Hang the DJ e sua surpreendente jornada pelo mundo dos apps de relacionamento

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Hang the DJ é uma das melhores experiências que Black Mirror proporciona com a sua quarta temporada. O habitual, dos anos anteriores, foi sempre ter um ponto de impacto nos minutos finais, com um teor chocante e perturbador. Porém, Hang the DJ é sem dúvida um belíssimo romance e o ponto de impacto dos seus minutos finais são enlouquecedores, apaixonantes e surpreendentes.

O episodio apresenta duas pessoas no meio de um sistema que simula relações amorosas, recolhendo dados das reações e experiências das pessoas envolvidas para que no final o par definitivo de cada um seja encontrado. É bizarro pensar em um mundo em que a tecnologia realmente determina coisas importantes na sua vida – e isso é muito Black Mirror. É claro que ao ver o episódio acontece uma associação direta ao aplicativo Tinder, mas apesar dele dar as opções para o usuário, e este que ainda pode decidir, ou tentar, ficar com a pessoa pretendida. No entanto, Hang the DJ escolhe não só o parceiro da relação, como também a comida que cada um consome, por exemplo.

Devia ser uma loucura antes do sistema… As pessoas tinham que cuidar de relacionamentos sozinhas, decidir com quem ficar“, diz Amy em determinado ponto do episódio. O diálogo, dos dois refletindo sobre o antes e depois do sistema, é um dos momentos mais profundos e questionadores da temporada até aqui e reflete também a genialidade do tema abordado. É normal que Black Mirror construa seus episódios no meio de uma sociedade tecnologicamente avançada, com um viés distópico, assim não há a necessidade de explicar o que aconteceu para que aquele ambiente ficasse daquele jeito. Hang the DJ traz esse mesmo elemento consigo durante todo o episódio, mas é no momento em que ele justifica tudo isso que Black Mirror surpreende mais uma vez.

Todas as simulações acontecem em uma realidade virtual, que são, na verdade, as simulações que o aplicativo da vida real fazia internamente até combinar os protagonistas. O roteiro do episódio vai largando pistas interessantes ao longo de sua duração, como os 99,8% de chances de o seu par definitivo dar certo no final – sendo este, na verdade, o número de vezes que o aplicativo real obteve como resultado a união do casal durante as suas simulações. O mais interessante, e que caracteriza a distopia, é para a simulação ser considerada um sucesso o casal precisava se rebelar contra o sistema para que pudessem ficar juntos. Assim, Hang the DJ nos dizia que mesmo o aplicativo, ou o sistema, unindo as pessoas, o fator humano é determinante na escolha do seu “par ideal“.

Hang the DJ não só é um romance incrível e surpreende de aquecer coração, como é também um típico episódio que representa o melhor de Black Mirror. Suas reflexões sobre os aplicativos de relacionamentos são de extremo bom gosto, com méritos de Charlie Brooker, criador da série, que assina o roteiro de todos os episódios – sem deixar de lado os brilhantes Joe Cole e Georgina Campbell, que vivem o casal de protagonistas, Frank e Amy. O quarto episódio, então, representa o primeiro grande momento da quarta temporada de Black Mirror.

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid's Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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