Reprodução/Banco de Séries

Muitos fatores definem a oitava temporada de The Walking Dead como a pior desde que a série está no ar. Queda na qualidade de produção; queda no rendimento criativo do roteiro; e principalmente a queda brusca na audiência – fator ainda mais importante dentro de todos os pontos levantados, tanto que para a próxima temporada o showrunner não será o mesmo.

O arco da Guerra Total prometia confrontos épicos entre o grupo de Rick (Andrew Lincoln) e os Salvadores de Negan (Jeffrey Dean Morgan), além de trazer a ação como foco principal da série. Nos primeiros episódios foi o que aconteceu, a Guerra havia começado com tudo, tiros, confrontos diretos, estratégias – mesmo aos trancos e barrancos a série estava comprometida a entregar aquilo que prometera. Mas com o passar das semanas o roteiro foi perdendo o fôlego e prolongando uma história que não tinha capacidade de sustentar 16 episódios de uma temporada.

Outro fator problemático na oitava temporada foi a falta de consequências graves dentro da série. Apostar em uma abordagem emocional em alguns momentos fazia sentido dentro da guerra, mas usá-la para eliminar personagens inexpressivos na tentativa de comover o espectador não foi uma boa escolha, mesmo que necessária para trazer personagens novos e mais interessantes no futuro. Apesar do tom certo, a série ainda errou em muitas das suas decisões.

A oitava temporada ainda tetou resgatar a essência que fez de The Walking Dead uma das séries mais populares da TV e do mundo ao lado de Game of Thrones. Os personagens voltaram a ter conflitos morais, mesmo sem convencer na maioria das vezes. Dividida em duas partes, a temporada teve, sim, os seus bons momentos, mas eles não foram nada além de bons. Ainda assim, é possível pontuar alguns instantes de ápice, como a morte de Carl, que reverberou até o momento mais importante da finale – porém, é importante destacar que o acontecimento mais importante da temporada não esteve, diretamente, ligado a Guerra Total.

Depois que o personagem vivido por Chandler Riggs deixou a série, a produção criou uma auto necessidade de fazer com que esta morte fosse um aprendizado para a série. Durante todos os oito episódios finais da temporada, de algum modo, Carl sempre se fez presente para mudar algum rumo do programa, e conseguiu. Ficou claro, de uma vez por todas, que The Walking Dead nunca mais será a mesma série de antes, mas dessa vez é possível ser melhor.

The Walking Dead
Reprodução/Banco de Séries

O episódio final cumpriu os seus deveres ao mostrar que a morte de Carl realmente foi um ponto de virada importante na história. Rick e Michone (Danai Gurira) adquiriram um novo olhar para resolver o conflito, e o protagonista parece ter retrocedido de forma positiva, voltando a ser o Rick que acredita em um mundo melhor e em restabelecer uma sociedade. A season finale foi carregada de elementos que fizeram bem para a série, fazendo-a terminar sua temporada mais irregular com a cabeça erguida.

Com ação e emoção, Wrath resolveu o arco da Guerra Total com plot twists inesperados e apresentando um Novo Mundo para The Walking Dead. Conforme visto desde o inicio da oitava temporada, a misericórdia de Rick foi mais forte do que a sua ira, e a decisão de fazer Negan um prisioneiro e não um mártir, promete uma nona temporada interessante. Como visto nos últimos minutos, Maggie (Lauren Cohan), Jesus (Tom Payne) e Daryl (Norman Reedus) não aceitaram a ideia de Rick e Michone, e prometem desafiar a liderança dos dois. Contudo, há uma contradição muito grande no meio disso: Jesus perpetuou durante a temporada com o mesmo discurso de misericórdia adotado por Rick na finale, e agora o personagem está contra a própria maneira de pensar.

Apesar de ter enfrentando muitos obstáculos em sua oitava temporada, The Walking Dead tem uma nova chance de recomeçar, de melhorar e recuperar a audiência perdida – fãs insatisfeitos com o que estavam assistindo. Com uma temporada irregular, a série de zumbis se despediu com dignidade, mas não apagou os erros que cometeu ao prolongar em excesso essa história, que exigia resoluções mais imediatas e não adiadas como foram. Mesmo deixando um gosto amargo na boca, a má impressão da temporada foi teve uma boa solução final, mas o recomeço do novo ano da série precisará repaginar muitas coisas no programa para que ele volte ou se aproxime dos seus dias de glória novamente.

Avaliação
Avaliação: Regular
5.5
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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.