Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
Os Últimos Jedi é o mais importante filme de Star Wars depois de O Império Contra-Ataca (1980)

Daisy Ridley como Rey em Star Wars: Os Últimos Jedi

Resumidamente, Star Wars sempre foi sobre a eterna luta do bem contra ao mal, e até então nenhum filme questionou este seguimento. Os Últimos Jedi, no entanto, subverte essa lógica e tenta questionar este princípio ao abordar uma Força que possa estar em equilíbrio no centro de tudo, fugindo do bem e do mau. Porém, indo a fundo em seu embasamento principal, o longa de Rian Johnson descobre que o equilíbrio de uma balança está nas suas extremidades, e para se ter um equilíbrio verdadeiro com o poder negro de Kylo Ren (Adam Driver) seria necessária uma força equivalente.

Os Últimos Jedi traz uma compreensão sobre o cerne de Star Wars que poucas vezes se viu depois de “O Império Contra-Atraca” (1980), e este talvez seja o mais importante depois do clássico citado, quando o assunto é a mitologia da franquia. Fora isso, havia muito em jogo para Os Últimos Jedi assim como para a história como um todo, o filme precisava trabalhar com a morte de Carrie Fisher, que se juntou com a força em dezembro de 2016. Rian Johnson respeita o papel da personagem, e em uma cena simbólica o diretor presta uma belíssima homenagem a atriz e mostra que ela e a Princesa Leia são figuras eternas no coração de todos os fãs de Star Wars.

Johnson compreende as características principais e mais marcantes da saga, o senso de aventura, o space opera e como dar uma vida real a guerra e a esperança. Com isso, o diretor (que também assina o roteiro) foge das armadilhas, ou mesmices, que o filme poderia trazer (como invadir uma nova Estrela da Morte, ou uma instalação terrestre com uma arma de potência equivalente). Assim, Rian Johnson entende que Star Wars é muito mais que uma fórmula narrativa de ação e aventura, e o diretor se propõe a desafiar essa lógica aplicando momentos emblemáticos da saga em uma nova roupagem, e em novos personagens.

Star Wars: Os Últimos Jedi vai além ao ser uma grande passagem de bastão, é um filme que aborda um mesmo conflito com diferentes gerações, onde uma viveu em prol da guerra, enquanto a outra já está cansada do conflito entre o bem e o mau. A jornada de Rey (Daisy Ridley), diferente da de Luke Skywalker (Mark Hamill), consegue ser mais original, pois a nova protagonista entende que existe algo dentro dela e que precisa controlar e compreender isso – além de ter se voluntariado para aprender mais sobre a Força, ao invés de ser “a escolhida“, assim como Luke. E justamente por ser mais decidida e emocionalmente cativante, Rey encarna o espírito Jedi de um jeito diferente, mas maravilhosamente bem-vindo.

Mão de Lluke Skywalker em Star Wars: Os Últimos JediRian Johnson consegue equilibrar os dois motes principais da saga ao tratar a Força como pano de fundo para a guerra – ou a busca pela esperança dentro de um cenário pessimista de um universo sucumbindo na escuridão -, ou, ainda, como algo que tem uma séria influência dentro do conflito, sendo fonte de esperança para um lado e confiança para outro. É interessante que ao invés de seguir pelo óbvio nos desdobramentos das batalhas, o diretor optou por ser mais estrategista do que fazer apenas o feijão com arroz tradicional da saga – a ausência de um embate com uma nova Estrela da Morte é o que melhor consegue provar isso.

Os Últimos Jedi, dentro de tudo isso, ainda tem a consciência de que é o filme central de um trilogia e que precisa ser a ponte entre começo e fim. Assim, o longa não se atrela a nostalgia, mas mostra que sabe referenciar a homenagear o próprio cânone. Além disso, Os Últimos Jedi é bastante equilibrado, condensa as suas aventuras e alívios cômicos (estes, aliás, dessa vez muito mais agradáveis do que em comparação com O Despertar da Força (2015), por exemplo), dando tempo de tela o suficiente para que no fim das contas, tudo seja bem desenvolvido.

Com tantos momentos importantes em jogo e disposto a fazer com dignidade uma passagem de bastão, Star Wars: Os Últimos Jedi tenta ser emocionalmente evocativo, e na maioria das vezes não consegue ser tocante o suficiente para realizar tal intenção. Contudo, apesar de demonstrar essa incapacidade como filme, há cenas, dentro disso, que são muito maiores do que a obra cinematográfica, e é por retratar personagens que representam a alma dessa franquia há momentos em que a emoção é inevitável. Assim, Star Wars apresenta o segundo filme mais importante de toda sua história, com um diretor que compreende e assume a responsabilidade com o que tem em mãos.

Os Últimos Jedi explora a mitologia da saga como pouco se viu na veia principal de Star Wars. Mesmo assim, Rian Johnson precisava provar que sabia usar isso ao seu favor e é inegável que o diretor conseguiu. No entanto, nem tudo que foi proposto é realmente aceitável. Finn (John Boyega), mais uma vez, embarca em uma sinuca de bico, e em grande parte, repete o que já foi visto dois anos atrás em O Despertar da Força, por exemplo.

Adam Driver como Kylo Ren em Star Wars: Os Últimos JediApesar de fazer escolhas questionáveis, Star Wars: Os Últimos Jedi representa o ápice da saga no cinema. É o filme que mais compreende e incorpora o espírito de Star Wars desde O Império Contra-Ataca, e tem tudo para ser um dos capítulos mais importantes da história da franquia desde a sua criação. Como filme, Os Últimos Jedi é uma das mais imersivas e prazerosas experiências cinematográficas de 2017. Como a peça de um quebra cabeça, o longa de Rian Johnson tem um brilho particular e sua importância indiscutível. Os Últimos Jedi é simbólico e representa o melhor momento de Star Wars na sua própria história, mas só o futuro irá dizer o quão icônica é essa passagem de geração com mais um adeus bastante significativo.

Mesmo assim, Star Wars reafirma que têm novamente um grupo de personagens icônicos e admiráveis que estão marcando a atual geração – talvez não com o mesmo impacto que Darth Vader, Luke Skywalker, Leia, Han Solo, Chewbacca, R2-D2, C-3PO, entre outros que marcaram época na trilogia clássica. Mas não é nenhum absurdo dizer que Rey, pelo menos, já marcou o seu nome na história de Star Wars.

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
, , , , , , , ,

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid's Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

Você Também Pode Curtir