Do pior ao melhor: Os filme de super-heróis, e super-heroína, de 2017

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

Ben Affleck como Batman em Liga da Justiça / Hugh Jackman como Logan

Logan, Guardiões da Galáxia Vol. 2Mulher-Maravilha, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Thor: Ragnarok e Liga da Justiça foram os filmes do já estabelecido gênero de heróis que chegaram aos cinemas em 2017. Mas se no ano anterior (com Batman vs Superman e Guerra Civil, por exemplo) houve muito debate e divisão de opiniões, no atual os filmes do Marvel Studios e da Warner Bros./DC foram marcados pelo consenso geral e não pelas discussões. A Matinê Cine&TV listou o seu Top final desses filmes, mas de modo geral adiantamos que os longas foram satisfatórios em alguns quesitos, deixaram a desejar em outros e nem sempre fizeram jus ao título que carregaram.

6 – Liga da Justiça

Ciborgue (Ray Fisher), Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Flash (Ezra Miller) e Aquaman (Jason Momoa) em Liga da Justiça

São três visões que marcam o corte final, que foi para os cinemas, de Liga da Justiça: a de Zack Snyder, a de Joss Whedon e a do estúdio que queria replicar o sucesso do seu filme anterior. Todas essas visões ficam nítidas e distintas em Liga da Justiça, e isso não é bom. Por vezes assistimos um filme sério, com peso dramático e profundidade (vide a apresentação do Ciborgue); depois temos uma comédia exacerbada (a cena em que o Batman cai no chão dizendo que está sangrando em muitos lugares, por exemplo); e por fim um filme claro, que usa a luz do dia, visão pré-definida pelo estúdio após as críticas que recebeu pela escuridão de Esquadrão Suicida e Batman vs Superman.

No entanto, Liga da Justiça não conseguiu replicar a grandiosidade das HQs e desenhos animados que já haviam retratado o grupo de super-heróis, dando para o público no cinema um filme, apenas, legal. Liga da Justiça têm problemas visíveis, têm acertos importantes (como fazer um ótimo filme de equipe, pois a apresentação e a dinâmica dos seus personagens é o que, talvez, melhor funciona aqui) e falha, inúmeras vezes, nos efeitos visuais, e mesmo considerando os problemas e atrasos na pós-produção, um filme orçado em US$ 300 milhões deveria ser, no mínimo, bem resolvido visualmente, e neste caso não é. Liga da Justiça amargurou uma recepção morna da crítica, tem uma bilheteria menor que a de O Homem de Aço (este fechou com US$ 668 milhões). Assim já é possível afirmar que o filme é, na verdade, um fracasso.

5 – Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Tom Holland como Homem-Aranha em Homem-Aranha: De Volta ao Lar

A volta do Homem-Aranha aos cinemas é o filme mais água com açúcar do gênero no ano. O longa de Jon Watts diverte, traz bom momentos dramáticos e um ótimo vilão (méritos de Michael Keaton), sendo uma aventura prazerosa dentro da sala de cinema, e esquecível fora dela. As cenas de ação, em sua maioria, além de mal filmadas também não empolgam como as cenas mais engraçadas do clima High School muito bem inserido na história. Além disso, o terceiro ato é divido entre o enfrentamento verbal do herói com o vilão, que é ótimo, e com cenas de ação extremamente escuras e confusas que ao seu fim dão uma sensação de alívio – não por causa da vitória do herói, mas sim porque acabaram. Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um bom feijão com arroz, mas o tempero usado na receita não foi bom o suficiente para guardar o sabor na memória.

4 – Thor: Ragnarok

Hulk (Mark Ruffalo), Thor (Chris Hemsworth), Valkyria (Tessa Thompson) e Loki (Tom Hiddleston) em Thor: Ragnarok

Apesar de trazer o grande Ragnarok como título era óbvio que o que chegaria aos cinemas não seria de fato o próprio Ragnarok, mas sim uma releitura cômica do maior evento da mitologia nórdica e de um dos arcos mais importantes do Deus do Trovão nos quadrinhos. O acerto maior do longa foi ter Taika Waititi como diretor, alguém que sabe fazer comédia e entende os flertes do gênero. Somado a isso, a missão do diretor não era apenas fazer de Thor: Ragnarok uma boa comédia, mas também extrair o melhor do elenco para que essa pretensão funcionasse. Chris Hemsworth nunca esteve tão a vontade com o papel do protagonista, a dinâmica com Hulk e Loki (como sempre) funcionou muito bem, assim como o acréscimo de Jeff Goldblum – sem falar de Tessa Thompson como Valkyria e a ótima Cate Blanchett como a vilã Hela.

