Crítica | Game of Thrones – 7×05 – Eastwatch

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Depois de literalmente explodir em The Spoils of War, Game of Thrones resolveu tirar o pé do acelerador e trouxe na noite de ontem (14) um episódio eficiente e necessário para o bem da própria trama da série. Se ainda havia esperança de um confronto final entre Cersei (Lena Headey) e Daenerys (Emilia Clarke), esse sentimento fica de lado por um tempo, pois Eastwatch remodelou o futuro de parte dos acontecimentos da série.

Desde o final da sexta temporada era nítido que o papel de Jon Snow (Kit Harington) era reunir um exército para combater os White Walkers, assim como conscientizar o povo de Westeros que independente das disputas territoriais do local, os vivos precisam se unir para derrotar os mortos. Assim, Eastwach deu o ponta pé mais certeiro da temporada para que a missão do personagem possa ser cumprida, encaminhando Jon Snow para além da Muralha com a tarefa de capturar um White Walker e provar a sua existência à Cersei.

Sem dúvida há uma quebra de expectativas aqui, pois Cersei era uma das grandes apostas de morte para esta temporada, mas com o que aconteceu no último domingo, o mais provável é que veremos Daenerys, Cersei e Jon Snow lado a lado contra os White Walkers. A luta com os mortos também ganhou um novo reforço com o retorno de Gendry (Joe Dempsie), na tentativa medonha (a ponto de ser engraçada) de fazer do personagem um grande fan service – desde o mistério desnecessário em mostrar o rapaz, até a tentativa de fazer do bastardo o filho mais legítimo de Robert Baratheon (Mark Addy) quando revelou sua afinidade com o martelo. Vale destacar que o fan service foi tão grande a ponto de permitir que Davos (Liam Cunningham) fizesse a piadinha que todo fã também gostaria de fazer quando disse: “Eu não sabia que o encontraria aqui. Achei que você ainda estaria remando“.

Além de Gendry, Eastwatch também apresentou o retorno de Jorah Mormont (Iain Glen), que também partiu para lá da Muralha. O reencontro com Daenerys, no entanto, teve a “emoção” (ou sentimentalismo) que se poderia esperar – ele apaixonado, e ela tratando-o como um amigo querido e precioso, nada além do normal.

Inicialmente, o quinto episódio tratou de dar continuidade ao seu antecessor, mostrando o fim do pai e do irmão de Sam (John Bradley-West), que não se ajoelhar perante Darnerys. Desde o final da temporada passada existem especulações e rumores sobre Daenerys ter herdado a loucura do pai, entretanto, o episódio da noite de ontem deixou claro uma outra vertente em relação ao assunto: Daenerys não é louca, ela faz o que deve fazer, e as vezes, em momentos mais radicais, a Mãe dos Dragões também faz o que é preciso (e foi o que vimos nos primeiro minutos de Eastwatch). O fato é ainda confirmado com a própria lucidez da personagem, ao reconhecer que usar a força também pode ser horrível.

Apesar de ser um episódio mais calmo, principalmente em relação ao semana passada, Eastwach traz o seu foco em prol da grande guerra que se aproxima, mas ainda assim não deixa de lado pequenas subtramas como a Sam cansando da falta de atitude dos Meistres na Cidadela, mas principalmente na trama política de Winterfell.

Com Mindinho (Aidan Gillen) ainda em atividade na série (vivo, neste caso) é claro que as conspirações não ficariam de lado. O recado que Meistre Wolkan (Richard Rycroft) entrega para Petyr é o mesmo que Cersei fez Sansa (Sophie Turner) escrever quando Ned Stark (Sean Bean) foi capturado como traidor, por conspirar contra a coroa. A intenção, claramente, é de colocar Sansa e Arya (Maisie Williams) de lados opostos, se aproveitado da sempre conturbada relação das duas irmãs, afinal é isso que o personagem sempre fez e continuará fazendo. Porém, o problema, é a utilidade disso para a série neste momento, o que por outro lado ainda é justificável, pois enquanto as grandes casas, que ainda existem, migram para o norte e se reúnem a Jon Snow contra os White Walkers, é possível que Mindinho vá para o sul tentando tomar para si o trono de Westeros. Mas, ainda, é admirável que tais conspirações estejam acontecendo embaixo das asas do Corvo de Três Olhos, que ou tem coisas mais relevantes para se importar, ou, é meio fajuto mesmo – e qualquer uma das opções não é surpresa, mesmo sabendo da importância da Bran (Isaac Hempstead-Wright).

Mesmo explorando essas pequenas tramas contextuais, Game of Thrones segue cumprindo a promessa dos seus produtores de que tudo seria mais rápido nessa temporada. Por outro lado a rapidez não é sinônimo de qualidade. Apesar da sétima temporada estar sendo ótima, a série vem apresentando um problema recorrente em seus acontecimentos. Os saltos no tempo, em si, não incomodam, pois já estão no DNA da série (mesmo que agora eles sejam mais bruscos e até, as vezes, difíceis de engolir), mas a questão que mais põe em dúvida a qualidade narrativa dos recentes episódios é forma conveniente de como eles se desenvolvem.

No caso de Eastwatch, o episódio de ontem, a observação pode ser simbolizada pela volta de Gendry, e o seu contraponto é o ressurgimento da Irmandade Sem Bandeiras, que é uma conveniência justificável – neste caso é compreensível o por que da série não mostrar o grupo de guerreiros sendo capturados pelos selvagens por ser não algo realmente relevante. Esse problema, que pode ou não incomodar, em si não se resume ao “o que acontece“, mas sim ao “como acontece“. Então, se o segundo ponto citado for convincente não há motivo para se preocupar, caso contrário é algo a ser debatido.

O problema, mesmo que as vezes justificável, é uma pequena consequência da apressada narrativa dos episódios, que até o momento ainda não compromete o programa, pelo menos na maioria das vezes em que ocorre. Game of Thrones sabe dos seus objetivos e Eastwatch foi muito sincero ao reforçá-los, principalmente por ser eficiente e determinar o rumo do final da temporada, que ainda têm dois episódios que devem movimentar, e muito, a reta final da penúltima temporada da série.

Se por um lado o episódio de ontem reduziu a ferocidade das batalhas, por outro ele preparou o campo para os acontecimentos mais importantes da temporada, que já apresentou (apenas) a Batalha da Campina, um dos eventos mais grandiosos e bem produzidos pelo programa. Mas fato é que nos próximos dois domingos (nos dias 20 e 27, respectivamente), pelo menos mais um grande evento como esse deve acontecer, afinal os mortos estão chegando.

Avaliação

(Ótimo)

 

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

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