Crítica | Gosto Se Discute

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Quem lê “Gosto Se Discute” pode esperar que o longa de André Pellenz traz um trocadilho divertido, por conta do título, ou até mesmo uma mensagem bonita no final da sua história – afinal, o cinema brasileiro gosta de produções neste estilo. No entanto, e infelizmente, nenhum e nem outro acabam acontecendo.

Em determinados casos, o filme precisa fazer com que o público sinta empatia com os personagens em tela, ou apenas que eles tornem-se carismáticos o suficiente para serem importantes. Gosto Se Discute falha nessa tarefa, entre tantas outras. O filme é uma história sem compromisso, o que acaba prejudicando-a. O fato de não ter nada a mais para apresentar acaba não justificando a sua própria história – talvez a falta de alguma lição forte para os seus personagens tenha deixado esse vazio sem propósito do filme.

É inegável que há potencial em Gosto Se Discute, onde ele poderia ter sido um filme, apenas, normal, com uma história bacana, que aproveitasse melhor o elenco que tinha em mãos. Porém, além de não se justificar, o filme se resume ao clichê do homem se apaixonar por uma mulher – a diferença de idade entre Cássio Gabus Mendes e Kéfera Buchmann pouco faz diferença aqui, por se tratar de um cenário provável. No entanto, a construção dessa relação é feita entre olhares e deixas mecânicas, se tudo fosse mais espontâneo, talvez, funcionasse melhor.

A trama, em suma, tinha a cara da tradicional peripécia que o brasileiro é acostumado a consumir em diversas outras produções (sejam elas do cinema ou da TV). Por conta disso, Gosto Se Discute, novamente, tinha tudo, para ser uma história comum e leve de se ver, com, por exemplo, Paulo Miklos fazendo algumas participações bem interessantes, e até certo ponto bastante divertidas. O mesmo se reflete em Kéfera, que surgiu no YouTube fazendo comédia, e mesmo que a intenção do diretor seja clara em trazer uma nova faceta dela como atriz, o mesmo não funcionou.

Durante a projeção, em que somos apresentados ao Chef de Cozinha, personagem de Gabus Mendes, e a auditora vivida por Kéfera, fica a impressão de que houve uma inversão de papéis, e no resultado final ambos pareciam estar longe das suas zonas de conforto (o que geralmente é bom para extrair o talento dos artistas), mas dessa vez não funcionou – certamente não faltou talento e empenho dos atores.

André Pellenz, dirigiu o ótimo Minha Mãe É Uma Peça: O Filme (2013), e isso já prova bastante a boa qualidade que o diretor apresenta para conduzir filmes leves que tendem a  divertir. Em Gosto Se Discute, entretanto, o filme parece fugir das suas mãos – tirando as chances do diretor conduzir a história de forma mais firme com um objetivo mais claro para o filme.

Mesmo apresentando um pequeno potencial para diversão, Gosto Se Discute não se justifica como filme, não faz a sua história ter um motivo claro para ter acontecido. Isso faz com esse potencial seja questionável, pois mesmo assim o roteiro se mostra frágil, traz diálogos que não precisavam acontecer e o conjunto da obra acaba prejudicando o próprio elenco, que tem atuações mecânicas e nada espontâneas. A história é comum, e seus desdobramentos seguem esse padrão – nem sempre é bom saber como o filme começa, constrói sua história e termina sem que meia hora de projeção tenha passado.

Avaliação

(Ruim)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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