Crítica | Tudo e Todas as Coisas

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Imagem: Divulgação/ Warner Bros.

Romances adolescentes tendenciosos tornam-se cada vez mais recorrentes no cinema. Tudo e Todas as Coisas parece ser uma nova versão de A Culpa É das Estrelas e até mesmo de Como Eu Era Antes de Você, pois tem as mesmas intenções melodramáticas do drama teen de 2014 e uma relação com polêmica como o romance do ano passado. Mas ao contrário disso, Tudo e Todas as Coisas poderia ser mais um clichê pelo clichê se o seu final não reservasse um crime doentio romantizado pela própria obra.

Comandado por Stella Meghie, Tudo e Todas as Coisas acompanha a história de uma jovem que não pode sair de casa e tem a sua vida, de fato, esterilizada por causa de uma doença que afeta o seu sistema imunológico, ou seja, se respirar fora do local onde vive ela pode morrer (por exemplo). A diretora consegue fazer com que o espectador acredite no problema de Maddy (Amandla Stenberg, a Rue de Jogos Vorazes) sem fugir do estereótipo básico dos adolescentes de classe média alta que tem tudo na vida, mas vivem em meio aos problemas pessoais.

A história, que se desenvolve com a pretensão de emocionar, não encanta e muito menos surpreende, mas consegue ser minimamente interessante por causa do casal de protagonistas. Amandla Stenberg e Nick Robinson (Jurassic Wolrd) entregam uma química decente desde o início do amor platônico entre os dois até o real romance, que segue os paços shakespearianos de atirar a pedrinha na janela e da fuga em prol do amor proibido. O carisma de ambos é como um desafogo à história do longa, baseada na obra homônima de Nicola Yoon, que não deixa de seguir os moldes convencionais de qualquer outro filme parecido.

A diretora não inventa nada enquanto comanda o projeto, mas fica nítido que os espaços internos são bem explorados e, porém, as vezes mostrados de forma exagerada com closes que reforçam aquilo que todos já sabem, caso o público não tenha inteligência o suficiente para entender o sentido figurado ela acaba mostrando o literal também. O didatismo adotado pelo longa trata o seu público como um bebê, que só consome o que já está mastigado. Assim, Tudo e Todas as Coisas se torna um romance escapista que não proporciona aproximação a realidade, dificultando ainda mais a empatia entre espectador e personagem.

Imagem: Divulgação/ Warner Bros.

Como se não bastasse à história fraca, Tudo e Todas as Coisas surpreende negativamente no final, quando mostra que tudo aquilo que aconteceu era proveniente de uma grande mentira. Assim, o que não encantava antes começa a se tornar frustrante por romantizar o que se caracteriza como um crime cometido por pessoas doentes, pois ninguém em sã consciência poderia fazer isso com outra pessoa.

Tudo e Todas as Coisas não passa de uma mentira que tenta emocionar sem motivo, subestimando não apenas a inteligência alheia, mas tirando sarro do senso perceptivo e do julgamento de cada pessoa. O longa tenta manipular o espectador para que o mesmo veja um crime sério sendo romantizado em nome de um melodrama pretensioso. Sem dúvida alguma, Tudo e Todas as Coisas é um filme perigoso e irresponsável que distorce o que é o amor de uma mãe pela filha, transformando-o em uma relação abusiva e possessiva. Tudo e Todas as Coisas (do filme) não descem pela garganta e deixam um gosto amargo de vergonha como resultado final.

Avaliação

 (Regular)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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