Thor: Ragnarok trouxe um misto bem feito de ação, comédia e diversão, em uma aventura cósmica satisfatória. As lutas, principalmente Thor vs. Hulk, foram alguns dos destaques do filme, enquanto o mesmo não conseguiu ser sério quando precisava – o que toda boa comédia que se preze consegue fazer. Apesar disso, Thor: Ragnarok, do seu jeito, conseguiu ser um grande filme e cumpriu, em parte, com que prometeu.

3 – Guardiões da Galáxia vol. 2

Elenco de Guardiões da Galáxia vol. 2

Guardiões da Galáxia (2014) será sempre a grande surpresa do Universo Marvel. A equipe de (anti) heróis pegou à todos desprevenidos quando chegou aos cinemas naquele ano. Na sequência, a tarefa de James Gunn era um pouco mais complicada, pois dessa vez ele não contava com o fator surpresa que fez do seu primeiro filme um grande sucesso e um dos melhores do Marvel Studios ao longo destes quase 10 anos. Para o Volume 2, Guardiões da Galáxia precisaria aumentar a escala, o senso de aventura, ser muito mais louco que o filme anterior, e é aí que o filme apresenta a sua falha. Guardiões da Galáxia vol. 2 é basicamente uma repetição de qualidade do primeiro filme, o que é bom, mas não o suficiente de um filme que poderia ser mais. Aqui perde-se parte do senso de aventura quando a trama direciona-se para o lado pessoal dos personagens, porém, o subtexto familiar do primeiro filme serviu, agora, como plot principal e reservou momentos emocionantes no cinema.

De um jeito, ou de outro, Guardiões da Galáxia vol. 2 conseguiu, com méritos, entrar no Top 3 dos melhores filmes de super-heróis de 2017. Mesmo não sendo superior ao primeiro filme, o longa de James Gunn replica o grande acerto com uma visual deslumbrante em sua explosão de cores, com cenas de ação divertidas e reforçando o que é hoje um bom entretenimento.

2 – Mulher-Maravilha

Gal Gadot como Mulher-Maravilha

A desconfiança em cima de Mulher-Maravilha, após o fracasso de Esquadrão Suicida e o divisor de águas de Batman vs Superman, foi o que talvez mais ajudou o filme. Ao chegar aos cinemas o acerto de Patty Jenkins e Gal Gadot foi um grande alívio para o estúdio e os fãs da DC. O primeiro filme solo da Princesa das Amazonas não só é o um dos melhores blockbusters do ano, como também um dos mais importantes quando falamos de representatividade e empoderamento, pois nada foi mais emblemático do que ver a Mulher-Maravilha sendo metralhada e bombardeada na Terra de Ninguém enquanto resistia mais forte do que nunca com o seu escudo. O filme também marca a primeira aventura solo de uma heroína, de fato, no cinema, que, como bela consequência, inspirou crianças pelo mundo todo ao trazer uma aventura que simboliza o espírito heroico desses personagens.

Mulher-Maravilha é um conjunto de boas ideias que dão certo, um filme simples, consciente dos seus compromissos e suas obrigações. A falha, no entanto, está na grandiloquência do terceiro ato em um festival de raios azuis que destoam completamente do resto do filme, mas que, no entanto, se justificam com a simbologia do que representam para o crescimento e evolução da sua personagem-título, brilhantemente incorporada por Gal Gadot e genuinamente compreendida por Patty Jenkins.

1 – Logan

X-23 (Dafne Keen) e Logan (Hugh Jackman) em Logan

Há um legado que Christopher Nolan deixou para os filmes de super-heróis ao realizar a sua trilogia do Cavaleiro das Trevas com o Batman de Christian Bale: filmes de super-heróis podem ser entretenimento, assim como podem estar inseridos no mundo real e trazer muito mais do que apenas diversão. Logan é um ponto extremamente fora da curva e um agouro para o gênero. James Mangold, que havia já havia levado aos cinemas o pouco agradável Wolverine – Imortal em 2013, agora, com Logan, ele trouxe uma jornada triste, profunda e até mesmo visceral com um protagonista cansado, acabado e vulnerável, um Professor Xavier (Patrick Stewart) doente e debilitado e uma garota violentamente conquistadora em uma história que mostrou um último suspiro do já saudoso Wolverine de Hugh Jackman.

Logan é um filme marcante, e já inesquecível, superior a tudo que se viu dentro do gênero de super-heróis em 2017, e superou, ainda, todas as dúvidas que haviam sobre a qualidade do filme, já que antes dele o personagem havia ganhado dois filmes onde um beira a mediocridade e o outro acabava se perdendo completamente. Hugh Jackman incarnou o personagem pela última vez em 2017, e em todos os 17 anos vivendo o personagem, nenhuma aparição do Wolverine foi tão marcante quanto em Logan. No entanto, há decisões que o filme toma que não parecem ser as melhores, mas no final tudo se justifica e Logan faz o suficiente para ser o melhor filme de super-herói de 2017 – e com sobra.

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

Você Também Pode Curtir