Crítica | O Estrangeiro

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone

O Estrangeiro (2018)

Contar duas histórias em um mesmo filme pode se tornar uma armadilha perigosa para o roteiro, principalmente se este não é capaz de interligar as duas linhas condutoras da narrativa de forma homogênea. O Estrangeiro sofre, basicamente, deste problema e se mostra um filme insatisfatório ao desenvolver duas histórias diferentes em sua única narrativa.

No longa, Jackie Chan vive o dono de um pequeno restaurante de comida chinesa que vê a filha morrer em um atentato terrorista. Tudo no filme, sem exceções, acontece muito rápido, mas essa velocidade parece muito mais apressada do que dinâmica ou envolvente. Com o mote inicial, O Estrangeiro parece dar peso ao até então protagonista, há cenas em que Chan precisa se esforçar para deixar evidente a dor do pai que perdeu tudo o que tinha na vida – pois posteriormente descobre-se mais do passado do personagem, mas isso parece ser apenas jogado dentro do filme para justificar o que e como o personagem faz o que é visto em tela.

Do outro lado, há a trama política e conspiratória do filme, esta protagonizada por Pierce Brosnan. Com isso, O Estrangeiro trabalha a rivalidade entre Inglaterra e Irlanda, criando tensão e instabilidade política entre os dois países. Inicialmente, pelo menos na primeira meia hora de projeção, o longa de Martin Campbell parece estar construindo um interessante thriller político que carrega consigo a criação de uma instabilidade entre um governo e outro. No entanto, o roteiro não consegue criar um ambiente em que todas as histórias consigam se desenvolver em um único sentido, caminhando para um mesmo lugar.

Contudo, o que se vê em tela são duas histórias diferentes que dependem uma da outra para evoluírem, mas que não parecem conversar entre si. O Estrangeiro faz o espectador acreditar em uma trama de vingança (por parte de Jackie Chan), faz com que a trama política seja interessante (na parte de Pierce Brosnan) e ainda consegue fazer o plot revanchista do grupo de terrorista ser instigante. Porém, nenhuma dessas histórias consegue concatenar uma com outra, são dois filmes em um, e fica evidente que se o longa resolvesse seguir apenas uma dessas linhas o resultado poderia ser outro.

A direção de Martin Campbell se perde com facilidade. O diretor não consegue encontrar um equilíbrio narrativo ameno para o filme, não sabe o momento de desenvolver a trama de um dos focos do longa e muito menos consegue passar um senso de urgência dentro da história – como já citado, a trama é apressada e mesmo assim o ritmo do longa cai em um marasmo que só acaba com o subir dos créditos. As cenas de ação são bastante genéricas, Jackie Chan consegue empregar alguns dos seus movimentos característicos – aquelas lutas inventivas e mirabolantes divertidas de assistir -, mas o tom sério do filme não permite espaço para o ator fazer aquilo que o público que está indo ao cinema conferir um dos seus filmes quer assistir. Trazer o diferente é sempre muito bem-vindo, desde que seja um diferente bem feito – e isso não aplica aqui.

O Estrangeiro é um filme bagunçado, cansativo, inflado mais do que se poderia aceitar, não sabe para onde ir com a sua história, não traz um senso de urgência ou de perigo para a história que também carece de boas atuações. Tudo no filme foge do controle do diretor, que não soube conduzir a narrativa de forma homogênea para que tudo em tela pudesse funcionar de forma mais orgânica.

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someone
, , ,

Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

Você Também Pode Curtir