme grandioso para contar uma ótima história. E aqui nasce, além de uma heroína, um novo ícone feminino para a cultura pop.

Avaliação

(Ótimo)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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