Crítica | Game of Thrones – 7×06 – Beyond the Wall

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Antes de mais nada é correto afirmar que por conta da exuberante e altíssima qualidade técnica, parece que Game of Thrones está acima de qualquer produção televisiva, e as vezes cinematográfica – o que de fato é verdade, se julgada apenas por este quesito. Porém, o que faz de Game of Thrones uma série como qualquer outra, é o simples fato, óbvio, de que ela também é feita por roteiristas, showrunners, produtores, diretores e toda uma equipe de pessoas, o que torna a série, assim como tantas outras, suscetível ao erro também.

O erro, neste caso, torna-se real pelo fato de que Game of Thrones não tem mais nenhum livro como guia de sua história, e agora, talvez, não se trate mais da adaptação da obra genial de George R.R. Martin, fazendo a série ser concebida por pessoas que não apresentam a mesma genialidade do escritor que perpetuou, em vida, a sua obra. É claro que comparações são inevitáveis, mas deixando-as de lado, podemos afirmar que George R.R. Martin é como o J. R. R. Tolkien do nosso tempo, e não há nenhuma blasfêmia em afirma isso. Então, é muito complicado substituir a base criada por um gênio, por ideias de escritores que não chegam aos pés de quem criou, de fato, A Guerra dos Tronos.

Com isso, era difícil acreditar que Game of Thrones seguiria a mesma qualidade textual que ainda a fazia a maior série do momento, seja em valor de produção ou de roteiro, com uma trama amarrada e de bom desenvolvimento. Seria, sim, possível continuar com isso na sétima temporada, que apesar da pressa que os showrunners já haviam afirmado que teriam, tinha começado muito bem. Entretanto, o episódio da noite de ontem (20) é o grande divisor de águas da série até aqui, criando uma relação de amor ou ódio com quem assiste o programa.

Beyond the Wall é visualmente lindo, principalmente quando explorou os cenários para lá da muralha, que ao contrário do roteiro da série, nunca decepcionaram. Seria impossível assistir ao sexto episódio do ano sete sem lembrar de Hardhome, evento inesquecível que culminou na épica batalha de Durolar, mostrando, também, um grande embate contra os zumbis e um dos White Walkers. Entretanto, na ocasião anterior, a ideia era muito mais nobre e correta do que cruzar a muralha para capturar um zumbi, o que é certamente um tiro de canhão no próprio pé, e o desfecho que isso poderia ter era o mais óbvio possível.

Enquanto os acontecimentos para lá da muralha iam bem, e o episódio fluía de forma dinâmica e objetiva, Beyond the Wall tratou de momentos pouco necessários quando criou uma intriga não muito relevante entre Sansa (Sophie Turner) e Arya (Maisie Williams). Arya contradiz tudo o que aprendeu e sofreu durante seis temporadas do programa no momento em que acaba sendo burra ao cair na tramoia de Mindinho (Aiden Gillien), que ninguém sabe direito o que quer – pelo menos a série ainda não mostrou isso, tão pouco tentou criar um grande contexto para isso como era de costume. O fato torna-se engraçado no momento em que fica claro que a presença de Bran (Isaac Hempstead-Wright), como o Corvo de Três Olhos, não tem serventia para desmanchar uma intriga como esta que vimos no sexto episódio, a não ser que a função que o personagem tenha seja tão importante ao ponto de ignorar besteiras como essas.

Outra subtrama explorada em Beyond the Wall foi o lado político de Daenerys (Emilia Clarke), personagem que parece ter regredido nessa temporada. A Mãe dos (dois) Dragões sempre dependeu dos seus conselheiros para tudo, nunca colocou a carroça na frente dos bois, mas agora faz o que dá na telha sem ao menos demonstrar que está realmente convicta de que aquilo é o certo fazer – no caso deste episódio, a atitude pareceu muito mais como um ato desesperado de perder o seu grande amor, do que algo realmente racional como fora no ótimo The Spoils of War. Mas apesar das incoerências narrativas, e dos problemas de verossimilhança entre o envio de um corvo em tempo record, o pior ainda estaria por vir.

Beyond the Wall reservava momentos moderadamente empolgantes, pois é difícil superar a batalha da campina ainda nessa temporada. A luta, que começou depois que Sandor Clegane (Rory McCann) brincou de atirar pedra em zumbis, porém, o seu desdobramento foi puro fan service – no caso, após a luta do grupo de “heróis” que inegavelmente foi muito bem conduzida. Daenerys chegar com seus três dragões em uma atitude desesperada mostra o show de horrores que o roteiro desse episódio e a sua edição falha eram capazes de fazer. A morte de Viserian, entretanto, é justificada pelo status poderoso do Rei da Noite.

Para encerrar com chave e ouro (no sentido mais irônico e negativo possível que a expressão possa representar), o sexto episódio ainda apresentou o momento de afeto que os criadores de fanfics poderiam querer entre Jon (Kit Harington) e Danaerys. A decisão dos roteiristas em fazer dos personagens um casal no programa de TV é até aceitável, desde que seja crível o desenvolvimento dessa relação, afinal, o “como” eles vão fazer isso é realmente muito importante. Porém, a forma “como” resolveram representar isso em Beyond the Wall fez de Game of Thrones um oasis para o fan service de quem “shippa” “Jonearys“. E como se não bastasse, o roteiro fraquíssimo do episódio ainda reservava um dragão sendo tirada da água pelos zumbis (racionais?), os mesmo que não entraram na água no final de Hardhome, e que ainda, inexplicavelmente, tinham correntes enormes para retirar a fera do local – sem citar a entrada do Deus Ex-Machina, “Uncle Benjen” para salvar Jon Snow do desnecessário sofrimento.

Game of Thrones contrariou o seu próprio retrospecto com Beyond the Wall, com uma conclusão digna da caminhada da vergonha. Apesar de ter alguns momentos realmente empolgantes, o sexto capítulo da sétima temporada é de longe o pior episódio do irregular ano que deveria consagrar Game of Thrones, e se em 2016 o sentimento era de tristeza na reta final do programa, em 2017, exclusivamente depois deste episódio, há gratidão pelo fato do fim estar próximo. Apesar disso, ainda podes-se dizer, ou ao menos imaginar, que coisas piores do que essa não podem acontecer.

Avaliação

(Regular)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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