Metalhead peca pela superficialidade e entrega trama com falta de significados em Black Mirror

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
Black Mirror - Metalhead
Divulgação/Netflix

Em Metalhead, quinto e penúltimo episódio da quarta temporada de Black Mirror, uma mulher, Bella (Maxine Peake) tenta sobreviver a uma terra cheia de “cachorros” em meio à paisagem pós-apocalíptica dos mouros escoceses.

Este é um clássico episódio onde “o conceito foi bom, porém…”; neste caso o “porém” é sucedido de “falta de roteiro”. Este é o principal problema do episódio. No geral, Metalhead não tem uma profundidade mínima para fazer deste um bom episódio. O tema abordado aqui é bastante interessante e poderia dar vida a um incrível e chocante episódio acerca das criações humanas e os seus perigos.

No começo observamos o personagem de Jake Davies, Clarke, falar que não conseguiria viver como um porco, pois ele não acha digno um ser ter o “nariz” na mesma altura do ânus. Esta é uma parte da mensagem do episódio, a escolha de quais vidas são consideradas dignas ou não. Os cães desempenham aqui o papel de um ser superior, mais poderosos que o homem e capazes de subjugá-lo por este motivo. Metalhead passa também a mensagem de como as criações humanas podem ser perigosas, podendo se rebelar contra nós mesmos.

Este episódio é baseado em um vídeo que se tornou viral por toda a internet, onde uma empresa desenvolveu um quadrúpede robô, que, ao ser chutado, consegue manter o equilibro. É interessante como uma simples alteração na capacidade de uma máquina pode torná-la perigosa à existência humana. No episódio, por exemplo, caso os cães não possuíssem a habilidade de se levantar quando derrubados, certamente eles não seriam um adversário a “altura” do ser humano, sendo facilmente derrotados com um simples pontapé.

Black Mirror - MetalheadNo caso, com a habilidade de se equilibrar e levantar-se, o robô aniquila uma fraqueza que o tornava indigno de subjugar os humanos, indigno de se considerar superior a eles, podendo então se rebelar contra seus criadores e estabelecer uma nova ordem. Claro que existem os limites impostos pela programação, mesmo assim Metalhead parece não levar isso em conta ou pelo menos supõe que os robôs já superaram também esta adversidade.

Todas essas ponderações acerca do episódio foram feitas por conclusões de conhecimentos já conhecidos previamente, o que revela a grande falha de roteiro neste episódio: não há uma história com detalhes suficientes para que você infira isto, ou ao menos se importe com os personagens. No final, o telespectador não liga para o que acontece ou deixa de acontecer com os protagonistas do episódio, pois simplesmente não há uma criação de ligação afetuosa entre personagem e telespectador.

A ação do episódio é suficiente para empolgar no começo e sendo um forte aliado do espectador durante todo o episódio, não prolongando muito um roteiro que é quase inexistente. A fotografia em preto e branco traz um contraste noturno belíssimo, e só. Com isso, Metalhead peca ao focar na ação do episódio e deixar de lado o essencial, o roteiro, tornando-se uma história vazia e com personagens insignificantes aos olhos do telespectador.

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
, , ,

Comentários

Sou com certeza um viciado em séries. Gosto de todos os tipos. Minhas preferidas são Sense8, Séries da Marvel,Game of Thrones, Westworld e Outlander. Se tiver super-herói pode ter certeza que vou assistir.

Você Também Pode Curtir