Review | The Walking Dead – 8×08 – How It’s Gotta Be

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
Review com SPOILERS do midseason finale de The Walking Dead

Chandler Riggs como Carl em The Walking Dead

Dizer que o midseason finale de The Walking Dead foi chocante seria um ultraje ao que foi visto no último episódio da série em 2017. “How It’s Gotta Be” foi muito mais triste do que realmente bom, em um contexto geral, mas se destacados alguns momentos isolados, tudo fica mais ameno em relação ao episódio. A finale da primeira parte da oitava temporada trouxe mais do que deveria, iniciou plots que dificilmente ganharão continuidade quando série retornar.

How It’s Gotta Be” foi dedicado para Carl (Chandler Riggs), do início ao fim. O personagem ficou de lado por boa parte da temporada, mas o tempo de tela que teve na noite de ontem (10) compensou a sua ausência. Em oito temporadas acompanhamos o crescimento físico do personagem, e agora vimos onde todo o seu desenvolvimento dentro da série o levou. Carl marcou este episódio não só pela comoção que causou no final, mas pela sua sensatez e personalidade quando deixou Rick (Andrew Lincoln) e Negan (Jeffrey Dean Morgan) quase sem palavras. O personagem de Chandler Riggs trouxe algo que The Walking Dead abandonou há algum tempo: um conflito pessoal de ética e moral, com questionamentos relevantes que fogem da violência em prol do entretenimento. E foi revigorante ver que o roteiro da série ainda é capaz de trazer isso em tela.

A direção do episódio (assinada por Michael E. Satrazemis) não falhou com Carl na noite de ontem. Apesar de todos os apesares, “How It’s Gotta Be” cumpriu com as suas intenções em relação ao personagem ao construir um senso de perigo que a todo momento dizia: “Algo de ruim vai acontecer com esse garoto.” – e aconteceu. Até o momento, uma das principais falhas de The Walking Dead (na oitava temporada) era a sua incapacidade de causar algum tipo de emoção dentro da guerra. O ato se tornava ainda mais falho porque dentro dos episódios a montagem e a trilha sonora gritavam para o público que “isso está sendo feito para emocionar vocês“. Sempre que essa intenção não natural tenta induzir o público a algo que ele não quer, 0 mesmo não funciona.

No entanto, com esse senso de perigo em cima do personagem, o momento em que Carl levanta parte da camisa, tira o curativo e expõe a mordida que levou de algum zumbi, tornou-se o ponto mais triste e comovente que a série criou nos últimos anos. A reação, entretanto, não era de surpresa, mas assim como Rick, todos ficamos sem reação, de fato. O estado catônico de Rick dizia muito mais do que qualquer palavra poderia expressar. A sua (falta de) reação e impotência evidentes, deixaram claro que o protagonista queria ajudar o filho, ao mesmo tempo que mostrava o quão sem opções ele estava. Na verdade, a única opção que lhe resta, talvez, seja fazer com que o filho não sofra.

Até o sétimo episódio da temporada, todos sabiam que algo grave iria acontecer, o mesmo ficou evidente quando “How It’s Gotta Be” começou a acompanhar a jornada final de Carl, cantando a pedra de que algo aconteceria com ele – talvez, até, estragando parte da surpresa. O ponto interessante é ver o que a futura morte do personagem vai causar na série, no Rick, e como o verdadeiro fim do personagem será conduzido. Aliás, a morte do personagem é a grande consequência dessa guerra até agora, e dificilmente algo pior irá acontecer.

Jeffrey Dean Morgan como Negan em The Walking DeadEnquanto esse turbilhão catatônico acontecia de um lado, os Salvadores escaparam do Santuário, de algum jeito que Eugene (Josh McDermitt) criou para ajudá-los – mesmo depois de ficar claro que eles não teriam saída. Assim, os generais de Negan bolaram cercos para mostrar que estavam no comando, e apesar dos choques, ninguém baixou a cabeça para eles de novo. Maggie (Lauren Cohan), por exemplo, deu o troco ao assassinar um dos reféns de Jesus (Tom Payne), enquanto Ezekiel (Khary Payton) deixou o luto pela morte de Shiva para ajudar o seu povo – no fim das contas, o Rei acordou. “How It’s Gotta Be” teve ainda o retorno de Morgan (Lennie James), já confirmado em Fear The Walking Dead, que tem a chance de ajudar Ezekiel a sair das mãos dos Salvadores, enquanto Carol (Melissa McBride) ficou de braços atados do lado de fora dos muros do Reino – aliás, vai ser interessante e ainda mais comovente ver como ela vai reagir quando descobrir que Carl foi mordido.

How It’s Gotta Be” é um episódio problemático. Apesar de conduzir bem algumas cenas, outras são concebidas em oposição a essa afirmação. A iluminação, que em outros episódios noturnos da série nunca tinha sido problema, foi um dos pontos mais desanimadores da finale. Em diversos momentos era quase impossível distinguir o que aparecia em tela. Além disso, The Walking Dead não consegue mais usar os cenários ao seu favor, a direção não passa para o espectador a mínima noção de espaço físico local, tudo isso para tentar surpreender o público quando Negan surge de um lugar qualquer e acerta Rick com sua Lucille – na cena em questão, dificilmente aconteceria algo mais óbvio do que isso.

Entre outros momentos menos importantes, ou não, “How It’s Gotta Be” mostrou Daryl (Norman Reedus) e Tara (Alanna Masterson) conscientes do erro que cometeram ao jogar o caminhão de lixo no Santuário, o que deu aos Salvadores a chance de escaparem da enrascada em que foram colocados. Dwight (Austin Amelio) expôs de vez que traiu os Salvadores e deixou ainda mais claro o remorso que sente para com Negan, por tudo que o antagonista lhe fez perder. Dentro disso, houve também o desnecessário, com Enid (Katelyn Nacon) matando a líder de Oceanside em um plot que poderia ter sido deixado para o ano que vem.

How It’s Gotta Be” foi um episódio ágil e atrapalhado. Tecnicamente defeituoso, o midseason finale de The Walking Dead tem os seus bons momentos, seus bons diálogos também, e consegue isolar acontecimentos bons e ruins que acabam convergindo como benefício a história. Há plots que chegaram antes do que deveriam, que roubaram tempo de cenas mais relevantes para aquele momento. Porém, apesar de tudo isso, The Walking Dead ainda pode se beneficiar da futura morte de Carl para colocar os seus conceitos de volta no lugar, pois até aqui, a Guerra Total e a oitava temporada como um todo deixaram a desejar e pouco cumpriram as promessas do elenco e dos produtores da série – mais uma vez.

Avaliação

 (Regular)

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
, , , , , , , , , , , , ,

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

Você Também Pode Curtir