Crítica | Stranger Things – 2ª temporada

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Série beira a excelência e cumpre com todas as promessas do ano dois
Lucas (Caleb McLaughlin), Dustin (Gaten Matarazzo), Mike (Finn Wolfhard) e Max (Sadie Sink) na 2ª temporada de Stranger Things (Netflix)
Imagem: Divulgação/Netflix

Dar continuidade a um dos maiores fenômenos da cultura pop nos últimos anos deveria ser uma tarefa complicada, mas para Stranger Things não foi. Com as proporções gigantescas que o sucesso da série atingiu no ano passado, era de se esperar que a continuação, talvez, não chegasse ao mesmo nível de qualidade do ano anterior, afinal a segunda temporada não teria o fator surpresa ao seu favor. Porém, mesmo sem contar com essa ajuda, o ano dois de Stranger Things soube não apenas dar seguimento a história da série como também foi eficiente em evoluir a criação dos Irmãos Duffer.

Antes da estreia da nova temporada, os Duffer, elenco e outros envolvidos com a produção fizeram uma série de promessas. Barb (Shannon Purser) teria justiça nessa temporada, o segundo ano teria uma história maior, com mais terror, seus personagens teriam jornadas pessoais mais intensas, entre outras. E é louvável que todas essas promessas foram devidamente cumpridas.

Contando com nove episódios, a segunda temporada não aumentou a história apenas nesse sentido, mas tornou os acontecimentos muito mais impactantes do que foram na primeira temporada. Stranger Things 2 começa sem pressa e despretensioso, construindo a continuação a passos pequenos. Essa narrativa cadenciada dos primeiros episódios faz parte de uma jogada inteligente do roteiro: dar crescimento gradual a história e ao impacto do que estava sendo desenvolvido – sem perder o charme já característico da série. Assim, Stranger Things deu tempo para os personagens e o público começarem a sentir o peso do que estava acontecendo.

Na primeira temporada o grande destaque da série, ao lado das referências e da ambientação dos anos 80, eram os personagens. O grupo de crianças carismáticas e de forte personalidade encantou e conquistou a todos que assistiram a série, e a solução que a segunda temporada encontrou para manter isso foi dar background a esses personagens. As crianças, agora de fato na pré-adolescência, tiveram jornadas individuais muito bem desenvolvidas, obviamente uns mais e outros menos, mas tudo o que se viu foi satisfatório. O mais incrível disso são as diretrizes que esses dramas seguem ao longo dos nove episódios. Enquanto Eleven embarca numa busca pessoal sobre o seu passado, o restante vai desenvolvendo camadas menores, mas todas muito importantes para o crescimento de cada um.

Bob (Sean Astin) e Joyce (Winona Ryder) na 2ª temporada de Stranger Things (Netflix)
Imagem: Divulgação/Netflix

Dentro disso estão ainda os novos personagens. Sean Astin, que vive o novo namorado de Joyce (Winona Ryder), Bob, inicialmente parece estar marcando presença por causa da sua participação em Os Gonnies (1985), mas no fim acabou virando um herói. Além dele, outro destaque entre as novidades é (Mad) Max, vivida pela ótima Sadie Sink. A personagem, ao lado do irmão – Billy (Drace Montgomery) – protagonizaram um subtexto interessante durante a temporada. Questões como bullying, violência infantil e temas do gênero ganharam uma leve abordagem ao longo dos episódios, e mesmo sendo ofuscados pela história central do ano dois, essas questões sempre se fizeram presente.

Além da qualidade do roteiro, muito mais maduro e inteligente, Stranger Things se mostra mais uma  vez tecnicamente invejável. O visual traz soluções práticas até mesmo no CGI que se aproveita das sombras, a fotografia é levemente mais sombria em alguns momentos, mas tudo continua trabalhando em prol da ambientação da década e contribuindo com a atmosfera da história. É interessante, ainda, como a série torna os seus problemas realidade. O Upside Down não perdeu as características que o fizeram tão enigmático na primeira temporada, a diferença é que o mundo invertido se fez muito mais presente no ano dois.

As idas e vindas de Will (Noah Schnapp) e de Eleven (Millie Bobby Brown), deram um ingrediente a mais para o enredo. Apesar de já terem passado por momentos inacreditáveis, é incrível como a série soube dar tempo para o personagens começarem a assimilar tudo o que estava acontecendo, seguindo a risca o desenvolvimento despretensioso da temporada. No entanto a apresentação de novas informações, que servem também como expansão da mitologia da série, não tem todo o seu potencial aproveitado. Mas o roteiro ainda consegue usar isso como um benefício conveniente para ele mesmo.

Nancy (Natalia Dyer), Dustin (Gaten Matarazzo), Steve (Joe Keery) e Jonathan (Charlie Heaton) na 2ª temporada de Stranger Things (Netflix)
Imagem: Divulgação/Netflix

Em sua construção, Stranger Things 2 começa a criar expectativas altas para quem está assistindo os seus episódios, e o melhor disso é que os espectadores são recompensados no final. É tudo mais tenso e perigoso, não há exagero no que acontece durante os episódios, e tudo é resolvido com objetividade – os personagens sabem o que precisam fazer e como fazer. A segunda temporada não traz como prioridade as respostas para as perguntas pertinentes do ano um, apesar de trazer algumas naturalmente, o ano dois se preocupa muito mais em traçar um caminho direto para a solução dos seus problemas, deixando o conjunto das duas temporadas mais completo. Mesmo assim, as pontas soltas que perduram na história, devem servir muito bem para temporadas futuras.

Mesmo com tantos acertos, existe um porém em Stranger Things 2. A indignação dos fãs por uma resposta ao esquecimento de Barb na primeira temporada teve enfim a sua resposta. Nancy (Natalia Dyer) resolveu apresentar uma falsa importância para a falecida amiga, algo que se fosse feito com naturalidade pelo roteiro teria sido muito melhor. Apesar disso, mesmo que forçado, o assunto teve uma resolução decente. No entanto, é evidente que se não fosse por causa dos fãs, dificilmente esse plot iria existir.

Stranger Things 2, em suma, mantém o padrão de qualidade da sua primeira temporada, com um roteiro mais maduro a série soube evoluir como um todo, fazendo com que o crescimento dos personagens, por exemplo, não se resumisse apenas ao ano que se passou de uma temporada para outra. Com mais profundidade e peso dramático, a série conseguiu abordar as consequências dos traumas que ficaram do desaparecimento de Will no início e o de Eleven no final da temporada passada. Desta vez, o elenco foi mais exigido e trouxe uma resposta ainda melhor do que já havia apresentado.

Novamente cheio de referências, os episódios de Stranger Things criam novos momentos icônicos para a série, que mesmo trazendo uma aventura assustadora não deixou de falar sobre amizade, respeito, inclusão, bullying e temas que fazem parte da vida estudantil de ontem e hoje. Depois de tantos mistérios e momentos de apreensão, Stranger Things encerra a sua segunda temporada com um belíssimo momento entre os jovens atores, que mostra a eficiência dos Irmãos Duffer em fazer com o público da série continue se importando e se encantando com esse grupo de jovens.

Avaliação

(Ótimo)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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