Divulgação/Universal Pictures

The Post talvez não seja o grande filme que Steven Spielberg trará em 2018, este talvez seja Jogador Nº1, que estreia em março. Contudo, The Post – A Guerra Secreta também é um ótimo filme que precisa ser apreciado. Mesmo assim, o longa tem cara de premiações, mesmo que seja mais impulsionado por trazer o nome do diretor ao lado de Meryl Streep e Tom Hanks, entre outros bons e interessantes nomes que completam o elenco.

A Guerra Secreta é um filme jornalistico sobre o jornalismo hard news em sua essência palpável e analógica, nos tempos em que jornais disputavam manchetes exclusivas e seus funcionários amanheciam em frente as bancas para ver a capa da concorrência. Spielberg compreende esses conceitos básicos do jornalismo, principalmente o dilema enfrentado por toda redação de rádio, TV, jornal e digital, pesando em uma balança o serviço público que o veículo de imprensa presta para o consumidor da notícia com o serviço para o público, dando aquilo que os leitores querem. O mais interessante disso é como o diretor consegue aplicar esses conceitos no filme, usando-os como um elemento que faz os próprios personagens questionarem a sua moral e o seu dever com o público.

Spielberg compreende o que está em jogo ao adaptar um caso real sem torná-lo um grande espetáculo. The Post, como filme, se mostra consciente disso e não busca glamour em sua história, ele apenas quer ser sincero e retratar a verdade da sua revelação. O longa passa o senso de urgência e gravidade de tais revelações, que envolvem esquemas de acobertamento quanto a situação do país durante a Guerra do Vietnã, com um direcionamento bastante objetivo, o que deixa o desenvolvimento dessa história ainda mais envolvente.

O uso de suspense no início é muito bem-vindo e combina com o tom adotado por Spielberg, que aplica em cima do mundo real elementos que simulam algo lúdico, o que já foi visto em outros títulos do diretor. Tudo isso é embalado e elevado por Meryl Streep, Tom Hanks e Bob Odenkirk, que em meio aos dois gigantes consegue se destacar com um personagem surpreendente.

The Post - A Guerra Secreta
Divulgação/Universal Pictures

Meryl Streep ganha em sua personagem, que é a dona do Washington Post, um retrato que reflete a impotência da mulher menosprezada e tida como incapaz naquela época. Mais uma vez encantadora, Streep surge em cena com uma personagem confiante e murcha na medida que encontra pessoas que não a valorizam e que sequer ouvem o que ela tem a dizer. Com isso, a atriz deixa evidente a fragilidade da personagem quando ao mesmo tempo que sabe dar um passo adiante quando a mesma adquire confiança suficiente para se impor perante aqueles que não acreditam na força que ela tem.

Junto a ela, Tom Hanks vive um chefe de redação (Ben Bradlee) na busca por uma grande manchete que faça o The Post figurar em um novo patamar entre os jornais. O personagem simboliza o espirito do jornalismo em sua busca feroz pela informação e pela verdade. Hanks chama a atenção pela paixão que move o seu personagem, o que lhe rende cenas marcantes e emocionantes. Entre os dois (Streep e Hanks) surge Bob Odenkirk com um jornalista investigativo de suma importância para toda a apuração dos fatos aconteça. Com ele, The Post – A Guerra Secreta torna-se mais corpulento em sua narrativa, pois o jornalista mostra os perigos da profissão que desafia o limite da época e que joga esse profissional contra parede, indagando-o sobre tornar público o que o povo precisa saber ou deixar que a censura de Richard Nixon vença a liberdade de imprensa.

Janusz Kaminski, parceiro de longa data de Steven Spielberg, assina a bela fotografia de The Post, que em tons mais pasteurizados e acinzentados, combina com as páginas dos jornais, ao mesmo tempo que reforça o senso de gravidade do que estava em jogo durante a projeção. Novamente, o casamento cinematográfico de Kaminski e Spielberg rende um ótimo filme. O mesmo também serve para o roteiro eficiente e afiado de Liz Hannah e Josh Singer. Hannah faz a sua estreia como roteirista em longa-metragem, Josh já tem no currículo o vencedor do Oscar de Melhor Filme, Spotlight – Segredos Revelados.

The Post - A Guerra Secreta
Divulgação/Universal Pictures

Spielberg, mais uma vez, mostra tudo o que sabe fazer ao aproveitar o material que tem em mãos. A câmera, por diversos momentos, desliza em meio a redação, fazendo com que os planos-sequências do diretor soem como uma viajem prazerosa na busca pela verdade absoluta e pela realização do dever público do jornalismo – reforçando também o comprometimento desse profissional com a informação e o povo. The Post – A Guerra Secreta é muito mais jornalistico que o grande público possa imaginar, mas é acessível ao ponto de que este consiga desfrutar de um filme que trata, basicamente, sobre a revelação da verdade. Spielberg coloca The Post na galeria de filmes que prestigiam o jornalismo e que fazem uma ode ao que é ser um jornalista – em sua mais gloriosa e bela utopia profissional.

Avaliação
Avaliação: Muito bom
8.0
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Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid's Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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