Vingadores: Guerra Infinita

Ver Vingadores: Guerra Infinita na tela do cinema faz refletir sobre o filme ser apenas o resultado de 10 anos de trabalho. Rotular o longa que simboliza o ápice da Marvel no cinema de apenas resultado é diminuí-lo, mesmo que um pouco. São 10 anos de atividade da empresa nos cinemas, mas são anos de aprendizado e amadurecimento como resultados de erros e acertos.

Em 2012, Os Vingadores foram reunidos pela primeira vez no cinema, em um filme que é, até os dias de hoje, um dos melhores do estúdio. Sua sequência de 2015, no entanto, fica abaixo, mesmo replicando boas ideias do primeiro filme – mas só isso não basta. Guerra Infinita, contudo, é o reflexo de toda a bagagem que a Marvel adquiriu em todos esses anos, afirmando que este era o momento certo para se realizar o maior filme do estúdio até aqui. Vingadores: Guerra Infinita é uma promessa que se cumpre em cerca de duas horas e meia de projeção – e em uma experiência cinematográfica singular.

A primeira afirmação feita sobre Guerra Infinita é que este seria o filme de Thanos (Josh Brolin), e é. Não é uma questão de tempo de tela, aliás isso é muito bem dividido entre todos os núcleos, mas sim sobre a história. Em Guerra Infinita, os heróis mais poderosos da Terra e de outros cantos da galáxia precisam impedir que Thanos junte todas as Jóias do Infinito, o que lhe daria um poder divino, para que assim o grande vilão não pudesse matar grande parte da população galática afim de estabelecer um equilíbrio na vida de todos os seres vivos do universo. Dito isso, Vingadores: Guerra Infinita procura expor de forma objetiva o que motiva o vilão, dando-lhe uma personalidade marcante e vigorosa.

Thanos não é um vilão canastrão, ele tem uma história que precisa ser contada. Há fragmentos expostos no Universo Marvel que precisam ser encaixados dentro disso, e o roteiro acerta em cheio ao colocá-los na trama. Outro mérito é a não necessidade de desenvolver personagens que há 10 anos são mostrados no cinema, ou que ao menos já tiveram um filme próprio. Aliás, se a ideia dos Vingadores no cinema é justificar a existência de um crossover, Guerra Infinita eleva isso a um patamar superior ao unir personagens que talvez nunca fossemos ver juntos.

Vingadores: Guerra Infinita
Reprodução/IMDb

Guerra Infinita mostra que a Marvel encontrou, enfim, uma forma equilibrada de entregar um filme de entretenimento ao público que já conquistou, ao mesmo tempo em que aprendeu a encarar as coias de um jeito diferente. Vingadores: Guerra Infinita tem aventura, momentos de descontração e leveza, muitas referências, cenas de ação empolgantes, mas, principalmente, senso de urgência e gravidade com um peso dramático que até então o estúdio ainda não havia apresentado. Joe e Anthony Russo realizam um trabalho formidável em comandar o grande momento da Marvel em sua primeira década de vida.

Vingadores: Guerra Infinita é um presente cuidadosamente embalado para os fãs e para o próprio Marvel Studios, que sabe onde o material que tem em mãos pode chegar. Nada do que é visto em tela pode ser, de fato, questionável como decisão, há um ponto ou outro de exagero, mas o filme acerta em suas escolhas. Os Irmãos Russo souberam conduzir essa narrativa de forma inteligente, todos os pontos se ligam de forma natural, uma coisa leva a outra e assim por diante, garantindo um aspecto orgânico que dá segurança ao longa.

Com tudo isso desenvolvido em tela, Vingadores: Guerra Infinita não falha ao entregar um vilão/protagonista bem resolvido, não peca no tamanho da sua escala e grandiosa, e acerta na construção de uma tensão gradual – é possível sentir o perigo aumentar, junto com o peso dramático e a ausência de descontrações quando o filme se dirige com seriedade ao espectador. O tom dita a história e caracteriza um dos grandes acertos do Universo Marvel desde que começou lá em 2008, com Homem de Ferro.

Visualmente não há falhas, é um filme bonito, que usa bem os cenários e localidades, trazendo texturas que dão vida aos personagens criados por meios digitais, dando-lhes linhas expressivas que os tornam ainda mais palpáveis. Os efeitos especiais não deixam a desejar, o núcleo cósmico, mais uma vez, é belíssimo, mesmo que aqui a beleza não seja o mais chamativo, afinal o importante é mostrar que Vingadores: Guerra Infinita é um filme bem resolvido – no conjunto completo da obra.

Vingadores: Guerra Infinita tem tudo para ser o grande blockbuster do ano, é um filme de enorme valor de entretenimento, mas também é maduro o suficiente para saber que pode ser mais do que isso. Seus personagens têm background, e suas motivações são facilmente estabelecidas pelo filme. Não se trata do maior longa-metragem de todos os tempos, mas é uma novidade no gênero com uma escala impar. Guerra Infinita, por fim, reserva momentos surpreendes, e mesmo que o público sinta-se realizado ou maravilhado com o que os Irmãos Russo fizeram é possível ainda ter sentimentos mais emotivos em relação ao filme, pois peso nos acontecimentos não estão falta dessa vez.

A Marvel entra em uma nova fase, onde sabe que é capaz de fazer mais e melhor, como faz aqui. Guerra Infinita concluí uma missão e fecha uma história, deixa todas as portas abertas para o que virá no quarto longa dos Vingadores, que deve usar o real significado do nome como principal combustível de motivação, afinal personagens e público devem compartilhar dos mesmos sentimentos ao fim da projeção. A cena pós-crédito, ainda, é como se fosse a cereja do bolo, apresenta o fan service que todos querem ver e um outro sempre bem-vindo – esse para os fãs de um determinado ator cujo personagem havia deixado saudades.