Crítica | Baywatch – S.O.S. Malibu

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Imagem: IMDb / Créditos: Frank Masi – © 2017 Paramount Pictures

Não é sempre que o cinema está aberto a receber um filme ao estilo besteirol, este não gratuito e muito menos tolo, que tenta ter um status de Velozes e Furiosos. Baywatch é basicamente isso, porém, tem uma história para contar e aqui já começam os problemas da produção. Um filme com sua primária intenção estando ao lado de divertir o grande público não tem muito que contar se não o clichê pelo clichê, e é isso que o filme escolhe fazer.

A trama (de cara) lembra histórias ao estilo Bad Boys (aquele com Will Smith e Martin Lawrence), alterada para o formato do tiozão (Dwayne Johnson) e o seu “pupilo” medalhista olímpico que vive a amargura do fracasso após o sucesso (Zac Efron), o restante, segundo o próprio filme, não tem grande relevância, pois apenas estes dois personagens tem algum arco dentro da história. Alexandra Daddario (Summer), Kelly Rohrbach (C.J. Parker) e Ilfenesh Hadera (Stephanie) não tem desenvolvimento algum, servem como monumentos e objetos que hora ou outra servem para alguma coisa – além de serem as protagonistas em closes sensuais e piadinhas sobre peitos e bundas. Sendo assim não há motivos que o longa apresente para qualquer uma das atrizes demonstrar algum talento, já que a direção e roteiro deixam claro que elas estão ali porque são belíssimas mulheres.

O mesmo vale para a vilã, Victoria Leeds, vivida por Priyanka Chopra, uma personagem canastrona como qualquer vilão meia boca que foi escrito apenas porque o filme precisava. Em 2000, Chopra foi eleita Miss Mundo representando seu país de origem, a Índia, e dona de uma beleza indiscutível a atriz ,que estrela a série estadunidense Quantico, pouco tem o que fazer no filme, a não ser mostrar as curvas exuberantes durante os momentos de câmera lenta.

A direção sabe transmitir alguma adrenalina nas cenas de ação, ao bem da verdade, há algumas perseguições bem filmadas, porém, todas parecem ter cenas cortadas e o resultado é uma edição freneticamente picotada. O slow motion funciona como uma galhofa inicial, mas a repetição torna-se apelativa a cada close no balanço dos seios das personagens, que em vários momentos parecem estar ali só para isso, além de passar uma impressão taradista da produção. E justamente em 2017, esta é uma visão retrógrada e cheia de estereótipos: a loira burra gostosa; a morena inteligente e sensual; o gordinho feio que entende de computador e pega a loira no final; o saradão querido por todo mundo e o jovem famosinho que precisa se provar. Com o material que o diretor tinha em mãos, as possibilidades criativas para o remake eram muitas, mas o veio para os cinemas não é tão inventivo como poderia.

Imagem: IMDb / Créditos: Frank Masi – © 2017 Paramount Pictures

Originalmente, Baywatch (S.O.S. Malibu no Brasil) foi uma das séries de maior sucesso da história da televisão americana, detentora de uma das maiores audiências entre as séries de TV, o que em tempos de The Walking Dead e Game of Thrones, não é para qualquer um. Mas, se a série tinha algo a oferecerem além de transformar, por exemplo, Pamela Anderson e David Hasselhoff (ambos com participações especiais no remake) em dois dos maiores sex symbols da década de 1990, os personagens tinham mais a entregar do que os do remake feito no cinema. Apenas Matt Brody (Efron) apresenta durante a história uma jornada e esta é bastante similar ao do seu personagem em Vizinhos 2.

Depois de ser ídolo teen, devido ao sucesso de High School Musical, Efron está se afirmando nas comédias e o timing que o ator apresenta é mais do que satisfatório. Somado a química natural entre ele e Dwayne Johnson temos aqui as melhores piadas do filme, sem que estas tenham algum apelo sexual, afinal em sua maioria elas zoam a figura de Efron, intitulando-o de “One Direction“, “NSYNC” e até mesmo “High School Musical“. Estes momentos são os com a maior capacidade de garantir uma diversão escapista e que valha o entretenimento, pois o restante já foi visto em outros filmes.

Apesar de não apresentar grandes novidades na história que quer contar, o remake traz um status próprio de blockbuster e assim deveria apresentar um filme de ação bem feito, mas no momento em que a direção opta por usar o CGI no lugar dos efeitos práticos os problemas começam a aparecer. A péssima qualidade visual de Baywatch compromete a diversão que boa parte do filme poderia proporcionar (é mais fácil de rir da vergonha alheia do filme do que das próprias piadas), há fogo e explosões mais falsos que desenhos animados e fica mais do que óbvio quais cenas foram feitas dentro e fora do estúdio – sendo “painéis de papelão” a descrição mais honrosa para tais defeitos grotescos. Entretanto, o problema não está apenas na qualidade, afinal ela combina com a farofa que é o filme, porém, ela não conversa com o roteiro que tenta se levar à sério mesmo quando cria uma grande palhaçada que pouco conquista a empatia do público.

Imagem: IMDb / Créditos: Frank Masi – © 2017 Paramount Pictures

Em meio à referências e homenagens sinceras e respeitosas à série original, Baywatch – S.O.S. Malibu se compromete sem se comprometer, a redundância da afirmação é o que melhor resume a pataquada de Seth Gordon. O diretor, que pouca habilidade demonstra para conduzir a história, perde a chance de tornar o novo Baywatch um ícone para uma outra época, porém, sem se adequar aos moldes atuais do entendimento alheio, o remake tem a cara de uma comédia de “cinema b” com um bom elenco – este liderado por Dwayne Johnson, que aqui é apenas Dwayne Johnson, o que a nível de entretenimento vale a pena, pois ele é um dos astros mais carismáticos de Hollywood.

No fim das contas Baywatch pode divertir, pode até entreter, mas é um filme a típico, não inova e opta por fazer um feijão com arroz mal temperado. Mesmo que o lado cômico funcione na maioria das vezes, não há como negar que boa parte deste alívio é feito com muito mau gosto e a pouca diversão que o filme é capaz de proporcionar funciona em determinados momentos, enquanto em outros ela fica ofuscada pelo brilho chamativo dos péssimos efeitos “especiais” que agridem os olhos de olha a película. Baywatch, em suma, não é nada demais e tendo uma premissa puramente dedicada ao entretenimento o mínimo que poderia ter feito era entregar uma aventura divertida e carismática, e isso pouco acontece por aqui.

Avaliação

(Regular)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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