Crítica | Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
Divulgação/ Sony Pictures

O Homem-Aranha está enfim de volta a sua casa. Assim como a parceria entre Marvel e Fox deu certo com Deadpool no ano passado, em 2017 o acerto se repete com o novo filme do teioso. Agora trabalhando junto com a Sony, a Marvel pôde implantar sua “fórmula de sucesso” em Homem-Aranha: De Volta ao Lar para atingir o grande público, garantindo uma aventura High School leve e divertida que explora a imaturidade e o amadurecimento do jovem garoto de 15 anos.

A volta de Peter Parker (Tom Holland) aos cinemas aconteceu no ano passado em Capitão América: Guerra Civil, e já dizia muito sobre a personalidade do garoto que um ano depois estaria ganhando o seu filme solo. De Volta ao Lar faz jus ao Amigão da Vizinhança, apresentando o retrato mais completo do personagem até agora. No novo filme, o público será apresentado a um rapaz que se importa com as pessoas do bairro onde cresceu, e quando não está usando seus poderes para combater grandes vilões, pode ser visto ajudando pessoas que realmente precisam como um bom samaritano.

Sem assumir um grande compromisso, o novo Homem-Aranha deixa de lado a tradicional inocência dos heróis para dar espaço a imaturidade e a espontaneidade de um garoto de 15 anos. A história acompanha a rotina do protagonista, que divide o seu tempo entre a vida escolar e os deveres de herói, sejam eles a realização de “missões” ou usufruir dos próprios poderes. A personalidade do herói cumpre também com a promessa do diretor ao se inspirar em clássicos adolescentes dos anos 1980 com a assinatura de John Hughes, indo muito além da cena de Curtindo A Vida Adoidado (1986) que aparece de relance como uma das muitas referências do longa.

De Volta ao Lar acerta principalmente no roteiro, que desde os minutos iniciais mantém o pé no chão, mesmo com momentos grandiloquentes uma vez ou outra. As cenas mais grandiosas não destoam do conjunto da obra, justamente por causa da coerência desse roteiro que permite que isso aconteça. Entre outros méritos, está também a consciência da narrativa ao determinar o papel de cada um dos coadjuvantes, desde Ned (Jacob Batalon) como principal alívio cômico, até as participações açucaradas de Robert Downey Jr. como mentor do aspirante a super-herói. O mesmo ainda se reflete com Liz Allen (Laura Harrier), que funciona como interesse amoroso do Aranha, e claro, na aparição certeira de Stan Lee.

Por outro lado, a nova Tia May (Marisa Tomei) acaba sendo apenas um objeto de cena. Destaque pela beleza em Guerra Civil no ano passado, May serve apenas como a tia bonitona e engraçada que aparece de vez em quando. Além dela, as aparições de Michelle (ou, MJ, como é chamada pelos amigos), vivida pela jovem Zendaya, acaba sendo mais um ponto forte do roteiro, que usa a personagens como potencial figura de destaque para filmes futuros.

Divulgação/ Sony Pictures

De Volta ao Lar ainda acerta no casting dos seus personagens, que é inteiramente carismático. Mas Holland é, sem dúvida, o maior acerto. O garoto de 21 anos já foi destaque no meio de heróis já estabelecidos do Universo Marvel no ano passado, e aqui confirma que a aposta da Sony foi correta em confiar no seu talento e simpatia. O ator consegue criar um fato novo para o personagem que já teve outras duas personalidades exibidas no cinema, mas muito do que Holland faz é uma mescla do que Andrew Garfield e Tobey Maguire já fizeram, adicionando camadas que só um garoto de 15 anos poderia ter – da insegurança com a menina que ele gosta ao espírito desbravador, destemido e cheio de determinação para fazer o bem.

Em contra partida, e para fazer o mau, De Volta ao Lar traz um vilão bem estabelecido pelo roteiro, um homem normal cuja motivação é basicamente o bem-estar da família. O Abutre (Michael Keaton) funciona muito bem dentro da jornada do Amigão da Vizinhança, suprindo o que era exigido do antagonista. Além disso, há um mérito pouco visto nos últimos vilões da Marvel: o Abutre não é burro e nem subestimado pelo herói, ao contrário disso, é um personagem inteligente e que sabe o que quer dentro do contexto da trama – que por sua vez, não deixa de ser uma espécie de consequência dos atos dos Vingadores após a batalha de Nova York lá no filme de 2012.

A junção de todos os méritos reforça a grande missão do filme em levar sua história não apenas para os fãs, mas principalmente para o grande público. Homem-Aranha: De Volta ao Lar acerta em cheio em sua linguagem, moldada para manter um diálogo consistente com quem vai ao cinema para se divertir e se entreter, é um filme de super-herói feito para os entusiastas da cultura pop e para as famílias no mais puro momento de lazer. Mas, acima de tudo, o longa mantém um padrão de qualidade similar ao de Homem-Formiga (2014) com uma aventura cativante e repleta de piadas e referências que funcionam e combinam com o seu protagonista.

Divulgação/ Sony Pictures

Apresentando uma jornada básica para o herói, De Volta ao Lar se sustenta muito bem quando é um filme adolescente, e mesmo que toda sua narrativa não fuja do comum para o subgênero dos heróis, o alicerce High School da história acaba revigorando a própria fórmula. Homem-Aranha não revoluciona, muito menos inova, mas se mantém com as próprias pernas fazendo um feijão com arroz bastante saboroso.

Longe de ser maravilhoso, o filme de Jon Watts diverte e garante boas risadas no aventuresco crescimento pessoal de Peter Parker, mas fato é que após a sessão a vida segue como era antes. Não é difícil para De Volta ao Lar ser o filme mais equilibrado do famoso personagem, mas ainda é menos icônico que o Homem-Aranha 2 (2004). Apesar disso, o novo retrato do personagem cumpre com todas as expectativas que criou, surpreende com um plot twist inteligente e inesperado, sem deixar de desenvolver muito bem a personalidade do menino que vira herói. E mesmo que ninguém diga que “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades“, o protagonista tem a dose certa de discernimento para que no fim de sua primeira jornada seja capaz de entender que precisa crescer.

Avaliação

(Ótimo)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid's Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

Você também pode gostar