Crítica | Meu Malvado Favorito 3

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Imagem: Divulgação/ Universal Pictures

Meu Malvado Favorito vem se tornando uma das franquias de animação mais adoradas dos últimos anos. Muito disso se deve a popularidade dos Minions, junto ao carisma dos próprios personagens principais da animação. Agora, no seu terceiro filme, a franquia ainda se mostra capaz de divertir e entreter com uma história leve que serve tanto para o público infantil como também para os adultos.

Gru e companhia retornam à tela grande com uma história simples e interessante: o protagonista e a namorada são demitidos da agência secreta em que trabalhavam, causando uma crise existencial no malvado carismático, que é surpreendido com a descoberta de um irmão gêmeo e parte em busca de quem sabe recuperar o tempo perdido.

Inicialmente a trama se desenvolve de um jeito frenético, cheia de momentos engraçados e divertidos direcionados ao público infantil, mas ao decorrer do filme e com os rumos da jornada de cada personagem ganhando forma os adultos começam a ganhar espaço nas intenções da animação. Mesmo que o público-alvo sejam os baixinhos, Meu Malvado Favorito 3 não deixa de desenvolver um bom relacionamento entre os personagens, a dinâmica entre os irmãos Gru e Dru, por exemplo, é conveniente para o dilema existencial de ambos, chegando até mesmo como uma grata surpresa por não subestimar crianças e adultos.

O ritmo segue, também, com a jornada materna de Lucy que tenta se mostrar uma boa mãe para Agnes, Edith e Margo. Porém, mesmo que a jornada feminina como um todo seja interessante e promissora, o filme não sabe aproveitar por completo a caminha de suas personagens. A exceção é a pequena Agnes e sua busca fofíssima por unicórnios – a obsessão da personagem encanta, diverte e é sem dúvida uma das melhores partes do filme.

Imagem: Divulgação/ Universal Pictures

É claro que junto a todo este desenvolvimento, o contexto fica por conta dos Minions, que se por um lado decepcionaram com um filme solo ruim, por outro conseguem trazer alguns bons e engraçados momentos em Meu Malvado Favorito 3, afinal eles não foram feitos para serem protagonistas e sim coadjuvantes. Fica evidente que as criaturinhas amarelas só têm uma grande jornada aqui por fazerem sucesso, reforçando algumas pequenas mudanças visuais que servem para os novos bonecos, que novamente devem ser sucesso de vendas.

Enquanto todos esses personagens encantam as crianças, os adultos começam a receber algumas pequenas mensagens conforme a trama vai andando. O vilão, Balthazar Bratt, além de ser eficiente para movimentar a trama é responsável por trazer o clima oitentista, básico, ao filme. Desde a trilha sonora muito bem selecionada até o cubo mágico como elemento nostálgico para quem teve sua infância nos anos 2000.

Indo além da ambientação, Meu Malvado 3 ainda surpreende com o background do vilão. Bratt era uma estrela mirim na década de 1980, hiper valorizado enquanto era protagonista de uma série de TV, onde interpretava um pequeno vilão inconsequente. Conforme o tempo passou, o personagem foi caindo no esquecimento e os traumas da perda da fama começaram a se refletir em suas atitudes, fazendo com que Bratt virasse um vilão também na vida real. É interessante e ousado que a animação faz com Hollywood, que tende a esquecer daquilo que hoje já não é mais sucesso (lembram de Macaulay Culklin?), colocando o dedo em uma das várias feridas do mercado cinematográfico.

Imagem: Divulgação/ Universal Pictures

Assim a motivação do vilão é simplesmente destruir Hollywood e através dos seus chicletes que ficam gigantes mandá-la para o espaçado, como uma vingança pelo seu próprio sofrimento. Bratt, por fim, surpreende muito positivamente aqueles que esperavam um antagonista que estivesse ali só porque precisava estar, e ao contrário disso a ex estrela dos anos 80 traz uma carga dramática compreensiva, sendo mais um personagem que deve conquistar o grande público – mesmo que mais uma vez o filme não aproveite todo o grande potencial do personagem.

Meu Malvado Favorito 3 repete a mesma fórmula que deu certo no primeiro filme em 2010, fazendo o seu feijão com arroz ser muito mais saboroso do que parece. A diversão está garantida desde a trilha sonora (que vai de Michael Jackson à Pharrell Williams) até as trapalhadas dos seus personagens, sem deixar de arrancar boas risadas e suspiros em alguns momentos um pouco mais comoventes.

Sem cansar, o terceiro filme da animação consegue respirar e viver sem depender de qualquer outro acontecimento anterior. É uma história que já sabe caminhar com as próprias pernas se preocupando com o que o público quer assistir, mas sem esquecer a qualidade que precisa apresentar para garantir mais uma aventura de Gru e companhia, principalmente porque seus últimos segundos são dedicados ao gancho para o quarto filme da franquia, que depende (talvez) apenas do provável sucesso das bilheterias.

Avaliação

(Bom)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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