Crítica | Kingsman: O Círculo Dourado

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Imagem: Reprodução/IMDb

Não é segredo e muito menos novidade que todos os anos o cinema nos proporciona algumas boas surpresas. Em 2015 (ano em que foi lançado no Brasil), Kingsman: Serviço Secreto foi uma delas, o filme de ação e espionagem de Matthew Vaughn causou bastante barulho na época, tendo boa aceitação de crítica e público – este, inclusive, só falava das cenas de ação do filme.

Com tudo isso ao favor da franquia que se inicia, é claro que Kingsman: O Círculo Dourado geraria altas expectativas e mesmo que faça sucesso nas bilheterias, a verdade é que a sequência funciona como expansão de universo garantindo boa diversão, mas como um todo está abaixo do primeiro filme. A ideia primordial de uma sequência sempre deve ser continuar a história do filme anterior (quando não se trata de uma antologia, é claro) e junto a isso a continuação precisa superar o seu antecessor. E isso não acontece aqui.

Para o filme de 2015 a melhor palavra que descreve boa parte de suas intenções era inovação. Mesmo que não houvesse grande novidade na sua trama de espionagem, que ainda tendo uma premissa recorrente conseguia ser original e bem elaborada, Kingsman inovou realmente nas suas cenas de ação, principalmente na forma em que foram filmadas e editadas, tudo muito frenético e empolgante. Já em O Círculo Dourado pode-se dizer que a palavra que o resume é previsível, no sentido negativo da afirmação.

Imagem: Reprodução/IMDb

Matthew Vaughn não consegue manter o senso de inovação do primeiro filme, e na sequência o que acontece é uma série de repetições do que foi feito em 2015, o que seria bom se tivesse a mesma qualidade. Com um filme mais longo (o que geralmente não é problema), Kingsman: O Círculo Dourado não consegue se sustentar por completo e raramente empolga em suas cenas de ação (a exceção é o embate final, com uma luta filmada em plano-sequência, e de qualidade primorosa). O mérito deste filme, no entanto, está na forma que apresenta um novo grupo independente de espionagem – isso em meio ao erro precipitado, e também previsível, de quase acabar com a Kingsman, vitima de um ataque da vilã vivida por Julianne Moore.

Os Statesman (representados por Channing Tatum, Halle Berry, Jeff Bridges e Pedro Pascal) funcionam para o filme e dão um novo fôlego a história. Ainda assim, há chances dos primos americanos aparecem futuramente na franquia – o que soa como um dos poucos legados positivos que o filme pode levar adiante -, mas o espaço que eles ganham em O Círculo Dourado é mais do que o suficiente para garantir boas risadas.

A história do novo filme traz pequenas subtramas dramáticas aos seus personagens sem deixar de ser interessante, mas em diversos momentos falta criatividade para essas tramas se concluírem de forma orgânica. O filme, basicamente, lida com um novo ataque global, desta vez liderado pela carismática Poppy (Julianne Moore). A vilã segue uma linha de construção similar a do personagem vivido por Samuel L. Jackson no filme anterior. Poppy é cheia de personalidade, é caricata, colorida, cumpre com a ameaça que cria, onde, inclusive, apresenta mais uma motivação “nobre” que consegue movimentar a trama com eficiência – assim como aquele responsável pelo, de novo, previsível plot twist da história que ainda justifica a sua atitude.

Colin Firth em Kingsman: O Círculo Dourado (2017)
Imagem: Reprodução/IMDb

Kingsman: O Círculo Dourado é menos mirabolante e inventivo, é engraçado, até em exagero, mas este está dentro do DNA criado por Vaughn em 2015. A sequência traz a mesma herança visual de Serviço Secreto, onde sua ambientação retro da Europa ganha contrastes mais coloridos por conta dos primos estadunidenses. O filme, que leva a sua diversão com responsabilidade, traz ainda a participação apimentada de Elton John, que, no entanto, no começo diverte acaba se saturando no final.

O filme ainda tira proveito do momento político dos Estados Unidos e faz uma quase paródia desbocada, e também debochada, de Donald Trump, quando coloca em cena o atual Presidente dos Estados Unidos (no filme) tentando passar a perna nos planos da vilã – em uma atitude totalmente precipitada movida a preconceito e arrogância. Além disso, há outras diversas alfinetadas embutidas no subtexto do longa, mas tudo parte do processo de adaptação a nova localidade em que a maior parte da trama se desenvolve.

Kingsman: O Círculo Dourado, obviamente, bebe na fonte que ele mesmo criou em 2015, tentando replicar tudo o que deu certo naquela ocasião, mas falhando em boa parte de suas intenções. O filme continua com bastante estiloso, cheio de personalidade, só que o roteiro aposta em diversos caminhos errados resultando em um filme que não aproveita seu verdadeiro potencial. No fim de tudo, é uma aventura divertida, previsível, que vale pelo entretenimento que pode proporcionar, porém, fica distante de cumprir com as expectativas que naturalmente criou.

Avaliação

(Bom)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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